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Por Raul Silva para O estopim | 21 de maio de 2026



Homem de terno azul e gravata, discursando em um microfone. Placa ao fundo: "PLENÁRIO 20 DE SETEMBRO". Ambiente sério e formal.
Deputado Federal Sérgio Turra (PP-RS) Progressistas do Rio Grande do Sul autor do texto que amplia a jornada de trabalho para 52h semanais | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um grupo de deputados federais de direita, do Centrão e da extrema-direita, protocolou na Câmara uma emenda à PEC 221/2019 que muda o eixo do debate sobre o fim da escala 6x1. Em vez de reduzir a jornada e ampliar o descanso semanal em prazo curto, o texto apresentado pelo deputado Sérgio Turra, do PP do Rio Grande do Sul, condiciona a mudança a uma lei complementar, empurra sua entrada em vigor para dez anos após a promulgação e cria uma brecha para jornadas de até 52 horas por semana. Na lista oficial de apoio, a emenda aparece com 176 assinaturas confirmadas, entre elas cinco de parlamentares de Pernambuco.


A movimentação ocorre no momento em que a Comissão Especial da Câmara discute a redução da jornada semanal e o rearranjo da escala de trabalho. O relator, deputado Leo Prates, ainda negocia o formato final do parecer, enquanto setores empresariais, partidos da oposição e legendas do Centrão pressionam por transição longa, exceções setoriais e compensações tributárias para empregadores.


A emenda de Sérgio Turra fixa, como regra geral, a jornada de até oito horas diárias e 40 horas semanais. Mas o próprio texto abre uma porta para que acordos individuais ou instrumentos coletivos elevem esse limite em mais 30%. Na prática, a conta leva o teto a 52 horas semanais.


O mesmo texto determina que atividades consideradas essenciais possam permanecer com jornada máxima de 44 horas semanais. A definição dessas áreas ficaria para uma lei complementar. Entre os setores que poderiam ser enquadrados nessa categoria estão os ligados à preservação da vida, da saúde, da segurança, da mobilidade, do abastecimento, da ordem pública e da continuidade de infraestruturas críticas.


Outro ponto central da proposta é o calendário. A emenda estabelece que a mudança constitucional só entre em vigor dez anos depois da publicação. Além disso, condiciona a implementação do novo limite semanal à aprovação prévia de uma lei complementar que organizaria o cronograma de transição, regras setoriais, mecanismos de avaliação de impacto, metas de produtividade e critérios fiscais.


A proposta também inclui um pacote de compensações para empregadores. Entre elas está a redução de 50% da alíquota da contribuição para o FGTS, o que derrubaria o recolhimento de 8% para 4%. O texto ainda prevê imunidade temporária e escalonada de contribuição social sobre novos vínculos empregatícios formalizados por causa da redução da jornada, além de incentivos tributários para empresas.


A inclusão desse capítulo deslocou o centro do debate. O que começou como uma discussão sobre redução da jornada e reorganização do descanso semanal passou a incorporar renúncia de arrecadação, condicionantes econômicos e margem ampliada para negociação individual.


A PEC 221/2019, que já tramitava antes da atual onda de pressão social pelo fim da escala 6x1, previa reduzir a jornada para 36 horas semanais em dez anos. Já a PEC 8/2025, apresentada por Erika Hilton e outros deputados, propõe quatro dias de trabalho por semana, com prazo muito mais curto para adaptação.


No meio desse embate, a emenda assinada por 176 deputados não extingue de imediato a lógica do 6x1. Ao contrário. Ela preserva o regime atual até a edição de lei complementar, mantém exceções para atividades essenciais e cria margem constitucional para jornadas superiores ao novo teto de 40 horas.


A comissão especial adiou para 25 de maio a apresentação do parecer do relator. A votação do texto na comissão, segundo o cronograma informado publicamente, segue prevista para 26 de maio. Até lá, a negociação gira em torno de três pontos: prazo de transição, definição das categorias tratadas como essenciais e eventual compensação ao setor patronal.


Nos bastidores, a repercussão pública sobre a lista de apoio já produziu desgaste político. Ainda assim, a lista oficial da Câmara registra 176 apoios confirmados no documento de conferência de assinaturas relativo à Emenda nº 1 da PEC 221/2019.


