Lula lidera disputa de 2026, mas 51% dizem que não merece mais quatro anos
- Mateus Ayres & Raul Silva

- há 1 dia
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Atualizado: há 8 horas
Quaest mostra Lula com 40% no 1º turno e à frente em todos os duelos de 2º turno, apesar de maioria rejeitar novo mandato.
Por Mateus Ayres para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026
15 de julho de 2026 Lula lidera disputa de 2026

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta (15) expõe uma aparente contradição no cenário presidencial. Embora 51% dos brasileiros afirmem que Luiz Inácio Lula da Silva não merece continuar no Palácio do Planalto por mais quatro anos, o presidente lidera o primeiro turno e todos os confrontos de segundo turno testados pelo instituto.
Outros 45% consideram que Lula merece um novo mandato. Os 4% restantes não souberam ou não responderam. A própria pergunta foi apresentada aos entrevistados como independente da intenção de voto, distinção fundamental para interpretar o resultado. Os dados aparecem nos gráficos das páginas 24, 37, 39, 41, 43, 46, 97 e 98 do relatório.
A Quaest ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, distribuídas por 120 municípios, entre sexta (10) e segunda (13). A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026.
Dizer que um governante “merece” continuar é uma avaliação retrospectiva. O entrevistado considera o desempenho da administração, as expectativas que tinha e os resultados que percebeu durante o mandato.
A intenção de voto é comparativa. Nesse caso, o eleitor não avalia Lula isoladamente. Ele escolhe entre os nomes apresentados pelo instituto, considerando também rejeição, conhecimento, identificação política e percepção sobre a viabilidade de cada concorrente.
Por isso, um eleitor pode considerar que Lula não merece outro mandato e, ao mesmo tempo, preferi-lo aos adversários disponíveis. Isso não elimina a insatisfação com o governo. Revela que a oposição ainda não converteu todo o desgaste do presidente em apoio eleitoral.
No cenário estimulado, quando o entrevistado recebe uma lista de nomes, Lula aparece com 40% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro, do PL, tem 28%.
Ronaldo Caiado, do PSD, marca 4%. Renan Santos, do Missão, tem 3%, e Romeu Zema, do Novo, 2%. Cabo Daciolo, Augusto Cury, Joaquim Barbosa e Samara Martins aparecem com 1% cada. Os indecisos representam 11%, enquanto 8% afirmam que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam.
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Em junho, Lula tinha 39% e Flávio, 29%. As oscilações individuais estão dentro da margem de erro, mas a distância numérica entre os dois passou de dez para 12 pontos.
Lula também lidera os quatro confrontos de segundo turno apresentados aos entrevistados.
Contra Flávio Bolsonaro, o presidente tem 45%, diante de 37% do senador. Na rodada anterior, o placar era de 44% a 38%. A vantagem numérica passou de seis para oito pontos.
Nos demais cenários, Lula aparece com 45% contra 36% de Ronaldo Caiado, 45% contra 35% de Romeu Zema e 45% contra 33% de Renan Santos.
Os resultados não permitem afirmar que a eleição está decidida. Eles mostram apenas como os entrevistados responderam aos cenários apresentados durante o período de coleta.
O comportamento dos eleitores classificados pela Quaest como independentes oferece uma das explicações mais claras para o aparente paradoxo.
Nesse grupo, 54% afirmam que Lula não merece continuar por mais quatro anos. Apenas 38% consideram que ele merece. Outros 8% não responderam.
Apesar dessa avaliação negativa, Lula lidera entre os independentes no primeiro turno, com 30%, diante de 15% de Flávio Bolsonaro. No confronto direto, o presidente marca 40% e o senador, 27%.
O dado também mostra a fragilidade desse apoio. Entre os independentes, 26% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam em um segundo turno entre Lula e Flávio. Outros 7% permanecem indecisos.
