Grupo de trabalho do Senado ouviu lideranças e órgãos do governo sobre partilha dos resultados e riscos da lavra; presidente do colegiado diz que falta de regras alimenta garimpo ilegal
Por Raul Silva para O estopim | 11 de Março de 2026
Senadores do Grupo de Trabalho sobre o marco legal para Regulamentação da Mineração em Terras Indígenas (GTMTI) reuniram lideranças indígenas e representantes do governo federal em audiência pública na terça-feira (10), em Brasília, para discutir modelos de participação dos povos indígenas na atividade mineradora, regras de repartição dos resultados da lavra e impactos ambientais e sociais da exploração.

A presidente do GT, senadora Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que a ausência de um marco legal “claro” tem gerado insegurança jurídica e conflitos locais e disse que a atividade já ocorre de forma ilegal em diferentes regiões. “O que nós não podemos mais conviver é com essa situação de infratores que invadem as terras indígenas, fazem o garimpo e ninguém ganha nada com isso, nem os povos indígenas, nem o Estado”, declarou durante o debate.
O representante da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Rodrigo Bulhões Pedreira, alertou para efeitos que, segundo ele, precisam ser considerados em qualquer proposta de regulamentação. Ele citou que uma mina exige estruturas associadas, como planta de beneficiamento, sistemas de controle de efluentes e esgoto, tratamento de resíduos, fonte de energia e vias de acesso, como rodovias ou hidrovias.
O líder do povo Cinta Larga, Gilmar Cinta Larga, disse que o debate deve levar em conta a diversidade de povos indígenas e realidades regionais no país. “Esse debate não é apenas de um povo. Envolve muitos povos indígenas em diferentes regiões do Brasil, cada um com sua realidade, sua cultura e sua forma de decidir sobre seu território”, afirmou.
O representante indígena Douglas Krenak criticou a falta de participação dos povos originários em decisões relacionadas a seus territórios e mencionou tragédias ligadas à mineração em Minas Gerais. Ele defendeu consulta livre, prévia e informada antes de decisões estatais sobre a atividade.
O GTMTI foi instalado em outubro e tem prazo de 180 dias para apresentar um projeto de lei sobre o tema. A regulamentação da mineração em terras indígenas é prevista no artigo 231 da Constituição, que condiciona pesquisa e lavra à autorização do Congresso, após a oitiva das comunidades afetadas e com garantia de participação nos resultados.
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Jornalista, Escritor e Professor. Raul Silva é a mente que arquitetou O estopim. Sua missão é desmontar narrativas hegemônicas e oferecer um jornalismo que não tem medo de comprar briga com o poder estabelecido. Aqui, ele assina as principais análises editoriais e coordena a visão estratégica do portal.
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