Wagner Moura faz história e leva o Globo de Ouro de Melhor Ator Dramático
- Raul Silva

- 12 de jan.
- 2 min de leitura
Por Raul Silva | Especial para O Estopim
Se 2025 foi o ano em que o mundo redescobriu o cinema brasileiro, 2026 começa com a confirmação de que viemos para ficar no topo. Na noite deste domingo (11), Wagner Moura tornou-se o primeiro ator latino-americano a vencer o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro, por sua interpretação devastadora em "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho.
Desbancando favoritos de Hollywood como Michael B. Jordan e Oscar Isaac, a vitória de Moura não é apenas um triunfo individual; é a legitimação de uma narrativa brasileira que ousa olhar para suas próprias feridas sem pedir licença.

A atuação: o peso do silêncio
Em "O Agente Secreto", Moura vive Marcelo, um professor universitário que chega ao Recife de 1977 tentando fugir de um passado misterioso, apenas para se ver cercado pela paranoia da Ditadura Militar. Diferente da explosão física que marcou seu Capitão Nascimento, aqui Moura entrega uma performance de contenção.
A crítica internacional, que já havia lhe concedido a palma de Melhor Ator em Cannes no ano passado, destacou sua capacidade de transmitir o terror do Estado de Exceção apenas com o olhar. É uma atuação construída nas entrelinhas, no medo do que não é dito — uma metáfora perfeita para o sufocamento da época.
Discurso político e ovacionado
Ao subir ao palco do Beverly Hilton, visivelmente emocionado, Wagner Moura fez questão de conectar o passado do filme ao presente. Em um discurso que misturou inglês e português, ele dedicou o prêmio à memória cultural do Brasil.
"Este prêmio pertence a Kleber Mendonça Filho, que filmou nossa história com a dignidade que ela merece. E pertence a todos os artistas brasileiros que, assim como meu personagem, recusaram-se a desaparecer. A arte é a única vigilância que aceitamos." — (Reconstrução jornalística do discurso).

Pernambuco no centro do mundo
Para o leitor de O Estopim, é impossível ignorar a geografia dessa vitória. Wagner Moura, um baiano, foi consagrado vivendo uma história pernambucana, filmada nas ruas do Recife, sob a direção de um recifense. A vitória consolida o Nordeste não como um cenário "exótico", mas como o centro intelectual e criativo do cinema nacional contemporâneo.
A "dobradinha" de prêmios (Filme Estrangeiro e Ator) coloca "O Agente Secreto" em uma posição inédita para o Oscar. A Academia, que muitas vezes ignora atuações em língua não-inglesa nas categorias principais, agora se vê obrigada a olhar para Moura.
Vencer na categoria de Drama, e não apenas em categorias segregadas ou de comédia, coloca o ator brasileiro no mesmo patamar das lendas da indústria. Wagner Moura quebra hoje a última barreira que restava para os atores brasileiros no exterior: a de serem vistos como protagonistas universais, capazes de carregar o peso dramático de qualquer história.
O Brasil acordou hoje maior. E a nossa cultura, mais uma vez, provou ser nossa melhor embaixadora.
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