A leitura mais prudente é que Lula possui vantagem comparativa nesse segmento, mas ainda enfrenta resistência significativa. Uma parcela relevante desses eleitores não está convencida por nenhum dos dois polos.
Lula é conhecido e rejeitado por 50% dos entrevistados. Outros 47% afirmam que o conhecem e poderiam votar nele. Flávio Bolsonaro enfrenta rejeição maior, de 57%, enquanto 38% dizem que poderiam apoiá-lo.
Os demais nomes têm rejeição menor, mas também são menos conhecidos. A Quaest aponta que 44% não conhecem Ronaldo Caiado, 50% não conhecem Romeu Zema e 77% não conhecem Renan Santos.
Isso produz uma vantagem estrutural para Lula. O presidente enfrenta desgaste elevado, mas concorre contra um adversário principal ainda mais rejeitado e contra alternativas que não alcançaram conhecimento nacional suficiente.
Essa é uma análise baseada nos dados disponíveis, não uma previsão. O início da propaganda eleitoral tende a elevar o conhecimento dos concorrentes e pode alterar tanto o potencial de voto quanto a rejeição.
A maioria afirma que Lula não merece continuar desde agosto de 2025, início da série apresentada pela Quaest.
Em setembro daquele ano, a distância chegou a 24 pontos, com 61% respondendo que Lula não merecia outro mandato e 37% dizendo que merecia. Em março e abril de 2026, a diferença ainda superava 20 pontos.
O intervalo caiu para 14 pontos em maio e junho. Agora, está em seis pontos, com 51% contra 45%, o menor resultado da série.
A movimentação acompanha a melhora na aprovação do governo. Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação de Lula ficou numericamente acima da desaprovação: 48% aprovam o trabalho do presidente e 47% desaprovam. Outros 5% não responderam.
Aprovação, avaliação de mérito para um novo mandato e intenção de voto são indicadores relacionados, mas não equivalentes.
Para Lula, o levantamento oferece uma vantagem eleitoral, mas também um alerta. O presidente lidera porque reúne uma base consolidada, tem menor rejeição que Flávio Bolsonaro e permanece à frente entre os independentes. Ainda assim, a maioria não concede, neste momento, um aval explícito à continuidade.
O desafio político do governo será transformar um voto comparativo, muitas vezes motivado pela rejeição ao adversário, em apoio positivo ao seu programa, às políticas públicas e aos resultados econômicos e sociais.
Para a oposição, o problema é duplo. Flávio Bolsonaro concentra a maior parte do eleitorado de direita, mas sua rejeição limita o crescimento. Os demais nomes têm rejeições menores, porém continuam desconhecidos por parcelas expressivas da população.
A pesquisa mostra que descontentamento e voto não caminham automaticamente na mesma direção.
Uma maioria pode desejar mudança e, ainda assim, não identificar uma alternativa considerada mais segura, conhecida ou competitiva. Também pode preferir manter o atual presidente diante de um adversário que rejeita ainda mais.
Esse cenário torna os eleitores independentes e os que hoje declaram voto branco, nulo ou indecisão centrais para a campanha. São segmentos menos vinculados às bases ideológicas e mais sujeitos à avaliação de propostas, resultados e acontecimentos da conjuntura.
O que acontece agora
A pesquisa foi divulgada antes da formalização das candidaturas. As convenções partidárias serão realizadas entre segunda (20) e 5 de agosto. Os partidos terão até 15 de agosto para registrar seus candidatos na Justiça Eleitoral.
A propaganda eleitoral geral começa em 16 de agosto. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Até lá, os índices poderão mudar com a definição das chapas, o horário eleitoral, os debates, a exposição dos candidatos e a evolução da avaliação do governo.
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Mateus Ayres é jornalista e analista político, com atuação em política nacional, internacional e análise de conjuntura. Em O estopim, acompanha o poder público sob a perspectiva da justiça social, do interesse público e do rigor documental.
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