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Pesquisa mostra 77% de voto definitivo em Lula, ante 62% em Flávio Bolsonaro; 37% dos eleitores do senador ainda admitem mudar.


Por Mateus Ayres para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

15 de julho de 2026



Quaest mostra que 77% dos eleitores de Lula consideram o voto definitivo, ante 62% entre os que escolhem Flávio Bolsonaro.
Quaest mostra que 77% dos eleitores de Lula consideram o voto definitivo, ante 62% entre os que escolhem Flávio Bolsonaro. | Foto: Reprodução/O Globo

A nova rodada nacional da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta (15), mostra que o voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está mais consolidado do que o do senador Flávio Bolsonaro entre os eleitores que já escolheram um nome para a eleição presidencial de 2026.


Entre os entrevistados que declaram voto em Lula, 77% afirmam que a escolha é definitiva e 23% dizem que ainda podem mudar. Entre os que escolhem Flávio Bolsonaro, 62% consideram o voto definitivo, enquanto 37% admitem rever a decisão. A diferença na firmeza das duas bases é de 15 pontos percentuais. O gráfico com o recorte por pré-candidato está na página 35 do relatório.


O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 120 municípios, entre 10 e 13 de julho. A margem de erro geral é estimada em dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026.


Os 77% não representam a parcela de todo o eleitorado que votará em Lula. O percentual considera apenas quem já declarou voto no presidente no cenário estimulado apresentado pela Quaest.


O indicador mede a firmeza interna de cada base. Ele permite avaliar quanto do eleitorado de um nome está decidido e quanto permanece vulnerável à campanha, aos debates, às alianças, à economia e a fatos novos.


Entre os eleitores de Lula, a parcela aberta à mudança é de 23%. No grupo de Flávio Bolsonaro, chega a 37%. Há ainda 1% que não soube ou não respondeu entre os entrevistados que escolheram o senador.


A margem de erro de dois pontos percentuais refere-se à amostra total. Ela não deve ser aplicada automaticamente aos grupos de eleitores de cada pré-candidato, que possuem bases menores. A página do relatório com esse cruzamento não apresenta as margens específicas dos subgrupos.


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A evolução desde abril reforça a diferença entre as duas bases. O voto definitivo em Lula passou de 65% em abril para 70% em maio, 71% em junho e 77% em julho.


Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice foi de 60% em abril, 66% em maio e 70% em junho. Em julho, recuou para 62%. No mesmo período, a parcela que admitia mudar o voto no senador subiu de 30% para 37%.


Considerando todos os entrevistados que indicaram algum nome, 65% afirmam atualmente que a escolha é definitiva e 35% dizem que podem mudar. Em março, os índices eram de 56% e 43%, respectivamente, segundo o gráfico da página 34.


A série sugere que Lula ampliou a fidelidade de sua base, enquanto Flávio perdeu parte da consolidação registrada no mês anterior. O levantamento, porém, não permite atribuir essa mudança a um único acontecimento.


No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado registra 4%, Renan Santos tem 3% e Romeu Zema, 2%. Os demais nomes somam 4%, enquanto 11% estão indecisos e 8% indicam voto branco, nulo ou que não pretendem votar.


Em uma eventual disputa de segundo turno, Lula marca 45% e Flávio Bolsonaro, 37%. Na rodada de junho, o placar era de 44% a 38%. A vantagem numérica do presidente passou de seis para oito pontos percentuais.


A consolidação da base não elimina outros obstáculos. Flávio Bolsonaro registra rejeição de 57%, enquanto Lula é rejeitado por 50% dos entrevistados. Os índices mostram que os dois principais nomes testados enfrentam limites para conquistar eleitores fora de seus grupos mais próximos.


O relatório não apresenta decisões internas, reuniões ou estratégias reservadas das pré-campanhas. Os números públicos, porém, indicam desafios diferentes.


Lula chega ao período das convenções com uma base mais firme, mas ainda precisa ampliar seu apoio para além do eleitorado já consolidado. Flávio Bolsonaro possui uma parcela maior de eleitores dispostos a mudar, o que aumenta simultaneamente o espaço para crescimento e o risco de perda de votos.


Trata-se de uma inferência política baseada nos dados, não de informação sobre medidas já decididas pelas equipes dos dois nomes.


