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Por Clara Mendes da Redação de O estopim | 25 de janeiro de 2026


Protagonista do longa rodado no Recife e dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho destaca a força da trama; produção soma quatro indicações históricas à premiação máxima do cinema.


O ator Wagner Moura afirmou, em entrevista recente à CNN Brasil, que a dimensão do sucesso de “O Agente Secreto” e suas chances reais no Oscar ficaram evidentes ainda durante a estreia mundial do filme na França. Segundo o artista baiano, a reação efusiva do público e da crítica no Festival de Cannes de 2025 — onde a produção foi ovacionada por 13 minutos e garantiu prêmios de Melhor Ator e Direção — serviu como um termômetro preciso para a campanha que culminou, na última quinta-feira (22), nas indicações a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator.


Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura no set de "O Agente Secreto"  | Foto: Laura Castor
Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura no set de "O Agente Secreto"  | Foto: Laura Castor

“Vi em Cannes que poderíamos ir ao Oscar”, disse Moura, ao analisar a trajetória da obra. O ator interpreta Marcelo, um professor universitário que foge de São Paulo para o Recife em 1977, durante a ditadura militar, tentando escapar de um passado misterioso enquanto lida com as tensões políticas e lendas urbanas da capital pernambucana.


Para o protagonista, a universalidade da história, mesmo sendo profundamente enraizada na cultura local, foi o que cativou o júri internacional. “É um filme muito brasileiro, mas que não tem medo de dialogar com o cinema mundial”, completou o ator, reforçando a visão do diretor Kleber Mendonça Filho.


As filmagens, que movimentaram a economia e o turismo de Pernambuco, utilizaram cenários icônicos do Recife, como o Cinema São Luiz, a Rua da Aurora e a Ponte Governador Paulo Guerra. A produção também incorporou elementos marcantes da cultura do estado, como o bloco carnavalesco Pitombeira dos Quatro Cantos e a lenda da "Perna Cabeluda", detalhes que agora ganham visibilidade global.


A repercussão já afeta a economia criativa local. Agências de turismo no Recife relatam aumento na procura por roteiros que visitam as locações do filme, um fenômeno que deve se intensificar até a cerimônia de entrega das estatuetas, marcada para 15 de março de 2026.


Esta é a consolidação de um ciclo de reconhecimento internacional para o cinema de Pernambuco, que nos últimos anos projetou obras como O Som ao Redor e Bacurau. “O Agente Secreto” tenta quebrar o jejum do Brasil na premiação, superando marcas de clássicos como Cidade de Deus e Central do Brasil.


Embora a cerimônia do Oscar ocorra em Los Angeles e as decisões de mercado passem pelo eixo Rio-São Paulo, a alma de “O Agente Secreto” é puramente nordestina. Para o cidadão de Arcoverde e do interior, o filme representa não apenas entretenimento, mas a exportação da identidade pernambucana — do sotaque à arquitetura — para a vitrine mais disputada do mundo, provando que as narrativas do Nordeste possuem força técnica e artística para competir de igual para igual com Hollywood.

 
 
 

Por Michael Andrade, da redação de O estopim | 22 de janeiro de 2026


Longa de Kleber Mendonça Filho concorre também em Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco, categoria que estreia nesta edição.


Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Lead: O anúncio dos indicados ao Oscar 2026 foi feito nesta quinta-feira (22), em Beverly Hills, e colocou o Brasil em evidência: “O Agente Secreto” recebeu quatro indicações, incluindo a principal categoria de Melhor Filme.


O filme de Kleber Mendonça Filho concorre ainda em Melhor Ator, com Wagner Moura, em Melhor Filme Internacional e na nova categoria de Melhor Direção de Elenco (casting), incorporada ao prêmio a partir da 98ª edição.


Na categoria de Melhor Filme Internacional, “O Agente Secreto” disputa a estatueta com “Foi Apenas um Acidente” (França), “Valor Sentimental” (Noruega), “Sirât” (Espanha) e “A Voz de Hind Rajab” (Tunísia).


