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Nota do governo Lula atribui peso político aos Bolsonaro, mas documento formal dos EUA apresenta justificativas comerciais mais amplas.


Por Raul Silva para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

16 de julho de 2026 | Análise política



Nota do governo brasileiro sobre tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos do Brasil
Nota do governo brasileiro sobre tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos do Brasil | Foto: Raul Silva/Montagem e Design/Agência O estopim+

Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre parte relevante dos produtos brasileiros, com cobrança prevista a partir de 22 de julho. Na reação, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva acusou a família Bolsonaro de colaborar com a construção do conflito. O documento oficial norte-americano, porém, fundamenta a medida em disputas comerciais e regulatórias, sem atribuir formalmente a decisão aos Bolsonaro. Essa diferença separa a responsabilidade política da comprovação de uma responsabilidade exclusiva.


A tarifa dos EUA foi adotada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o órgão, a investigação durou um ano e tratou de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.


A determinação formal estabelece uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções. Café, carne bovina, laranja, suco de laranja, determinados produtos energéticos, aeronaves e componentes aeroespaciais estão entre os itens poupados. Açúcar, máquinas, vestuário, papel, equipamentos elétricos e produtos siderúrgicos aparecem entre os setores atingidos.


O USTR afirma que foram realizadas negociações com o Brasil, duas audiências públicas e a análise de mais de 360 manifestações. A posição norte-americana é que as conversas não produziram mudanças suficientes nas políticas questionadas. O governo brasileiro contesta essa versão e sustenta que apresentou documentos para rebater as alegações.


As exceções revelam também os limites políticos do tarifaço. Ao poupar mercadorias consideradas importantes para o abastecimento e para os preços internos, Washington reduziu parte do impacto que a própria medida poderia causar aos consumidores e às empresas dos Estados Unidos. O ato norte-americano reconhece expressamente riscos de desabastecimento, aumento de preços e desorganização das cadeias produtivas.


A Secretaria de Comunicação Social da Presidência classifica 15 de julho como um marco negativo nas relações entre os dois países. A nota afirma que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil durante 15 anos.



O governo também declara que, em 2025, 76% das importações brasileiras originárias dos Estados Unidos não pagaram imposto de importação e que a alíquota média efetivamente cobrada foi de 3,1%. Esses números são apresentados pela Presidência e devem ser tratados jornalisticamente como dados alegados pelo governo brasileiro.


A nota rejeita os questionamentos contra o Pix, a regulação das plataformas digitais e as políticas ambientais brasileiras. Também afirma que 63 de 78 intervenções de representantes empresariais nas audiências promovidas pelo USTR foram contrárias à imposição das tarifas.


A parte politicamente mais contundente aparece no encerramento. O governo diz que o resultado da investigação integra um processo construído com a “ativa colaboração da família


A acusação do governo Lula não surge em um vazio histórico.


Em 2025, Donald Trump havia usado uma tarifa anterior de 50% para protestar contra o processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro. Naquele momento, o conflito comercial foi apresentado pela própria Casa Branca como instrumento de pressão política relacionado à situação do ex-presidente brasileiro.


Esse precedente pesa contra a família Bolsonaro. A estratégia de aproximação com o governo Trump, acompanhada de pedidos de sanções e críticas às instituições brasileiras feitas no exterior, criou a percepção de que disputas políticas internas estavam sendo transferidas para Washington.


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O custo político não depende apenas de provar que um integrante da família redigiu ou solicitou a nova tarifa. Ele nasce da associação construída ao longo do tempo entre o bolsonarismo, o governo Trump e o uso de pressões externas contra autoridades e políticas brasileiras.


Nesse sentido, a família Bolsonaro tem uma conta política concreta. Ela decorre da escolha de buscar apoio internacional para pressionar adversários e instituições do próprio país.


A análise muda quando a pergunta deixa de ser política e passa a ser documental.