Uma base consolidada tende a oferecer maior previsibilidade para a mobilização eleitoral. Ela ajuda partidos e campanhas a identificar onde precisam defender votos já conquistados e onde devem procurar novos apoios.


O retrato geral, contudo, ainda é de uma eleição em formação. Na pergunta espontânea, feita sem a apresentação de uma lista de nomes, 54% não indicam candidato. Lula é citado por 26% e Flávio Bolsonaro por 14%.


Esse contraste importa. As bases dos dois principais nomes podem estar adquirindo contornos mais definidos, mas uma parcela ampla da sociedade ainda não expressa preferência espontânea. A campanha oficial, os debates e as condições concretas de vida podem influenciar esse eleitorado.


As próximas rodadas precisarão mostrar se o avanço da consolidação do voto em Lula será mantido e se a queda registrada por Flávio Bolsonaro em julho representa uma oscilação pontual ou uma tendência.


Também será necessário observar se a maior firmeza da base do presidente se converterá em expansão entre os eleitores ainda sem candidato e se o senador conseguirá reduzir a parcela de apoiadores que admite mudar de voto.


O que acontece agora


As convenções partidárias serão realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. É nesse período que partidos e federações escolherão formalmente seus candidatos.


O prazo para o registro das candidaturas termina em 15 de agosto. A propaganda eleitoral geral começa em 16 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.


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Mateus Ayres é jornalista e analista político de O estopim. Cobre política nacional e internacional, análise de conjuntura e os impactos das decisões públicas sobre a justiça social, com rigor documental e compromisso com a democracia.


Quaest mostra Lula com 40% no 1º turno e à frente em todos os duelos de 2º turno, apesar de maioria rejeitar novo mandato.


Por Mateus Ayres para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

15 de julho de 2026 Lula lidera disputa de 2026



Lula lidera a pesquisa presidencial, embora 51% digam que ele não merece mais quatro anos
Lula lidera a pesquisa presidencial, embora 51% digam que ele não merece mais quatro anos | Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta (15) expõe uma aparente contradição no cenário presidencial. Embora 51% dos brasileiros afirmem que Luiz Inácio Lula da Silva não merece continuar no Palácio do Planalto por mais quatro anos, o presidente lidera o primeiro turno e todos os confrontos de segundo turno testados pelo instituto.


Outros 45% consideram que Lula merece um novo mandato. Os 4% restantes não souberam ou não responderam. A própria pergunta foi apresentada aos entrevistados como independente da intenção de voto, distinção fundamental para interpretar o resultado. Os dados aparecem nos gráficos das páginas 24, 37, 39, 41, 43, 46, 97 e 98 do relatório.


A Quaest ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, distribuídas por 120 municípios, entre sexta (10) e segunda (13). A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026.


Dizer que um governante “merece” continuar é uma avaliação retrospectiva. O entrevistado considera o desempenho da administração, as expectativas que tinha e os resultados que percebeu durante o mandato.


A intenção de voto é comparativa. Nesse caso, o eleitor não avalia Lula isoladamente. Ele escolhe entre os nomes apresentados pelo instituto, considerando também rejeição, conhecimento, identificação política e percepção sobre a viabilidade de cada concorrente.


Por isso, um eleitor pode considerar que Lula não merece outro mandato e, ao mesmo tempo, preferi-lo aos adversários disponíveis. Isso não elimina a insatisfação com o governo. Revela que a oposição ainda não converteu todo o desgaste do presidente em apoio eleitoral.


No cenário estimulado, quando o entrevistado recebe uma lista de nomes, Lula aparece com 40% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro, do PL, tem 28%.


Ronaldo Caiado, do PSD, marca 4%. Renan Santos, do Missão, tem 3%, e Romeu Zema, do Novo, 2%. Cabo Daciolo, Augusto Cury, Joaquim Barbosa e Samara Martins aparecem com 1% cada. Os indecisos representam 11%, enquanto 8% afirmam que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam.


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Em junho, Lula tinha 39% e Flávio, 29%. As oscilações individuais estão dentro da margem de erro, mas a distância numérica entre os dois passou de dez para 12 pontos.


Lula também lidera os quatro confrontos de segundo turno apresentados aos entrevistados.

Contra Flávio Bolsonaro, o presidente tem 45%, diante de 37% do senador. Na rodada anterior, o placar era de 44% a 38%. A vantagem numérica passou de seis para oito pontos.

