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Pesquisa mostra 77% de voto definitivo em Lula, ante 62% em Flávio Bolsonaro; 37% dos eleitores do senador ainda admitem mudar.


Por Mateus Ayres para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

15 de julho de 2026



Quaest mostra que 77% dos eleitores de Lula consideram o voto definitivo, ante 62% entre os que escolhem Flávio Bolsonaro.
Quaest mostra que 77% dos eleitores de Lula consideram o voto definitivo, ante 62% entre os que escolhem Flávio Bolsonaro. | Foto: Reprodução/O Globo

A nova rodada nacional da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta (15), mostra que o voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está mais consolidado do que o do senador Flávio Bolsonaro entre os eleitores que já escolheram um nome para a eleição presidencial de 2026.


Entre os entrevistados que declaram voto em Lula, 77% afirmam que a escolha é definitiva e 23% dizem que ainda podem mudar. Entre os que escolhem Flávio Bolsonaro, 62% consideram o voto definitivo, enquanto 37% admitem rever a decisão. A diferença na firmeza das duas bases é de 15 pontos percentuais. O gráfico com o recorte por pré-candidato está na página 35 do relatório.


O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 120 municípios, entre 10 e 13 de julho. A margem de erro geral é estimada em dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026.


Os 77% não representam a parcela de todo o eleitorado que votará em Lula. O percentual considera apenas quem já declarou voto no presidente no cenário estimulado apresentado pela Quaest.


O indicador mede a firmeza interna de cada base. Ele permite avaliar quanto do eleitorado de um nome está decidido e quanto permanece vulnerável à campanha, aos debates, às alianças, à economia e a fatos novos.


Entre os eleitores de Lula, a parcela aberta à mudança é de 23%. No grupo de Flávio Bolsonaro, chega a 37%. Há ainda 1% que não soube ou não respondeu entre os entrevistados que escolheram o senador.


A margem de erro de dois pontos percentuais refere-se à amostra total. Ela não deve ser aplicada automaticamente aos grupos de eleitores de cada pré-candidato, que possuem bases menores. A página do relatório com esse cruzamento não apresenta as margens específicas dos subgrupos.


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A evolução desde abril reforça a diferença entre as duas bases. O voto definitivo em Lula passou de 65% em abril para 70% em maio, 71% em junho e 77% em julho.


Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice foi de 60% em abril, 66% em maio e 70% em junho. Em julho, recuou para 62%. No mesmo período, a parcela que admitia mudar o voto no senador subiu de 30% para 37%.


Considerando todos os entrevistados que indicaram algum nome, 65% afirmam atualmente que a escolha é definitiva e 35% dizem que podem mudar. Em março, os índices eram de 56% e 43%, respectivamente, segundo o gráfico da página 34.


A série sugere que Lula ampliou a fidelidade de sua base, enquanto Flávio perdeu parte da consolidação registrada no mês anterior. O levantamento, porém, não permite atribuir essa mudança a um único acontecimento.


No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado registra 4%, Renan Santos tem 3% e Romeu Zema, 2%. Os demais nomes somam 4%, enquanto 11% estão indecisos e 8% indicam voto branco, nulo ou que não pretendem votar.


Em uma eventual disputa de segundo turno, Lula marca 45% e Flávio Bolsonaro, 37%. Na rodada de junho, o placar era de 44% a 38%. A vantagem numérica do presidente passou de seis para oito pontos percentuais.


A consolidação da base não elimina outros obstáculos. Flávio Bolsonaro registra rejeição de 57%, enquanto Lula é rejeitado por 50% dos entrevistados. Os índices mostram que os dois principais nomes testados enfrentam limites para conquistar eleitores fora de seus grupos mais próximos.


O relatório não apresenta decisões internas, reuniões ou estratégias reservadas das pré-campanhas. Os números públicos, porém, indicam desafios diferentes.


Lula chega ao período das convenções com uma base mais firme, mas ainda precisa ampliar seu apoio para além do eleitorado já consolidado. Flávio Bolsonaro possui uma parcela maior de eleitores dispostos a mudar, o que aumenta simultaneamente o espaço para crescimento e o risco de perda de votos.