O ato final do USTR não apresenta Jair, Eduardo, Flávio, Carlos ou outro integrante da família Bolsonaro como fundamento jurídico da tarifa de 25%. A decisão cita políticas comerciais, ambientais, digitais e regulatórias do Estado brasileiro.


Também precisa ser registrado que Flávio Bolsonaro compareceu ao processo público do USTR para se opor à tarifa. Em sua manifestação, defendeu o Pix e afirmou que a taxação prejudicaria produtores e consumidores dos dois países.


A ida a Washington pode ser interpretada como tentativa de reduzir um desgaste eleitoral já instalado. Ainda assim, a manifestação existe e precisa integrar o contraditório. Ignorá-la transformaria análise em propaganda.


A conclusão sustentada pelos documentos disponíveis é mais precisa: os Bolsonaro contribuíram para criar um ambiente de pressão política internacional contra o Brasil, mas não há prova documental de que sejam os únicos responsáveis pela nova decisão comercial.


A controvérsia já chegou à opinião pública.


Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 16 de julho, mostra que 51% dos entrevistados concordam mais com a versão de Lula, segundo a qual Flávio Bolsonaro tem responsabilidade pelo tarifaço. Outros 30% concordam com a versão do senador, que afirma ter pedido aos Estados Unidos que não taxassem o país.


O levantamento ouviu 2.004 pessoas, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Segundo a pesquisa, 63% acreditam que as tarifas podem prejudicar a própria vida ou a de familiares.


Esse dado mostra onde está o maior risco para o bolsonarismo. Quando a disputa deixa o terreno abstrato da diplomacia e passa a ser relacionada a empregos, renda, exportações e atividade industrial, o alinhamento com Trump pode deixar de ser visto como afinidade ideológica e passar a ser entendido como custo econômico.


Lula tenta transformar essa percepção em um confronto entre soberania nacional e interesses familiares. Flávio tenta separar sua candidatura do tarifaço, ao mesmo tempo em que preserva a relação política com Trump. É uma equação difícil.


Tarifas de importação são cobradas, inicialmente, de quem importa a mercadoria nos Estados Unidos. O efeito, porém, pode retornar ao Brasil por diferentes caminhos.


Empresas norte-americanas podem reduzir pedidos, pressionar fornecedores brasileiros por preços menores ou buscar produtos em outros países. Exportadores podem perder margem de lucro, adiar investimentos e reduzir produção. Trabalhadores de cadeias industriais e agrícolas podem ser atingidos caso a demanda diminua.


As exceções concedidas a café, carne, energia e aeronaves reduzem parte do dano imediato. Mesmo assim, o alcance da tarifa sobre milhares de mercadorias mantém o risco para setores industriais, produtores regionais e municípios dependentes das exportações.


O que acontece agora?


O governo brasileiro anunciou que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e que levará a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.


A Lei nº 15.122, sancionada em abril de 2025, autoriza o Brasil a adotar contramedidas diante de ações comerciais unilaterais que prejudiquem a competitividade do país. A resposta pode envolver concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual.


Antes de retaliar, o governo terá de avaliar quais setores seriam protegidos e quais poderiam sofrer novos prejuízos. Uma guerra tarifária sem cálculo pode ampliar o dano que pretende combater.


A partir de 22 de julho, três frentes deverão ser acompanhadas: eventuais negociações para ampliar as exceções, a aplicação da Lei de Reciprocidade e os efeitos concretos sobre exportações, produção e empregos.


Politicamente, a conta dos Bolsonaro existe e pode crescer durante a campanha eleitoral. Documentalmente, entretanto, ela não pode ser apresentada como explicação única para uma decisão que o governo dos Estados Unidos estruturou sobre uma investigação comercial mais ampla.


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Raul Silva é jornalista, escritor, professor e produtor de conteúdo do portal O estopim. Atua na análise de política, comunicação, cultura, tecnologia e temas de interesse público.

