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Pix da Opinião: Quando o Banco usa o seu dinheiro para "alugar" a verdade

Por Vitória Régis | Economista e Colunista de O Estopim


Esqueça a velha imagem do banqueiro de cartola fumando charuto. O novo operador do mercado financeiro usa ring light, faz dancinha no TikTok e, pelo preço certo, defende até balanço contábil que faria um agiota do Sertão sentir vergonha.


A bomba da semana, revelada por apurações da imprensa nacional e confirmada por influenciadores que recusaram a proposta (ainda há esperança!), expõe o submundo da relação entre o BRB (Banco de Brasília) e o problemático Banco Master.


Influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite dizem ter recebido proposta para defender o Banco Master e difamar o Banco Central. | Foto: Reprodução/Rony Gabriel, Juliana Moreira Leite/Redes Sociais
Influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite dizem ter recebido proposta para defender o Banco Master e difamar o Banco Central. | Foto: Reprodução/Rony Gabriel, Juliana Moreira Leite/Redes Sociais

A Engenharia do Caos (Explicada sem "Economês")


Para quem chegou agora: o Banco Master (antigo Máxima) quebrou. O Banco Central (BC) interveio e decretou liquidação. Antes disso, porém, o BRB — que é um banco público, controlado pelo Governo do Distrito Federal — injetou bilhões comprando carteiras de crédito do Master.


Pense comigo: você compraria uma bicicleta sem rodas de um vizinho falido? O BRB comprou. E pagou caro.


Agora que a Polícia Federal investiga fraudes na casa dos bilhões, surgiu a "solução mágica". Em vez de explicar os números, agências de marketing tentaram contratar influenciadores para criar uma narrativa artificial. O briefing era claro: bater no Banco Central (o órgão fiscalizador) e dizer que o Banco Master é vítima de perseguição.


O Custo da Mentira banco


Em economia, chamamos isso de Assimetria de Informação. É quando um lado sabe a verdade (o banco está quebrado) e paga para que o outro lado (você, investidor ou cidadão) acredite na mentira (o banco é sólido).


Mas aqui vai a pergunta de um milhão de dólares (ou de R$ 4 bilhões, que é o prejuízo estimado do BRB): De onde sai o dinheiro para pagar o cachê desses influenciadores?


Se o BRB é um banco estatal, indiretamente, é dinheiro público. Enquanto o gerente do banco nega um empréstimo para a Dona Maria reformar a loja dela aqui na Avenida Agamenon Magalhães por "falta de garantias", o sistema financeiro tem verba livre para tentar manipular a opinião pública.


Astroturfing: A Grama Sintética do Mercado


O nome técnico dessa prática é Astroturfing. Imagine um gramado artificial que parece grama de verdade, mas é plástico. É isso que tentaram fazer: criar um movimento de "apoio popular" ao banco que fosse, na verdade, totalmente sintético e pago.


A proposta era sedutora: almoços com presidentes de banco, briefings exclusivos e cachês que variam de R$ 7 mil a R$ 250 mil mensais. O trabalho? Ler um texto pronto dizendo que está tudo bem.


O Alerta da Vitória


Se o seu influenciador favorito de finanças ou política começou, do nada, a defender fusões bancárias complexas ou atacar técnicos do Banco Central usando exatamente as mesmas palavras de outros perfis, desconfie.


No mercado financeiro, não existe almoço grátis. E se alguém está pagando o almoço do influenciador, pode ter certeza: quem paga a conta final, via juros abusivos, tarifas escondidas ou socorros bancários com dinheiro do Tesouro, é você.


Resumo da Ópera: O mercado de capitais brasileiro virou um grande cassino onde, se a casa perde, ela contrata o marketing para dizer que ganhou. Proteja seu patrimônio e, principalmente, sua inteligência. Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_

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