Nos demais cenários, Lula aparece com 45% contra 36% de Ronaldo Caiado, 45% contra 35% de Romeu Zema e 45% contra 33% de Renan Santos.


Os resultados não permitem afirmar que a eleição está decidida. Eles mostram apenas como os entrevistados responderam aos cenários apresentados durante o período de coleta.


O comportamento dos eleitores classificados pela Quaest como independentes oferece uma das explicações mais claras para o aparente paradoxo.


Nesse grupo, 54% afirmam que Lula não merece continuar por mais quatro anos. Apenas 38% consideram que ele merece. Outros 8% não responderam.


Apesar dessa avaliação negativa, Lula lidera entre os independentes no primeiro turno, com 30%, diante de 15% de Flávio Bolsonaro. No confronto direto, o presidente marca 40% e o senador, 27%.


O dado também mostra a fragilidade desse apoio. Entre os independentes, 26% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam em um segundo turno entre Lula e Flávio. Outros 7% permanecem indecisos.


A leitura mais prudente é que Lula possui vantagem comparativa nesse segmento, mas ainda enfrenta resistência significativa. Uma parcela relevante desses eleitores não está convencida por nenhum dos dois polos.


Lula é conhecido e rejeitado por 50% dos entrevistados. Outros 47% afirmam que o conhecem e poderiam votar nele. Flávio Bolsonaro enfrenta rejeição maior, de 57%, enquanto 38% dizem que poderiam apoiá-lo.


Os demais nomes têm rejeição menor, mas também são menos conhecidos. A Quaest aponta que 44% não conhecem Ronaldo Caiado, 50% não conhecem Romeu Zema e 77% não conhecem Renan Santos.


Isso produz uma vantagem estrutural para Lula. O presidente enfrenta desgaste elevado, mas concorre contra um adversário principal ainda mais rejeitado e contra alternativas que não alcançaram conhecimento nacional suficiente.


Essa é uma análise baseada nos dados disponíveis, não uma previsão. O início da propaganda eleitoral tende a elevar o conhecimento dos concorrentes e pode alterar tanto o potencial de voto quanto a rejeição.


A maioria afirma que Lula não merece continuar desde agosto de 2025, início da série apresentada pela Quaest.


Em setembro daquele ano, a distância chegou a 24 pontos, com 61% respondendo que Lula não merecia outro mandato e 37% dizendo que merecia. Em março e abril de 2026, a diferença ainda superava 20 pontos.


O intervalo caiu para 14 pontos em maio e junho. Agora, está em seis pontos, com 51% contra 45%, o menor resultado da série.


A movimentação acompanha a melhora na aprovação do governo. Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação de Lula ficou numericamente acima da desaprovação: 48% aprovam o trabalho do presidente e 47% desaprovam. Outros 5% não responderam.


Aprovação, avaliação de mérito para um novo mandato e intenção de voto são indicadores relacionados, mas não equivalentes.


Para Lula, o levantamento oferece uma vantagem eleitoral, mas também um alerta. O presidente lidera porque reúne uma base consolidada, tem menor rejeição que Flávio Bolsonaro e permanece à frente entre os independentes. Ainda assim, a maioria não concede, neste momento, um aval explícito à continuidade.


O desafio político do governo será transformar um voto comparativo, muitas vezes motivado pela rejeição ao adversário, em apoio positivo ao seu programa, às políticas públicas e aos resultados econômicos e sociais.


Para a oposição, o problema é duplo. Flávio Bolsonaro concentra a maior parte do eleitorado de direita, mas sua rejeição limita o crescimento. Os demais nomes têm rejeições menores, porém continuam desconhecidos por parcelas expressivas da população.


A pesquisa mostra que descontentamento e voto não caminham automaticamente na mesma direção.


Uma maioria pode desejar mudança e, ainda assim, não identificar uma alternativa considerada mais segura, conhecida ou competitiva. Também pode preferir manter o atual presidente diante de um adversário que rejeita ainda mais.


Esse cenário torna os eleitores independentes e os que hoje declaram voto branco, nulo ou indecisão centrais para a campanha. São segmentos menos vinculados às bases ideológicas e mais sujeitos à avaliação de propostas, resultados e acontecimentos da conjuntura.