Senadora de Pernambuco afirma que derrubada do veto ao PL 2.162/2023 beneficia diretamente Jair Bolsonaro e reacende disputa entre Congresso, governo e Supremo sobre os crimes contra a democracia


Por Raul Silva para O estopim | 2 de maio de 2026



Mulher fala em pódio no Senado, com microfones e bandeira do Brasil ao fundo. Ela usa óculos e veste roupa escura. Cena formal.
A senadora Teresa Leitão discursa em plenário do Senado | Jefferson Rudy/Agência Senado

O estopim da nova crise institucional em Brasília foi a derrubada, pelo Congresso Nacional, do veto total do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado PL da Dosimetria, o Projeto de Lei 2.162/2023. Em vídeo publicado em suas redes sociais, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) fez uma crítica frontal à votação e afirmou que a proposta foi pensada e aprovada para beneficiar uma pessoa específica: Jair Bolsonaro, pai do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).


A fala da parlamentar pernambucana se insere num embate que já ultrapassou a fronteira da técnica penal. O que está em disputa não é apenas a forma de calcular penas ou o ritmo de progressão de regime. O conflito envolve a memória política dos atos de 8 de janeiro de 2023, a autoridade das decisões do Supremo Tribunal Federal, a capacidade do Executivo de conter derrotas no Congresso e a tentativa do bolsonarismo de reorganizar sua força institucional às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.


A senadora sustentou que a tramitação do veto teve caráter excepcional. Segundo Teresa, o projeto entrou como um “paraquedista” na pauta, embora houvesse outros vetos aguardando análise. Ela também afirmou que a condução da Mesa do Congresso inicialmente permitia efeitos mais amplos do texto, inclusive sobre crimes hediondos e organizações criminosas, antes de parte desses dispositivos ser considerada prejudicada durante a sessão.


“Foi um paraquedista”, afirmou a senadora, ao criticar a prioridade dada à matéria. Em outro ponto, Teresa foi mais direta ao apontar o alvo político da proposta: na avaliação dela, a dosimetria aprovada tem “direção única” e mira Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo no processo da trama golpista.


O Congresso derrubou o veto presidencial em 30 de abril de 2026. Na Câmara dos Deputados, foram 318 votos contra o veto, 144 a favor da manutenção e 5 abstenções. No Senado Federal, o placar foi de 49 votos pela rejeição do veto e 24 pela manutenção. Com isso, o texto vetado seguirá para promulgação pelo próprio Congresso, ressalvados os dispositivos considerados prejudicados pela Presidência da Mesa.


O PL da Dosimetria altera trechos da Lei de Execução Penal e do Código Penal. Embora o texto tenha uma redação geral, sua repercussão política está diretamente ligada aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado. Entre os possíveis beneficiados está Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão.


A decisão do Congresso não produz, por si só, a revisão automática das penas. Após a promulgação, defesas de condenados poderão pedir a aplicação da nova lei ao Supremo ou ao juízo responsável pela execução penal. Do outro lado, o PT e setores do governo avaliam levar o caso ao STF para questionar a constitucionalidade da norma e o procedimento adotado na derrubada do veto.


A fala de Teresa Leitão tem dois eixos. O primeiro é jurídico e procedimental: a senadora questiona a forma como a votação foi conduzida. O segundo é político: ela acusa a maioria parlamentar de usar uma regra penal de aparência geral para atingir um objetivo concreto, a redução do impacto da condenação de Bolsonaro.


Segundo a senadora, a proposta não nasceu como uma reforma ampla, debatida com calma, audiências públicas e estudo de impacto sobre o sistema prisional. Pelo contrário, apareceu no centro da pauta em meio a uma disputa política intensa, com pressão direta de setores bolsonaristas para reduzir as penas dos condenados pela tentativa de ruptura institucional.


Na visão de Teresa, mesmo depois de a Mesa retirar trechos que poderiam alcançar criminosos comuns, como condenados por crimes hediondos e organizações de facções, o problema central permaneceu. Para ela, a lei continuou carregando uma finalidade específica: aliviar a situação penal do ex-presidente.