Trata-se de uma inferência política baseada nos dados, não de informação sobre medidas já decididas pelas equipes dos dois nomes.


Uma base consolidada tende a oferecer maior previsibilidade para a mobilização eleitoral. Ela ajuda partidos e campanhas a identificar onde precisam defender votos já conquistados e onde devem procurar novos apoios.


O retrato geral, contudo, ainda é de uma eleição em formação. Na pergunta espontânea, feita sem a apresentação de uma lista de nomes, 54% não indicam candidato. Lula é citado por 26% e Flávio Bolsonaro por 14%.


Esse contraste importa. As bases dos dois principais nomes podem estar adquirindo contornos mais definidos, mas uma parcela ampla da sociedade ainda não expressa preferência espontânea. A campanha oficial, os debates e as condições concretas de vida podem influenciar esse eleitorado.


As próximas rodadas precisarão mostrar se o avanço da consolidação do voto em Lula será mantido e se a queda registrada por Flávio Bolsonaro em julho representa uma oscilação pontual ou uma tendência.


Também será necessário observar se a maior firmeza da base do presidente se converterá em expansão entre os eleitores ainda sem candidato e se o senador conseguirá reduzir a parcela de apoiadores que admite mudar de voto.


O que acontece agora


As convenções partidárias serão realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. É nesse período que partidos e federações escolherão formalmente seus candidatos.


O prazo para o registro das candidaturas termina em 15 de agosto. A propaganda eleitoral geral começa em 16 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.


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Mateus Ayres é jornalista e analista político de O estopim. Cobre política nacional e internacional, análise de conjuntura e os impactos das decisões públicas sobre a justiça social, com rigor documental e compromisso com a democracia.


Pesquisa Genial/Quaest mostra que a disputa não é apenas sobre indicadores, mas sobre bolso, percepção e bloqueio político


Por Raul Silva para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

15 de julho de 2026



Pesquisa Genial/Quaest mostra que 51% dizem que Lula não merece mais quatro anos, mas o dado exige análise sobre bolso, Congresso e percepção.
Pesquisa Genial/Quaest mostra que 51% dizem que Lula não merece mais quatro anos, mas o dado exige análise sobre bolso, Congresso e percepção. | Ton Molina/Getty Images

A pesquisa Genial/Quaest de julho de 2026 mostra um paradoxo central para o governo Lula: 51% dos entrevistados dizem que o presidente não merece mais quatro anos, enquanto 45% afirmam que sim. O dado aparece em um cenário de melhora parcial na aprovação, empate entre avaliações positiva e negativa e avanço de políticas sociais e econômicas, mas também de forte percepção de perda no poder de compra, alimentos caros e dificuldade para transformar medidas de governo em sensação concreta de melhora. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de julho, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança.


O dado dos 51% não pode ser lido isoladamente. Na mesma rodada, a aprovação do governo Lula aparece em 48%, contra 47% de desaprovação. A avaliação positiva e a negativa estão empatadas em 36%, com 26% classificando o governo como regular. Ou seja, há desgaste, mas não colapso.


A tendência também importa. Em junho, 55% diziam que Lula não merecia mais quatro anos. Em julho, o índice caiu para 51%. O “sim” subiu de 41% para 45%. O governo segue pressionado, mas há movimento na margem.


A pergunta, portanto, não é apenas por que tanta gente rejeita mais um mandato. É por que uma parte do país reconhece entregas do governo e, ainda assim, não transforma isso em disposição de continuidade.


A explicação mais forte está na vida concreta. O Brasil pode ter bons indicadores em áreas importantes, mas a população mede governo no supermercado, no aluguel, na conta de luz, no emprego disponível e no cartão de crédito.


Segundo o IBGE, a taxa de desocupação ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026, abaixo dos 6,2% registrados no mesmo trimestre de 2025, e o rendimento real habitual chegou a R$ 3.726. O dado confirma um mercado de trabalho aquecido.


Mas a percepção captada pela Quaest vai em outra direção: 66% dizem que os alimentos subiram no último mês, 68% afirmam que o poder de compra está menor do que há um ano e 53% dizem que está mais difícil conseguir emprego hoje do que há 12 meses.