Na conferência oficial de assinaturas da Câmara, cinco deputados federais de Pernambuco aparecem como apoiadores da emenda:


  • Pastor Eurico (PSDB-PE)

  • Augusto Coutinho (Republicanos-PE)

  • Clarissa Tércio (PP-PE)

  • Coronel Meira (PL-PE)


A lista abaixo reproduz os 176 nomes que constam no relatório de conferência de assinaturas da Câmara, relativo à Emenda nº 1 da PEC 221/2019, protocolada em 14 de maio de 2026:


  1. Sérgio Turra (PP-RS)

  2. Joaquim Passarinho (PL-PA)

  3. Alceu Moreira (MDB-RS)

  4. Afonso Hamm (PP-RS)

  5. Newton Cardoso Jr (MDB-MG)

  6. Alberto Fraga (PL-DF)

  7. Pedro Lupion (Republicanos-PR)

  8. Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)

  9. Any Ortiz (PP-RS)

  10. Ana Paula Leão (PP-MG)

  11. Cobalchini (MDB-SC)

  12. Pedro Westphalen (PP-RS)

  13. Capitão Alden (PL-BA)

  14. Juarez Costa (Republicanos-MT)

  15. Dr. Zacharias Calil (MDB-GO)

  16. Arthur Oliveira Maia (União Brasil-BA)

  17. Mauricio Marcon (PL-RS)

  18. Alexandre Guimarães (MDB-TO)

  19. Fernanda Pessoa (PSD-CE)

  20. Rafael Simões (União Brasil-MG)

  21. General Girão (PL-RN)

  22. Coronel Ulysses (União Brasil-AC)

  23. Mauricio do Vôlei (PL-MG)

  24. Henderson Pinto (União Brasil-PA)

  25. Sergio Souza (MDB-PR)

  26. Lucio Mosquini (PL-RO)

  27. Tião Medeiros (PP-PR)

  28. José Rocha (União Brasil-BA)

  29. Jorge Goetten (Republicanos-SC)

  30. Vitor Lippi (PSD-SP)

  31. Pastor Eurico (PSDB-PE)

  32. Daniela Reinehr (PL-SC)

  33. Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES)

  34. Caroline de Toni (PL-SC)

  35. Daniel Freitas (PL-SC)

  36. Rodrigo Valadares (PL-SE)

  37. Pezenti (MDB-SC)

  38. Dr. Flávio (PL-RJ)

  39. Messias Donato (União Brasil-ES)

  40. Dr. Luiz Ovando (PP-MS)

  41. Adilson Barroso (PL-SP)

  42. Augusto Coutinho (Republicanos-PE)

  43. Luisa Canziani (União Brasil-PR)

  44. Sanderson (PL-RS)

  45. Célio Silveira (MDB-GO)

  46. Toninho Wandscheer (PP-PR)

  47. Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR)

  48. Pastor Diniz (União Brasil-RR)

  49. Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)

  50. Nicoletti (PL-RR)

  51. Julia Zanatta (PL-SC)

  52. Coronel Chrisóstomo (PL-RO)

  53. Chris Tonietto (PL-RJ)

  54. Roberta Roma (PL-BA)

  55. Da Vitoria (PP-ES)

  56. Felipe Francischini (Podemos-PR)

  57. Beto Pereira (Republicanos-MS)

  58. Zé Vitor (PL-MG)

  59. Greyce Elias (PL-MG)

  60. Lafayette de Andrada (PL-MG)

  61. Padovani (PP-PR)

  62. Marcos Pollon (PL-MS)

  63. Josivaldo JP (União Brasil-MA)

  64. Bibo Nunes (PL-RS)

  65. Rodrigo da Zaeli (PL-MT)

  66. Rodolfo Nogueira (PL-MS)

  67. Dilceu Sperafico (PP-PR)

  68. Luiz Nishimori (PSD-PR)

  69. Luiz Carlos Busato (União Brasil-RS)

  70. Giovani Cherini (PL-RS)

  71. Nelson Barbudo (Podemos-MT)

  72. Zezinho Barbary (PP-AC)

  73. Bia Kicis (PL-DF)

  74. Aluisio Mendes (Republicanos-MA)

  75. Fausto Jr. (União Brasil-AM)

  76. Julio Lopes (PP-RJ)

  77. José Nelto (União Brasil-GO)

  78. Domingos Sávio (PL-MG)

  79. Marangoni (Podemos-SP)

  80. Junio Amaral (PL-MG)

  81. Marussa Boldrin (Republicanos-GO)

  82. Luiz Lima (Novo-RJ)

  83. Clarissa Tércio (PP-PE)

  84. Zé Trovão (PL-SC)

  85. Geovania de Sá (Republicanos-SC)

  86. Márcio Honaiser (Solidariedade-MA)

  87. Coronel Meira (PL-PE)

  88. João Carlos Bacelar (PL-BA)

  89. Zé Adriano (PP-AC)

  90. Simone Marquetto (PP-SP)

  91. Celso Russomanno (Republicanos-SP)

  92. Eli Borges (Republicanos-TO)

  93. Rosângela Reis (PL-MG)

  94. Marcelo Moraes (PL-RS)

  95. Ismael (PL-SC)

  96. Daniel Agrobom (PSD-GO)

  97. Gustavo Gayer (PL-GO)

  98. Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG)