Essa crítica toca num ponto sensível da teoria democrática. Leis devem ser gerais, impessoais e orientadas pelo interesse público. Quando uma maioria parlamentar aprova uma norma com destinatário político identificável, a pergunta deixa de ser apenas penal e passa a ser republicana: o Congresso está legislando para o país ou para um grupo de aliados?


Homem de terno observa painel eletrônico verde com textos em amarelo. Ambiente de plenário, ar sério, papéis sobre a mesa.
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, durante a sessão que derrubou o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Parlamentares favoráveis ao PL da Dosimetria afirmam que a proposta corrige excessos nas condenações e busca responder a penas consideradas desproporcionais. A oposição bolsonarista e parte do Centrão sustentam que muitos réus do 8 de janeiro receberam punições altas demais para condutas praticadas num mesmo contexto fático.


Esse argumento encontrou eco em setores que defendem “pacificação” política. Para esse campo, a dosimetria não seria anistia, mas apenas ajuste técnico para evitar que crimes derivados de um mesmo episódio se somem de modo excessivo. A diferença, porém, é que a anistia declara perdão político, enquanto a dosimetria altera o cálculo da pena. Na prática política, a distinção pode ser menos nítida do que parece no papel.


Críticos do projeto, como Teresa Leitão, dizem que a proposta funciona como anistia indireta. O raciocínio é simples: se a lei reduz substancialmente o tempo de pena dos condenados por tentativa de golpe, ela enfraquece o efeito pedagógico e institucional das decisões judiciais que responsabilizaram os ataques à democracia.


A derrubada do veto é também uma derrota política para Lula. O presidente havia vetado integralmente o texto em janeiro de 2026 sob o argumento de inconstitucionalidade e contrariedade ao interesse público. Ao derrubar o veto, o Congresso impôs sua maioria e deixou claro que a correlação de forças em Brasília está mais favorável ao bloco conservador e ao Centrão do que ao Palácio do Planalto.


O gesto parlamentar, porém, não encerra a disputa. Ao contrário, desloca o conflito para o Supremo. Como as condenações dos principais envolvidos na trama golpista foram impostas pelo STF, caberá à Corte decidir, se provocada, até onde uma nova lei pode interferir nos efeitos práticos dessas condenações.


Essa é a arena mais delicada. De um lado, o Congresso tem competência para legislar em matéria penal. De outro, a Constituição impõe limites ao uso da lei quando há desvio de finalidade, violação da separação de poderes ou tentativa de neutralizar decisões judiciais por meio de casuísmo legislativo.


Estátua de justiça em frente a um moderno edifício de vidro e concreto sob céu azul claro. Sensação de formalidade e tranquilidade.
Acervo arquivístico do STF | Fonte: Site oficial do CNJ

A fala de Teresa Leitão também expõe uma estratégia mais ampla do bolsonarismo. Desde a condenação de Jair Bolsonaro, seus aliados vêm buscando três caminhos simultâneos: a narrativa de perseguição política, a reorganização eleitoral em torno de Flávio Bolsonaro e a tentativa legislativa de reduzir os efeitos jurídicos da punição.


A dosimetria se encaixa nesse terceiro eixo. Ela não absolve Bolsonaro, mas pode diminuir sua pena e antecipar benefícios na execução penal. Politicamente, isso permite ao bolsonarismo apresentar a derrubada do veto como vitória, sem assumir formalmente a impopularidade de uma anistia plena aos responsáveis pela tentativa de golpe.


É nessa fresta que Teresa Leitão finca sua crítica. Para ela, o nome técnico do projeto encobre uma operação política. “Dosimetria” soa como cálculo jurídico, mas, na leitura da senadora, o que está em curso é uma disputa sobre impunidade, memória democrática e força institucional da extrema direita.