Em Melhor Ator, Wagner Moura enfrenta nomes como Michael B. Jordan (“Sinners”), Ethan Hawke (“Blue Moon”), Leonardo DiCaprio (“One Battle After Another”) e Timothée Chalamet (“Marty Supreme”).


A cerimônia do Oscar 2026 está marcada para 15 de março, em Los Angeles.


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Por Raul Silva | Especial para O Estopim


Se 2025 foi o ano em que o mundo redescobriu o cinema brasileiro, 2026 começa com a confirmação de que viemos para ficar no topo. Na noite deste domingo (11), Wagner Moura tornou-se o primeiro ator latino-americano a vencer o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro, por sua interpretação devastadora em "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho.


Desbancando favoritos de Hollywood como Michael B. Jordan e Oscar Isaac, a vitória de Moura não é apenas um triunfo individual; é a legitimação de uma narrativa brasileira que ousa olhar para suas próprias feridas sem pedir licença.


Wagner Moura e seu Golo de Ouro de Melhor Ator de Drama | Foto: Reprodução
Wagner Moura e seu Golo de Ouro de Melhor Ator de Drama | Foto: Reprodução

A atuação: o peso do silêncio


Em "O Agente Secreto", Moura vive Marcelo, um professor universitário que chega ao Recife de 1977 tentando fugir de um passado misterioso, apenas para se ver cercado pela paranoia da Ditadura Militar. Diferente da explosão física que marcou seu Capitão Nascimento, aqui Moura entrega uma performance de contenção.


A crítica internacional, que já havia lhe concedido a palma de Melhor Ator em Cannes no ano passado, destacou sua capacidade de transmitir o terror do Estado de Exceção apenas com o olhar. É uma atuação construída nas entrelinhas, no medo do que não é dito — uma metáfora perfeita para o sufocamento da época.


Discurso político e ovacionado


Ao subir ao palco do Beverly Hilton, visivelmente emocionado, Wagner Moura fez questão de conectar o passado do filme ao presente. Em um discurso que misturou inglês e português, ele dedicou o prêmio à memória cultural do Brasil.


"Este prêmio pertence a Kleber Mendonça Filho, que filmou nossa história com a dignidade que ela merece. E pertence a todos os artistas brasileiros que, assim como meu personagem, recusaram-se a desaparecer. A arte é a única vigilância que aceitamos." — (Reconstrução jornalística do discurso).

Se 2025 foi o ano em que o mundo redescobriu o cinema brasileiro, 2026 começa com a confirmação de que viemos para ficar no topo. Na noite deste domingo (11), Wagner Moura tornou-se o primeiro ator latino-americano a vencer o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro, por sua interpretação devastadora em "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho.
Wagner Moura e seu Golo de Ouro de Melhor Ator de Drama | Foto: Reprodução

Pernambuco no centro do mundo


Para o leitor de O Estopim, é impossível ignorar a geografia dessa vitória. Wagner Moura, um baiano, foi consagrado vivendo uma história pernambucana, filmada nas ruas do Recife, sob a direção de um recifense. A vitória consolida o Nordeste não como um cenário "exótico", mas como o centro intelectual e criativo do cinema nacional contemporâneo.


A "dobradinha" de prêmios (Filme Estrangeiro e Ator) coloca "O Agente Secreto" em uma posição inédita para o Oscar. A Academia, que muitas vezes ignora atuações em língua não-inglesa nas categorias principais, agora se vê obrigada a olhar para Moura.


Vencer na categoria de Drama, e não apenas em categorias segregadas ou de comédia, coloca o ator brasileiro no mesmo patamar das lendas da indústria. Wagner Moura quebra hoje a última barreira que restava para os atores brasileiros no exterior: a de serem vistos como protagonistas universais, capazes de carregar o peso dramático de qualquer história.


O Brasil acordou hoje maior. E a nossa cultura, mais uma vez, provou ser nossa melhor embaixadora.


 
 
 
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