O que acontece agora


A pesquisa foi divulgada antes da formalização das candidaturas. As convenções partidárias serão realizadas entre segunda (20) e 5 de agosto. Os partidos terão até 15 de agosto para registrar seus candidatos na Justiça Eleitoral.


A propaganda eleitoral geral começa em 16 de agosto. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.


Até lá, os índices poderão mudar com a definição das chapas, o horário eleitoral, os debates, a exposição dos candidatos e a evolução da avaliação do governo.


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Mateus Ayres é jornalista e analista político, com atuação em política nacional, internacional e análise de conjuntura. Em O estopim, acompanha o poder público sob a perspectiva da justiça social, do interesse público e do rigor documental.

Por Raul Silva para O estopim | 11 de abril de 2026




O novo levantamento do Datafolha, divulgado neste sábado, 11 de abril de 2026, redesenha a corrida presidencial ao mostrar um país mais dividido, mais desconfiado e menos disposto a entregar vantagem confortável a qualquer um dos polos. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 137 municípios, entre 7 e 9 de abril, com margem de erro de dois pontos percentuais. No retrato mais sensível do momento, Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 39% no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro, e empata tecnicamente no segundo turno com o senador do PL, que marca 46% ante 45% do presidente.


Duas pessoas em trajes formais falam em ambientes distintos. À esquerda, fundo com cortina cinza; à direita, pessoas ao fundo.
Pré-candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em destaque. | Foto: Fotomontagem Gazeta do Povo (Ricardo Stuckert/PR e Andressa Anholete/Agência Senado

A fotografia eleitoral não se resume ao duelo entre governo e oposição. A pesquisa também mostra uma deterioração ampla de confiança nas instituições, recorde de desconfiança em relação ao Supremo Tribunal Federal, insegurança elevada em relação ao processo eleitoral e sinais de desgaste social que atravessam economia doméstica, endividamento com apostas online e até o humor do país diante da Copa do Mundo de 2026. O dado central é que a disputa entrou na fase em que a rejeição pesa tanto quanto a intenção de voto.


A pesquisa Datafolha foi registrada no TSE sob o protocolo BR-03770/2026. As entrevistas foram presenciais e ocorreram entre 7 e 9 de abril de 2026. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.


Gráfico de barras horizontal mostra intenção de votos para presidente: Lula 20%, Bolsonaro 14%, indecisos 52%, em 11/04/2026.
A pesquisa de voto espontâneo para presidente, realizada em 11 de abril de 2026, revela que 52% dos eleitores estão indecisos, enquanto Lula e Jair Bolsonaro lideram entre os mencionados, com 20% e 14%, respectivamente. | Fonte: Datafolha

No voto espontâneo, quando o eleitor responde sem ver a lista de candidatos, mais da metade do eleitorado ainda não apresenta escolha consolidada. São 52% de indecisos ou entrevistados que não citaram nenhum nome. Lula tem 20% e Jair Bolsonaro, embora inelegível, aparece com 14%, o que sinaliza que a memória política do campo conservador continua ancorada no ex-presidente. Tarcísio de Freitas, Ciro Gomes, o “atual presidente” e o “candidato do PT” aparecem com 1% cada.


O número mostra um eleitorado ainda pouco mobilizado formalmente, mas preso aos dois polos que dominam a política nacional desde a última década. Mesmo sem disputar, Jair Bolsonaro segue funcionando como referência simbólica do campo conservador. Lula, por sua vez, mantém liderança na lembrança espontânea, mas distante de um patamar que indique conforto.


Gráfico de barras mostrando intenções de voto no 1º turno. Lula 39%, Flávio 35%. Barras azuis, fundo branco. Texto no topo.
Gráfico de intenção de voto no 1º turno mostra Lula (PT) com 39% e Flávio (PL) com 35%, indicando uma disputa acirrada. Decisões de eleitores indecisos (4%) e votos brancos/nulos (10%) podem ser cruciais no resultado final. | Fonte: Datafolha

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula lidera com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%. Ronaldo Caiado marca 5%, Romeu Zema registra 4%, Renan Santos tem 2%, Aldo Rebelo e Cabo Daciolo aparecem com 1% cada. Brancos, nulos e nenhum somam 10%, enquanto 4% dizem não saber.


