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Na terceira reportagem da série "Sob Escuta", revelamos como o Palácio do Campo das Princesas teria montado uma "milícia digital" para assassinar reputações, intimidar deputados e blindar a governadora Raquel Lyra das investigações sobre seus contratos bilionários.


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Milícia Digital no Governo de Pernambuco???Resumo em Áudio gerado por IA Gemini - Com supervisão do Jornalismo de O estopim

Por Heitor Lemos Especialista em Sociedade e Comportamento Político | 29 de janeiro de 2026


Se nas ruas a vigilância se dava através de rastreadores clandestinos e arapongas, nas redes sociais a guerra assumiu uma face ainda mais covarde e industrial. A denúncia que estremece a política local aponta para a existência de uma estrutura coordenada, operada de dentro do próprio gabinete da governadora Raquel Lyra, dedicada a uma única função: destruir quem ousa questionar. Não estamos falando de militância espontânea ou de calorosos debates ideológicos. Estamos falando, segundo documentos oficiais e investigações legislativas, de uma milícia digital financiada com dinheiro do contribuinte pernambucano para espalhar desinformação, pânico moral e ódio contra adversários políticos.


Dani Portela alvo de fake news em relatórios supostamente forjados por ex-assessor de Raquel Lyra | Foto: Reprodução
Dani Portela alvo de fake news em relatórios supostamente forjados por ex-assessor de Raquel Lyra | Foto: Reprodução

O Gabinete do Ódio e a Indústria da Difamação


A tática não é nova, mas sua aplicação institucionalizada no governo de Pernambuco choca pela audácia. Enquanto Brasília ainda pune os responsáveis pelo "Gabinete do Ódio" federal, Pernambuco parece ter importado o know-how da destruição de reputações. O objetivo estratégico é claro: criar uma cortina de fumaça digital que impeça o cidadão de ver a realidade administrativa e, principalmente, de questionar para onde vão os recursos do Estado.


A operação dessa engrenagem coincide, não por acaso, com o momento de maior fragilidade da gestão. Quando a Assembleia Legislativa (Alepe) decidiu instalar a CPI do Bilhão para investigar os vultosos contratos de publicidade do governo, a máquina de ataque foi ligada na potência máxima. A comunicação estatal, que deveria servir para informar sobre vacinação ou obras, converteu-se em trincheira de guerrilha partidária.


OS JOGADORES E O MODUS OPERANDI


Para entender como essa máquina opera, é preciso dissecar seus protagonistas e métodos, que beiram o amadorismo criminoso.


O Operador na lan house


No centro do furacão está Manoel Pires Medeiros Neto. Jornalista e ocupante de cargos de altíssima confiança no gabinete da governadora, ele foi flagrado em uma situação digna de filmes de espionagem de baixo orçamento. A Superintendência de Inteligência Legislativa rastreou a origem de uma denúncia anônima e difamatória contra a deputada Dani Portela, autora do pedido da CPI. O rastro digital levou a uma lan house em um shopping do Recife. As câmeras de segurança não mentem: lá estava o assessor especial do governo, usando um computador público para tentar incriminar uma parlamentar eleita.


Manoel Pires Medeiros Neto apontado como um dos integrantes da milícia digital do gabinete da Governadora, no dia em que teria forjado relatórios sobre Dani Portela em lan house | Foto: Reprodução/Câmeras de Segurança
Manoel Pires Medeiros Neto apontado como um dos integrantes da milícia digital do gabinete da Governadora, no dia em que teria forjado relatórios sobre Dani Portela em lan house | Foto: Reprodução/Câmeras de Segurança

A vítima preferencial


Dani Portela não foi escolhida ao acaso. Mulher, negra e de oposição, ela cometeu o "crime" de exigir transparência sobre o contrato de R$ 1,2 bilhão em publicidade. A resposta do sistema não foi enviar planilhas ou notas fiscais, mas sim desfechar uma campanha de violência política de gênero e raça. O ataque visava não apenas a sua atuação parlamentar, mas a sua integridade pessoal e familiar, em uma tentativa clara de silenciamento pelo terror psicológico.


A rede de "Perfis Fantasmas"


A investigação aponta que a milícia digital opera em duas frentes. De um lado, perfis "chapa-branca" como @portaldeprefeitura e @petaligadooficial bombardeiam a rede com elogios exagerados à governadora Raquel Lyra, criando uma realidade paralela de sucesso administrativo. Do outro, uma miríade de contas anônimas e recém-criadas espalha veneno, memes ofensivos e mentiras contra críticos. A suspeita que paira sobre a "CPI do Bilhão" é que parte da verba publicitária oficial pode estar sendo drenada para financiar, via impulsionamento pago, essa rede de difamação.


IMPACTO NO BRASIL: A Democracia Sequestrada


O que acontece hoje no governo de Pernambuco é um alerta vermelho para a democracia brasileira.


  1. Institucionalização do Ódio: Quando o Estado usa sua máquina para atacar um poder fiscalizador (o Legislativo), rompe-se o equilíbrio republicano.


  2. Violência Política: O caso Dani Portela mostra que a disputa política foi substituída pela tentativa de aniquilação do outro. Isso afasta mulheres e minorias da política, empobrecendo a representação democrática.


  3. Opacidade Financeira: Se a comunicação oficial serve para encobrir a verdade em vez de revelá-la, como o cidadão pode confiar em qualquer dado divulgado pelo governo Raquel Lyra?


A descoberta do assessor da governadora em uma lan house fabricando dossiês falsos seria cômica se não fosse trágica. Ela revela o nível de degradação moral a que chegou o núcleo de poder do Palácio do Campo das Princesas. Enquanto tentam vender a imagem de uma gestão técnica e moderna, nos bastidores recorrem a práticas medievais de linchamento público.


A milícia digital de Pernambuco não é apenas uma ferramenta eleitoral. Ela é a confissão de incompetência de um governo que, incapaz de convencer pelos atos, precisa destruir quem aponta seus fracassos.


Acompanhe a série "Sob Escuta"


Este texto é a terceira parte da investigação exclusiva de O estopim Política sobre os porões do poder em Pernambuco. Já falamos dos rastreadores e da milícia digital. Na próxima reportagem, vamos abrir a caixa-preta que motivou todos esses ataques: o contrato de R$ 1,2 bilhão em publicidade e a "CPI do Bilhão".


Para não perder o próximo capítulo explosivo, salve oestopim.com nos seus favoritos e busque por "governo de Pernambuco", "Raquel Lyra" e "milícia digital" nos seus agregadores de notícias. A verdade incomoda, mas é a única coisa que nos liberta.


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