A intervenção de Teresa Leitão carrega também um significado regional. Primeira mulher eleita senadora por Pernambuco, ela fala a partir de um estado que tem tradição de participação política intensa e memória viva de lutas democráticas. Ao se posicionar contra o PL da Dosimetria, a parlamentar busca associar Pernambuco ao campo de defesa institucional, numa conjuntura em que o Nordeste permanece como base estratégica do lulismo e alvo permanente da disputa simbólica nacional.


Não se trata apenas de uma fala partidária. É uma tentativa de marcar posição num debate em que o vocabulário jurídico muitas vezes esconde o conflito real. A pergunta que atravessa o episódio é direta: como uma democracia deve tratar quem tentou destruí-la?


Com a derrubada do veto, o próximo passo formal é a promulgação do texto pelo Congresso. Depois disso, a disputa deve seguir por dois caminhos. No campo jurídico, defesas de condenados podem pedir revisão de penas. No campo institucional, partidos contrários ao projeto devem acionar o STF para tentar barrar ou limitar os efeitos da nova regra.


No campo político, a votação fortalece o discurso bolsonarista de revanche e amplia a pressão sobre o governo Lula. Ao mesmo tempo, dá à esquerda um argumento poderoso para mobilizar sua base: a tese de que a maioria parlamentar está convertendo poder legislativo em instrumento de proteção de aliados condenados por atacar a democracia.


A fala de Teresa Leitão, não é apenas reação a uma votação. É um alerta sobre a qualidade republicana da lei. Num país que ainda tenta processar os traumas do 8 de janeiro e da Ditadura Militar, a dosimetria virou mais que um cálculo de pena. Virou um teste de memória institucional.


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Raul Silva é jornalista político sênior de O estopim, especialista em Ciência Política, instituições democráticas e relações entre poder, território e sociedade no Nordeste brasileiro.


Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Agência Brasil | domingo (15) de março de 2026


Fenaj, Abraji e Sindicato dos Jornalistas do DF cobram proteção a profissionais que atuam em frente ao Hospital DF Star.


Foto: Marcelo Camargo
Foto: Marcelo Camargo

Entidades que representam jornalistas brasileiros repudiaram as agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa que trabalham em frente ao Hospital DF Star, em Brasília, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13).


A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção aos profissionais que acompanham a movimentação no hospital.


Segundo a Abraji, os ataques começaram após uma influenciadora digital bolsonarista divulgar um vídeo em que acusa jornalistas que aparecem em imagens gravadas na porta da unidade hospitalar de desejarem a morte do ex-presidente. O conteúdo foi compartilhado por parlamentares e também pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem milhões de seguidores nas redes sociais.


Na avaliação da associação, a divulgação do vídeo, sem verificação prévia, foi irresponsável e expôs profissionais que estavam apenas exercendo o trabalho jornalístico a ameaças, ofensas e campanhas de difamação.


A Abraji informou ainda que as agressões não ficaram restritas ao ambiente digital. Pelo menos duas repórteres teriam sofrido ataques presenciais após serem reconhecidas na rua. Segundo a entidade, também passaram a circular montagens e vídeos produzidos com uso de inteligência artificial, incluindo simulações de violência contra uma jornalista, além da exposição de fotos de filhos e parentes de profissionais da imprensa como forma de intimidação.


Em nota conjunta, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembraram que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico. As entidades informaram que devem solicitar reforço da Polícia Militar em frente ao hospital para impedir agressões e cerceamento ao trabalho da imprensa.


As organizações também pediram apuração rigorosa das ameaças virtuais, identificação dos responsáveis e responsabilização dos autores. Além disso, cobraram das empresas jornalísticas apoio jurídico e condições de segurança para os trabalhadores escalados para a cobertura.


Internação


Bolsonaro está internado na UTI do Hospital DF Star tratando de uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Segundo boletim médico divulgado neste domingo, o quadro clínico é estável, com melhora da função renal, mas houve elevação de marcadores inflamatórios, levando os médicos a ampliar a dosagem de antibióticos.


Ainda não há previsão de alta da UTI. Após deixar o hospital, Bolsonaro deverá retornar à Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados.


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