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Por Dante Montenegro | Editoria de Política


Em Pernambuco, a tensão entre o Palácio do Campo das Princesas e a Prefeitura do Recife transcendeu a retórica administrativa para atingir o núcleo duro do aparato estatal: a inteligência policial. A gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) enfrenta acusações de "arapongagem" contra Gustavo Monteiro, secretário de Articulação Política do prefeito João Campos (PSB). A resposta do governo, contudo, rejeita a narrativa de espionagem política e firma-se na doutrina da Verificação Preliminar de Informação (VPI). Para o Executivo estadual, não houve perseguição, mas o exercício legítimo do poder de polícia para auditar o uso de um ativo público — um veículo oficial — supostamente envolvido em práticas de corrupção.


Raquel Lyra e João Campos em conversa no Palácio do Campo das Princesas em Recife | Foto: Reprodução
Raquel Lyra e João Campos em conversa no Palácio do Campo das Princesas em Recife | Foto: Reprodução

O que a oposição classifica como "Abin Paralela", os estrategistas do governo tratam como Statecraft (arte de governar). A defesa da Secretaria de Defesa Social (SDS) repousa sobre uma tecnicidade jurídica crucial: a distinção entre a intimidade do cidadão e a publicidade do bem estatal.


  1. A Natureza do Alvo: O governo sustenta que o monitoramento não visava a pessoa do secretário, mas o veículo locado pela prefeitura, um bem público sujeito ao escrutínio administrativo. Ao focar no "carro oficial", a defesa tenta desarmar a tese de violação de privacidade que exigiria reserva de jurisdição (mandado judicial), equiparando o uso de rastreadores à tradicional "campana" policial em via pública.


  2. O Contra-Ataque Institucional: A narrativa governista inverte o ônus da prova. Ao arquivar a investigação por falta de materialidade, o governo argumenta que provou sua imparcialidade técnica: se o objetivo fosse político, provas teriam sido forjadas ou vazadas estrategicamente antes. O vazamento atual é reclassificado não como denúncia, mas como vendetta corporativa de um policial investigado por desvios, numa tentativa de desestabilizar o comando da segurança pública.


  3. Contenção de Danos: Diante das acusações de "milícia digital" operando no gabinete, a exoneração célere de assessores funcionou como um firewall, isolando a figura da governadora da crise e mantendo a narrativa de "compliance" rigoroso.


Este episódio é o "tiro de advertência" para a batalha eleitoral de 2026. A disputa pelo controle da narrativa de segurança e probidade é vital. O governo Raquel Lyra, ao bancar a legalidade da operação "Nova Missão", sinaliza que não abrirá mão do controle hierárquico das forças policiais, apesar da pressão dos sindicatos (Sinpol/Adeppe), que veem na crise uma oportunidade de alavancagem corporativa. Para Brasília e para o mercado, a mensagem é de que a gestão estadual está disposta a pagar o preço político para manter a prerrogativa de investigar, doa a quem doer, sob a bandeira do combate à corrupção.


O governo estadual aposta todas as fichas na tese da legalidade estrita da VPI para neutralizar a retórica de "ditadura" da oposição. Para sobreviver à guerra de narrativas e chegar competitivo em 2026, o Palácio deve blindar juridicamente suas operações de inteligência; do contrário, a linha tênue entre vigilância republicana e polícia política se tornará a arma favorita de seus adversários para corroer sua legitimidade institucional.


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Na terceira reportagem da série "Sob Escuta", revelamos como o Palácio do Campo das Princesas teria montado uma "milícia digital" para assassinar reputações, intimidar deputados e blindar a governadora Raquel Lyra das investigações sobre seus contratos bilionários.


Audio cover
Milícia Digital no Governo de Pernambuco???Resumo em Áudio gerado por IA Gemini - Com supervisão do Jornalismo de O estopim

Por Heitor Lemos Especialista em Sociedade e Comportamento Político | 29 de janeiro de 2026


Se nas ruas a vigilância se dava através de rastreadores clandestinos e arapongas, nas redes sociais a guerra assumiu uma face ainda mais covarde e industrial. A denúncia que estremece a política local aponta para a existência de uma estrutura coordenada, operada de dentro do próprio gabinete da governadora Raquel Lyra, dedicada a uma única função: destruir quem ousa questionar. Não estamos falando de militância espontânea ou de calorosos debates ideológicos. Estamos falando, segundo documentos oficiais e investigações legislativas, de uma milícia digital financiada com dinheiro do contribuinte pernambucano para espalhar desinformação, pânico moral e ódio contra adversários políticos.