O número mais importante não é apenas a liderança de Lula, mas o tamanho da vantagem. A diferença de quatro pontos está dentro de uma zona politicamente desconfortável para um incumbente que busca a reeleição. O presidente conserva a dianteira, mas não impõe distância segura. Flávio, por sua vez, mostra que herdou parcela relevante do espólio bolsonarista e conseguiu converter lembrança orgânica do pai em intenção de voto estimulada.


Gráfico de barras comparando cenários de 2° turno: Flávio x Lula, Lula x Caiado, Lula x Zema. Percentuais em azul, laranja, verde e vermelho.
Cenários do segundo turno apontam disputa acirrada, com Candidato 1 e Candidato 2 em empate técnico, tornando o resultado crucial para o Planalto. | Fonte: levantamento Datafolha de 11 de abril de 2026.

É no segundo turno que a pesquisa ganha peso estratégico. No principal cenário testado, Flávio Bolsonaro tem 46% e Lula, 45%. Como a margem de erro é de dois pontos, o quadro é de empate técnico. Ainda assim, a ultrapassagem numérica tem efeito político imediato. Ela desmonta a narrativa de vantagem estável do presidente e obriga o governo a reconhecer que a corrida entrou em território de risco real.


Nos cenários contra Ronaldo Caiado e Romeu Zema, Lula aparece com 45%, enquanto ambos marcam 42%. A diferença é pequena e também fica dentro da margem de erro. O ponto comum é a estabilidade do presidente em torno dos 45%, índice que funciona ao mesmo tempo como piso e teto. Há um núcleo duro consolidado, mas há também dificuldade clara de expansão.


Gráfico de barras comparando rejeição e conhecimento de candidatos. Barras azuis (rejeição) e laranja (conhecimento) variam de 16% a 99%.
Nível de rejeição impede avanços significativos entre os dois candidatos favoritos, Lula e Flávio. | Fonte: Datafolha

Se o primeiro turno mostra força competitiva, a rejeição mostra o limite estrutural dos candidatos. Lula lidera também nesse indicador, com 48%, seguido de perto por Flávio Bolsonaro, com 46%. Depois deles, todos os demais aparecem bem abaixo. Cabo Daciolo tem 19%, Zema e Renan Santos, 17%, Caiado e Aldo Rebelo, 16%.


Em tese, esses números poderiam sugerir espaço para uma alternativa moderada. Mas o mesmo levantamento mostra que Lula é conhecido por 99% do país e Flávio por 93%, enquanto Caiado é conhecido por 46%, Zema por 44%, Aldo por 33% e Renan Santos por 24%. Em outras palavras, parte da baixa rejeição desses nomes decorre simplesmente de baixa exposição nacional. À medida que uma campanha nacional elevaria a visibilidade, a resistência também tenderia a subir.


A pesquisa ainda indica um obstáculo adicional para o bolsonarismo. Segundo os recortes compilados pelo Datafolha, 61% rejeitam candidaturas que prometam anistia a Jair Bolsonaro e a aliados condenados por tramas contra a democracia. Isso limita a margem de ampliação de Flávio para além da própria base.


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Os recortes demográficos compilados no relatório merecem atenção porque mostram erosão em terrenos antes mais seguros para o lulismo. No Nordeste, Lula ainda lidera com folga, 53% a 25% sobre Flávio Bolsonaro. Ainda assim, a vantagem é menor do que em medições anteriores citadas na pesquisa Datafolha, um sinal de alerta para a coordenação petista.


Entre as mulheres, Lula também mantém a dianteira, com 41% contra 26%. O problema para o Planalto é que o campo conservador reduziu a distância num segmento em que o bolsonarismo original costumava sofrer resistência muito maior. O relatório também aponta que o presidente vai melhor entre católicos, enquanto Flávio concentra força mais robusta no eleitorado evangélico.


No campo da chamada terceira via, Caiado e Zema continuam sem escala nacional, mas mantêm nichos de competitividade regional e socioeconômica. Caiado cresce no Centro-Oeste e entre famílias de renda intermediária. Zema melhora desempenho entre os mais ricos. Esses bolsões, por si só, não os colocam no centro da disputa, mas podem influenciar alianças e transferências no segundo turno.


