- Raul Silva

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Por Dante Montenegro | Editoria de Política
Em Pernambuco, a tensão entre o Palácio do Campo das Princesas e a Prefeitura do Recife transcendeu a retórica administrativa para atingir o núcleo duro do aparato estatal: a inteligência policial. A gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) enfrenta acusações de "arapongagem" contra Gustavo Monteiro, secretário de Articulação Política do prefeito João Campos (PSB). A resposta do governo, contudo, rejeita a narrativa de espionagem política e firma-se na doutrina da Verificação Preliminar de Informação (VPI). Para o Executivo estadual, não houve perseguição, mas o exercício legítimo do poder de polícia para auditar o uso de um ativo público — um veículo oficial — supostamente envolvido em práticas de corrupção.

O que a oposição classifica como "Abin Paralela", os estrategistas do governo tratam como Statecraft (arte de governar). A defesa da Secretaria de Defesa Social (SDS) repousa sobre uma tecnicidade jurídica crucial: a distinção entre a intimidade do cidadão e a publicidade do bem estatal.
A Natureza do Alvo: O governo sustenta que o monitoramento não visava a pessoa do secretário, mas o veículo locado pela prefeitura, um bem público sujeito ao escrutínio administrativo. Ao focar no "carro oficial", a defesa tenta desarmar a tese de violação de privacidade que exigiria reserva de jurisdição (mandado judicial), equiparando o uso de rastreadores à tradicional "campana" policial em via pública.
O Contra-Ataque Institucional: A narrativa governista inverte o ônus da prova. Ao arquivar a investigação por falta de materialidade, o governo argumenta que provou sua imparcialidade técnica: se o objetivo fosse político, provas teriam sido forjadas ou vazadas estrategicamente antes. O vazamento atual é reclassificado não como denúncia, mas como vendetta corporativa de um policial investigado por desvios, numa tentativa de desestabilizar o comando da segurança pública.
Contenção de Danos: Diante das acusações de "milícia digital" operando no gabinete, a exoneração célere de assessores funcionou como um firewall, isolando a figura da governadora da crise e mantendo a narrativa de "compliance" rigoroso.
Este episódio é o "tiro de advertência" para a batalha eleitoral de 2026. A disputa pelo controle da narrativa de segurança e probidade é vital. O governo Raquel Lyra, ao bancar a legalidade da operação "Nova Missão", sinaliza que não abrirá mão do controle hierárquico das forças policiais, apesar da pressão dos sindicatos (Sinpol/Adeppe), que veem na crise uma oportunidade de alavancagem corporativa. Para Brasília e para o mercado, a mensagem é de que a gestão estadual está disposta a pagar o preço político para manter a prerrogativa de investigar, doa a quem doer, sob a bandeira do combate à corrupção.
O governo estadual aposta todas as fichas na tese da legalidade estrita da VPI para neutralizar a retórica de "ditadura" da oposição. Para sobreviver à guerra de narrativas e chegar competitivo em 2026, o Palácio deve blindar juridicamente suas operações de inteligência; do contrário, a linha tênue entre vigilância republicana e polícia política se tornará a arma favorita de seus adversários para corroer sua legitimidade institucional.
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