Dani Portela alvo de fake news em relatórios supostamente forjados por ex-assessor de Raquel Lyra | Foto: Reprodução
Dani Portela alvo de fake news em relatórios supostamente forjados por ex-assessor de Raquel Lyra | Foto: Reprodução

O Gabinete do Ódio e a Indústria da Difamação


A tática não é nova, mas sua aplicação institucionalizada no governo de Pernambuco choca pela audácia. Enquanto Brasília ainda pune os responsáveis pelo "Gabinete do Ódio" federal, Pernambuco parece ter importado o know-how da destruição de reputações. O objetivo estratégico é claro: criar uma cortina de fumaça digital que impeça o cidadão de ver a realidade administrativa e, principalmente, de questionar para onde vão os recursos do Estado.


A operação dessa engrenagem coincide, não por acaso, com o momento de maior fragilidade da gestão. Quando a Assembleia Legislativa (Alepe) decidiu instalar a CPI do Bilhão para investigar os vultosos contratos de publicidade do governo, a máquina de ataque foi ligada na potência máxima. A comunicação estatal, que deveria servir para informar sobre vacinação ou obras, converteu-se em trincheira de guerrilha partidária.


OS JOGADORES E O MODUS OPERANDI


Para entender como essa máquina opera, é preciso dissecar seus protagonistas e métodos, que beiram o amadorismo criminoso.


O Operador na lan house


No centro do furacão está Manoel Pires Medeiros Neto. Jornalista e ocupante de cargos de altíssima confiança no gabinete da governadora, ele foi flagrado em uma situação digna de filmes de espionagem de baixo orçamento. A Superintendência de Inteligência Legislativa rastreou a origem de uma denúncia anônima e difamatória contra a deputada Dani Portela, autora do pedido da CPI. O rastro digital levou a uma lan house em um shopping do Recife. As câmeras de segurança não mentem: lá estava o assessor especial do governo, usando um computador público para tentar incriminar uma parlamentar eleita.


Manoel Pires Medeiros Neto apontado como um dos integrantes da milícia digital do gabinete da Governadora, no dia em que teria forjado relatórios sobre Dani Portela em lan house | Foto: Reprodução/Câmeras de Segurança
Manoel Pires Medeiros Neto apontado como um dos integrantes da milícia digital do gabinete da Governadora, no dia em que teria forjado relatórios sobre Dani Portela em lan house | Foto: Reprodução/Câmeras de Segurança

A vítima preferencial


Dani Portela não foi escolhida ao acaso. Mulher, negra e de oposição, ela cometeu o "crime" de exigir transparência sobre o contrato de R$ 1,2 bilhão em publicidade. A resposta do sistema não foi enviar planilhas ou notas fiscais, mas sim desfechar uma campanha de violência política de gênero e raça. O ataque visava não apenas a sua atuação parlamentar, mas a sua integridade pessoal e familiar, em uma tentativa clara de silenciamento pelo terror psicológico.


A rede de "Perfis Fantasmas"


A investigação aponta que a milícia digital opera em duas frentes. De um lado, perfis "chapa-branca" como @portaldeprefeitura e @petaligadooficial bombardeiam a rede com elogios exagerados à governadora Raquel Lyra, criando uma realidade paralela de sucesso administrativo. Do outro, uma miríade de contas anônimas e recém-criadas espalha veneno, memes ofensivos e mentiras contra críticos. A suspeita que paira sobre a "CPI do Bilhão" é que parte da verba publicitária oficial pode estar sendo drenada para financiar, via impulsionamento pago, essa rede de difamação.


IMPACTO NO BRASIL: A Democracia Sequestrada


O que acontece hoje no governo de Pernambuco é um alerta vermelho para a democracia brasileira.


  1. Institucionalização do Ódio: Quando o Estado usa sua máquina para atacar um poder fiscalizador (o Legislativo), rompe-se o equilíbrio republicano.


  2. Violência Política: O caso Dani Portela mostra que a disputa política foi substituída pela tentativa de aniquilação do outro. Isso afasta mulheres e minorias da política, empobrecendo a representação democrática.