Gráfico de barras mostrando rejeição e conhecimento de candidatos. Barras azuis e laranjas indicam percentuais. Título: Rejeição eleitoral.
Rejeição elevada e nível de conhecimento dos candidatos demonstram desafio para o governo. | Fonte: Pesquisa Datafolha

A avaliação da administração federal ajuda a explicar o encurtamento eleitoral. Segundo o levantamento, 40% classificam o governo Lula III como ruim ou péssimo, 32% o consideram ótimo ou bom, 26% o veem como regular e 1% não soube responder. Quando a pergunta recai sobre o desempenho pessoal do presidente, a desaprovação chega a 49%, ante 47% de aprovação.


Esse quadro não implica colapso eleitoral automático, mas restringe a capacidade de o governo transformar políticas públicas em capital político de curto prazo. Um presidente pode vencer com avaliação dividida, mas dificilmente atravessa uma campanha longa sem que a desaprovação influencie debate sobre custo de vida, serviços públicos e credibilidade administrativa.


Gráfico de barras horizontais em azul mostrando sinais de desgaste institucional e humor social. Percentuais variam de 27% a 79%.
Pesquisa aponta sinais de desgaste institucional; 79% reprovam ministros do STF em casos de parentes, e 69% expressam insegurança sobre urnas e processo eleitoral. | Fonte: Datafolha

O levantamento vai além da corrida presidencial e mede um mal-estar institucional profundo. A desconfiança no STF chega a 43%, patamar recorde segundo o Datafolha. Apenas 16% dizem ter muita confiança na Corte. A avaliação direta do trabalho dos ministros também é negativa. São 39% os que classificam a atuação do tribunal como ruim ou péssima, contra 23% que a consideram ótima ou boa.


Outro dado de forte impacto político e ético é o repúdio à participação de ministros do STF em julgamentos que envolvam clientes de escritórios ligados a parentes. O índice de desaprovação chega a 79%. No ambiente eleitoral, 69% dizem sentir algum grau relevante de insegurança em relação ao processo eleitoral e às urnas.


A crise de confiança não fica restrita ao Judiciário. O Datafolha aponta 36% de desconfiança em relação ao Judiciário como um todo, 36% de desconfiança na imprensa, 27% de ceticismo absoluto em relação às Forças Armadas e baixa confiança sólida em grandes empresas. Esse ambiente favorece discursos de contestação sistêmica e dificulta a construção de consensos públicos mínimos.


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A pesquisa chama atenção para indicadores sociais menos usuais em pesquisas eleitorais. Um deles é o impacto das apostas online sobre o orçamento das famílias. Segundo a compilação, quatro em cada dez apostadores relatam ter entrado em endividamento ou inadimplência severa. O dado ajuda a entender por que parte do mal-estar econômico não se traduz automaticamente em apoio a medidas do governo, mesmo quando há políticas de alívio de renda.


Outro termômetro simbólico aparece no futebol. Apenas 33% acreditam que o Brasil será campeão da Copa do Mundo de 2026. O número funciona como sinal de um país menos confiante até em seus próprios marcadores simbólicos de grandeza nacional.


O cenário de abril não define a eleição de outubro, mas altera o eixo do jogo. O governo entra na fase decisiva sem a gordura que imaginava ter no fim de 2025. O bolsonarismo, por sua vez, prova que encontrou um nome competitivo em Flávio Bolsonaro, mas ainda enfrenta um teto alto de rejeição e a dificuldade de expandir sem reacender o debate sobre anistia e radicalização.


Para Lula, a tarefa mais urgente é recompor vantagem entre mulheres, proteger o Nordeste, reduzir a desaprovação do governo e impedir que o empate técnico no segundo turno se consolide como percepção dominante. Para Flávio, o desafio é ampliar competitividade sem perder o vínculo orgânico com a base do bolsonarismo e sem transformar a memória do pai em âncora de rejeição. Para a terceira via, a pesquisa reforça um diagnóstico duro. Há espaço para ruído, barganha e influência regional, mas ainda não há musculatura para quebrar a polarização.


No fim, o levantamento desenha uma eleição presidencial que será disputada menos no terreno do entusiasmo e mais no da contenção de danos. O país que sai dessa pesquisa não é só o país do empate técnico. É o país da confiança quebrada, da fadiga institucional e da incerteza elevada a seis meses da urna.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do O estopim. Atua na cobertura de política, poder e interesse público, com foco em apuração documental, leitura de dados e contextualização dos fatos para o ambiente digital.

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