  99. Adriana Ventura (Novo-SP)

  100. Cabo Gilberto Silva (PL-PB)

  101. Mário Heringer (PDT-MG)

  102. Geraldo Mendes (União Brasil-PR)

  103. Paulo Litro (União Brasil-PR)

  104. Gilson Marques (Novo-SC)

  105. Antonio Andrade (PSDB-TO)

  106. Beto Richa (PSDB-PR)

  107. Carlos Jordy (PL-RJ)

  108. AJ Albuquerque (PP-CE)

  109. Danilo Forte (PP-CE)

  110. Vermelho (PL-PR)

  111. Paulo Azi (União Brasil-BA)

  112. Diego Coronel (Republicanos-BA)

  113. José Medeiros (PL-MT)

  114. Arnaldo Jardim (Cidadania-SP)

  115. Dr. Ismael Alexandrino (PSD-GO)

  116. Hugo Leal (PSD-RJ)

  117. Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG)

  118. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

  119. Magda Mofatto (PL-GO)

  120. Sargento Gonçalves (PL-RN)

  121. Marcel van Hattem (Novo-RS)

  122. Filipe Martins (PL-TO)

  123. Carlos Chiodini (MDB-SC)

  124. Laura Carneiro (PSD-RJ)

  125. Ricardo Salles (Novo-SP)

  126. Roberto Duarte (Republicanos-AC)

  127. Max Lemos (PDT-RJ)

  128. Hildo Rocha (MDB-MA)

  129. Coronel Fernanda (PL-MT)

  130. Pinheirinho (PP-MG)

  131. Murillo Gouvea (PSDB-RJ)

  132. Meire Serafim (União Brasil-AC)

  133. Luciano Vieira (PSDB-RJ)

  134. Pr. Marco Feliciano (PL-SP)

  135. Lucas Redecker (PSD-RS)

  136. Lincoln Portela (PL-MG)

  137. Gilberto Abramo (Republicanos-MG)

  138. Átila Lira (PP-PI)

  139. Bebeto (PP-RJ)

  140. Osmar Terra (PL-RS)

  141. Amaro Neto (PP-ES)

  142. Adriano do Baldy (PP-GO)

  143. Dr. Fernando Máximo (PL-RO)

  144. Missionário José Olimpio (PL-SP)

  145. Jorge Braz (Republicanos-RJ)

  146. Julio Arcoverde (PP-PI)

  147. Franciane Bayer (Republicanos-RS)

  148. Mauricio Neves (PP-SP)

  149. Delegado Fabio Costa (PP-AL)

  150. João Maia (PP-RN)

  151. Vinicius Carvalho (PL-SP)

  152. Luiz Fernando Faria (União Brasil-MG)

  153. Mario Frias (PL-SP)

  154. Thiago Flores (União Brasil-RO)

  155. Daniela do Waguinho (Republicanos-RJ)

  156. Zé Silva (União Brasil-MG)

  157. Dr. Jaziel (PL-CE)

  158. Glaustin da Fokus (Podemos-GO)

  159. Doutor Luizinho (PP-RJ)

  160. Aline Gurgel (União Brasil-AP)

  161. Claudio Cajado (PP-BA)

  162. Rosangela Moro (PL-SP)

  163. Rafael Fera (Podemos-RO)

  164. Eunício Oliveira (MDB-CE)

  165. Sargento Fahur (PL-PR)

  166. Diego Andrade (PSD-MG)

  167. Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE)

  168. Ricardo Guidi (PL-SC)

  169. Luiz Gastão (PSD-CE)

  170. Fabio Garcia (União Brasil-MT)

  171. Jefferson Campos (PL-SP)

  172. Gustinho Ribeiro (PP-SE)

  173. Nikolas Ferreira (PL-MG)

  174. Renata Abreu (Podemos-SP)

  175. Fabio Schiochet (União Brasil-SC)

  176. Baleia Rossi (MDB-SP)



No discurso público, a emenda foi apresentada por seus defensores como saída de transição e adaptação econômica. Na prática legislativa, ela funciona como um freio ao modelo de redução mais rápida da jornada. Mantém o regime atual, amplia a margem de negociação, preserva setores em 44 horas e joga a implementação para depois de uma lei complementar e de um prazo de dez anos.


Para a bancada pernambucana, a assinatura dos cinco deputados coloca o estado dentro do núcleo de apoio a uma proposta que reescreve o debate nacional sobre trabalho, descanso e custo da transição. O centro da disputa deixou de ser apenas o fim da escala 6x1. Passou a ser também quem paga a conta, quando a mudança começa e qual margem o Congresso dará para manter jornadas longas sob novo texto constitucional.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, cotidiano e temas de interesse público com foco em apuração, contexto e impacto social.


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