Esse choque entre indicador e sensação é decisivo. A política pública melhora o quadro geral, mas a inflação sentida no prato e o endividamento corroem a confiança antes que o ganho apareça como melhora de vida.


O governo tem entregas que dialogam com a base popular. A ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi sancionada em 2025, com descontos para rendas até R$ 7.350 e maior tributação sobre altas rendas.


Mesmo assim, na pesquisa, 65% dizem que não foram beneficiados pela nova isenção. Entre os que foram beneficiados, 39% afirmam não ter sentido diferença na renda e 35% dizem que a renda aumentou, mas não muito.


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Esse é o ponto político central: uma medida pode ser correta, progressiva e socialmente justa, mas não render apoio se não for percebida como mudança direta. A esquerda governa sob um desafio antigo, que é transformar política pública em experiência sentida.


A análise também passa pela correlação de forças. O governo Lula não governa com um Congresso naturalmente alinhado. A composição da Câmara mostra um bloco amplo de centro e centro-direita com 273 deputados, além de uma bancada do PL com 97 parlamentares, enquanto a Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV, aparece com 81 deputados.


Isso significa que cada avanço passa por negociação, concessão, atraso ou bloqueio. Para setores da esquerda, esse Congresso atua como inimigo das pautas populares porque segura medidas redistributivas, amplia barganhas e transfere custos políticos ao Executivo.


O problema é que a população, em geral, não separa responsabilidades institucionais. Quando uma promessa demora, chega menor ou não chega, a cobrança recai sobre o presidente. O Congresso bloqueia, mas quem paga a conta simbólica é o governo.


A pesquisa mostra que a rejeição a mais quatro anos de Lula é quase total no campo bolsonarista e muito alta entre eleitores de direita não bolsonarista. Entre bolsonaristas, 96% dizem que Lula não merece continuar. Entre eleitores de direita não bolsonarista, o índice é de 91%.


O dado mais importante está entre os independentes. Nesse grupo, 54% dizem que Lula não merece mais quatro anos e 38% dizem que merece. Houve melhora em relação às rodadas anteriores, mas o governo ainda perde no segmento que costuma decidir eleição.


Esse quadro mostra que o problema não está apenas na oposição organizada. Está também no eleitor que não se identifica com Lula nem com Bolsonaro e avalia o governo pela sensação de estabilidade, renda e futuro.


Outro fator é a disputa de narrativa. A Quaest mostra que 40% dizem ter visto notícias mais negativas sobre o governo Lula, contra 34% que dizem ter visto notícias mais positivas. As redes sociais e a TV seguem como fontes centrais de informação política.


Isso não significa que a percepção negativa seja fabricada do nada. Significa que problemas reais ganham interpretação política em um ambiente de comunicação fragmentada, com oposição ativa, desinformação, guerra cultural e baixa paciência social.


A direita disputa a frustração cotidiana com linguagem simples. A esquerda, muitas vezes, responde com dado técnico. O dado pode estar correto, mas nem sempre vence a experiência de quem sente que o dinheiro acaba antes do mês.


O que acontece agora


O resultado da Quaest não encerra a disputa de 2026. Ele mostra que Lula segue competitivo, mas com um alerta evidente: a aprovação do governo não basta se parte da população acha que a melhora não chegou à sua casa.


A tarefa política colocada ao campo progressista é dupla. De um lado, defender avanços concretos diante de um Congresso conservador e de uma oposição que trabalha pelo desgaste permanente. De outro, reconhecer que a população não vota apenas por balanço macroeconômico, mas pela sensação de dignidade, renda, comida, tempo livre e futuro.


Se o governo conseguir transformar entregas em percepção de melhora, o número dos 51% pode recuar. Se a vida continuar parecendo mais cara do que os anúncios oficiais sugerem, a pergunta sobre “merecer mais quatro anos” seguirá como o centro da eleição.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do portal O estopim. Atua com análise política, apuração de interesse público e jornalismo digital voltado à compreensão das causas e consequências dos fatos.


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