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Caso Orelha: Polícia Civil indicia três adultos por coação a testemunha após morte de cão comunitário em Florianópolis

Por Michael Andrade da redação de O estopim, informações G1 | 27 de janeiro de 2026


Pais e tio de adolescentes suspeitos de maus-tratos teriam pressionado vigilante de condomínio; polícia analisa mais de mil horas de imagens e apura tentativa de afogamento de outro cão

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução


A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou três adultos por suspeita de coação a uma testemunha na investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, espancado na Praia Brava, em Florianópolis. Segundo a corporação, os indiciados são pais e um tio dos adolescentes suspeitos do ato infracional de maus-tratos.


O que a polícia apurou até agora


Em coletiva à imprensa nesta terça-feira (27), a Polícia Civil detalhou que dois dos investigados são empresários e o terceiro é advogado. Os nomes não foram divulgados.


A corporação informou que a coação teria sido dirigida ao vigilante de um condomínio, que poderia ter uma foto capaz de contribuir com a apuração. A polícia não confirmou se teve acesso a esse registro específico, mas disse que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança. Por segurança, o vigilante foi afastado.


O que é coação


Coação é o crime de ameaçar ou agredir pessoas ligadas a um processo — como testemunhas, vítimas, advogados ou réus — para tentar interferir no andamento e no resultado das investigações.


Somente no inquérito que apura a coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos dos adultos investigados.


Adolescentes suspeitos e o sigilo do ECA


Os nomes e idades dos adolescentes não foram divulgados, em razão do sigilo absoluto previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em procedimentos envolvendo menores de 18 anos. Segundo a Polícia Civil, dois dos quatro suspeitos estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação na segunda-feira (26). Os outros dois estariam nos Estados Unidos para “viagem pré-programada”.


Como a investigação foi dividida


A apuração segue em duas frentes:


  • Auto de apuração de ato infracional, conduzido pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE);


  • Inquérito policial por coação, conduzido pela Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA) e concluído na noite de segunda-feira (26).



Morte de Orelha e suspeita de novo crime


A investigação indica que as agressões ocorreram em 4 de janeiro, mas o caso só chegou à Polícia Civil no dia 16 do mesmo mês. Não há imagens do momento exato do espancamento, porém depoimentos de testemunhas e registros de outros episódios na mesma região e período ajudaram a identificar os suspeitos.


Exames periciais confirmaram que Orelha foi atingido na cabeça com um objeto contundente. O instrumento usado não foi encontrado. O animal foi localizado por populares, recolhido e levado a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade, passou por eutanásia em 5 de janeiro.


A Polícia Civil também apura a suspeita de que o grupo tenha tentado afogar outro cão comunitário, Caramelo, no mar. Segundo a delegada responsável, há imagens dos adolescentes carregando o animal e relatos de testemunhas que afirmam ter visto o cachorro ser jogado na água.


Quem era Orelha


Orelha era um dos cães comunitários que se tornaram mascotes da Praia Brava, onde existem casinhas destinadas aos animais. Moradores relatam que o cão era dócil e muito conhecido por frequentadores e turistas da região.


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