  3. Opacidade Financeira: Se a comunicação oficial serve para encobrir a verdade em vez de revelá-la, como o cidadão pode confiar em qualquer dado divulgado pelo governo Raquel Lyra?


A descoberta do assessor da governadora em uma lan house fabricando dossiês falsos seria cômica se não fosse trágica. Ela revela o nível de degradação moral a que chegou o núcleo de poder do Palácio do Campo das Princesas. Enquanto tentam vender a imagem de uma gestão técnica e moderna, nos bastidores recorrem a práticas medievais de linchamento público.


A milícia digital de Pernambuco não é apenas uma ferramenta eleitoral. Ela é a confissão de incompetência de um governo que, incapaz de convencer pelos atos, precisa destruir quem aponta seus fracassos.


Acompanhe a série "Sob Escuta"


Este texto é a terceira parte da investigação exclusiva de O estopim Política sobre os porões do poder em Pernambuco. Já falamos dos rastreadores e da milícia digital. Na próxima reportagem, vamos abrir a caixa-preta que motivou todos esses ataques: o contrato de R$ 1,2 bilhão em publicidade e a "CPI do Bilhão".


Para não perder o próximo capítulo explosivo, salve oestopim.com nos seus favoritos e busque por "governo de Pernambuco", "Raquel Lyra" e "milícia digital" nos seus agregadores de notícias. A verdade incomoda, mas é a única coisa que nos liberta.


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Após paralisação de 24h encerrada na manhã desta quinta (29), sindicato cobra abertura imediata de negociação e apuração rigorosa sobre denúncias de espionagem contra servidores.


Por Clara Mendes da Redação de O estopim | 29 de janeiro de 2026


Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco | Foto: Reprodução/Redes Sociais Sinpol
Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco | Foto: Reprodução/Redes Sociais Sinpol

ARCOVERDE | Com o fim da paralisação de advertência às 8h desta quinta-feira (29), a diretoria do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) redireciona o foco para o endurecimento das negociações com o Palácio do Campo das Princesas. A categoria, que aderiu massivamente ao movimento em todo o Sertão, estabeleceu o "estado de assembleia permanente". O objetivo é pressionar a governadora Raquel Lyra a apresentar uma contraproposta de reestruturação salarial e, simultaneamente, esclarecer as graves denúncias de espionagem política veiculadas nacionalmente no último fim de semana.


A estratégia traçada pela liderança sindical prevê um prazo curto para que o governo sinalize a retomada do diálogo. Caso não haja avanço nas tratativas nos próximos dias, uma nova assembleia geral deve ser convocada para deliberar sobre a deflagração de greve por tempo indeterminado, o que poderia comprometer a segurança pública durante o período pré-carnavalesco.


O presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros, reforçou que a pauta agora extrapola a questão financeira. A categoria exige garantias de que não há monitoramento ilegal de lideranças sindicais, conforme sugerido pela reportagem do Domingo Espetacular. "Não há como negociar em um ambiente de desconfiança e suposta perseguição. A investigação sobre a estrutura de inteligência do estado é agora uma pauta central da categoria", afirmou a liderança em comunicado à imprensa.


Em Arcoverde, o retorno às atividades acontece sob clima de tensão. Investigadores e escrivães locais relatam sobrecarga de trabalho e aguardam as diretrizes do Recife para os próximos passos. A expectativa é que, se confirmado o silêncio do Executivo, operações padrão, onde o trabalho é realizado estritamente dentro da burocracia, retardando processos, possam ser iniciadas nas delegacias do interior.


O governo estadual, por sua vez, mantém a posição de que as mesas de negociação estão abertas, mas condicionadas ao limite fiscal do estado. Sobre as acusações de espionagem que inflamaram o movimento paredista, a governadora Raquel Lyra reiterou ontem (28) que as denúncias são falsas e que acionará a justiça para responsabilizar os autores das acusações.


Este novo capítulo da crise na segurança pública ocorre menos de um ano após a última ameaça de greve da categoria, evidenciando a dificuldade contínua de diálogo entre as forças policiais e a atual gestão estadual.


Para entender como a instabilidade na Polícia Civil e as acusações de espionagem podem redesenhar o cenário eleitoral e a governabilidade em Pernambuco, leia a análise completa do jornalista Heitor Lemos. A reportagem exclusiva está disponível em O Estopim Política oestopim.com/politica.


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