top of page

Política

Prefeituras apresentam propostas, mas regras, seleção, financiamento e parte das compras vêm do Governo Federal.


Por Raul Silva para O estopim | 25 de junho de 2026



Logo do Novo PAC com letras coloridas azul, verde e vermelha e texto Desenvolvimento e Sustentabilidade
Logo Novo PAC, novo Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal | Imagem: Reprodução/Gov.br

O Novo PAC chega aos municípios por uma combinação de decisão federal, seleção pública, proposta local, análise técnica, formalização e execução. Na prática, a prefeitura tem papel importante ao apresentar projetos e organizar a implantação, mas a origem da política, dos critérios, do orçamento e de muitos equipamentos está no Governo Federal. O programa é coordenado pelo Governo do Brasil em parceria com estados, municípios, setor privado e movimentos sociais, com foco em crescimento, inclusão social, geração de emprego e redução de desigualdades regionais.


O Novo PAC é a nova versão do Programa de Aceleração do Crescimento. Ele reúne investimentos em áreas como saúde, educação, mobilidade, saneamento, cultura, esporte, moradia, infraestrutura urbana e acesso a direitos.


A Casa Civil informa que o Novo PAC Seleções realiza obras e empreendimentos em áreas essenciais, com participação direta de estados e municípios. Essa participação não significa que a política nasceu na prefeitura. Significa que o município entra no processo como proponente, executor ou beneficiário, dentro de regras definidas pelo Governo Federal.


O processo costuma começar com edital, portaria, manual ou chamada pública do ministério responsável pela área. Depois, estados e municípios apresentam propostas em sistemas oficiais.


Na saúde, por exemplo, o Ministério da Saúde informou que estados e municípios deveriam se inscrever na edição 2025 do PAC Seleções da Saúde pela plataforma Transferegov.br. O investimento anunciado era de R$ 5,8 bilhões para financiar unidades de saúde, equipamentos para UBSs, ambulâncias e unidades odontológicas móveis.


Leia também


O FAQ do Ministério da Saúde também explica que, para incluir proposta de carta-consulta no Transferegov, o usuário precisa estar cadastrado e ter perfil habilitado no sistema. Isso mostra que a inscrição municipal depende de procedimento técnico, não apenas de anúncio político.


Depois da inscrição, as propostas passam por análise de elegibilidade e critérios técnicos. Cada área tem exigências próprias. Saúde, educação, mobilidade e saneamento não seguem a mesma lógica.


No caso do Novo PAC Saúde 2025, o manual de seleção definiu critérios de elegibilidade para modalidades específicas. Para a ampliação de frota do SAMU 192, por exemplo, poderiam se inscrever estados, municípios e Distrito Federal em regiões com cobertura total ou parcial, conforme regras do edital.


Arte explicativa com o caminho do Novo PAC: Governo Federal, seleção, prefeitura, obra ou equipamento entregue

A Casa Civil informou que, no eixo saúde, foram selecionadas 11.904 propostas em 5.290 cidades, alcançando 95% dos municípios brasileiros. As seleções priorizaram vazios assistenciais e critérios de cada modalidade.


Ser selecionado é uma etapa importante, mas não encerra o caminho. Depois do resultado, vem a formalização. No caso do Ministério da Saúde, gestores estaduais e municipais tiveram prazo para concluir a formalização das propostas no sistema InvestSUS. A própria pasta destacou que essa etapa é necessária para que estados e municípios recebam efetivamente os investimentos.


O Ministério da Saúde também informa que o termo de compromisso é um dos instrumentos do Novo PAC e é regulamentado por normas federais. Essa formalização define obrigações, prazos e condições de execução.


O caminho varia conforme a modalidade. Em alguns casos, o Governo Federal repassa recursos para obra ou serviço. Em outros, financia projetos. Há também situações em que a União compra equipamentos de forma centralizada e doa aos entes selecionados.


No caso do SAMU 192, o Ministério da Saúde informa que as ambulâncias do Novo PAC são adquiridas de forma centralizada pela pasta e doadas a estados, municípios e Distrito Federal selecionados. O objetivo é ampliar a frota, universalizar o acesso ao serviço e melhorar o atendimento pré-hospitalar.


Esse ponto ajuda a entender disputas locais, como a de Arcoverde. A prefeitura pode ter apresentado a proposta e deve organizar a operação, mas os veículos e a expansão nacional vêm do Novo PAC e do Ministério da Saúde.


A Prefeitura de Arcoverde informou, em julho de 2025, que o município foi contemplado com investimentos do Novo PAC na saúde. Entre as ações anunciadas estavam duas ambulâncias para o SAMU 192. A própria publicação municipal afirmou que os veículos fazem parte do esforço federal para modernizar o atendimento pré-hospitalar em todo o país.


Isso mostra a dupla responsabilidade. O Governo Federal financia, seleciona, organiza a política e, em algumas modalidades, compra e doa equipamentos. A prefeitura apresenta proposta, cumpre requisitos, formaliza documentos e precisa garantir funcionamento real.


Em período de disputa política, é comum que gestores locais apresentem entregas federais como se fossem conquistas isoladas da administração municipal. Esse enquadramento apaga parte importante da origem do investimento.


O correto, do ponto de vista público, é reconhecer toda a cadeia. Sem Governo Federal, não há Novo PAC. Sem orçamento federal, não há seleção nacional. Sem proposta local, o município pode ficar fora. Sem execução municipal, o investimento pode demorar ou não virar serviço.


No caso de programas como o SAMU, a população não precisa escolher entre reconhecer a União ou cobrar a Prefeitura. Precisa fazer as duas coisas: identificar quem financia e exigir que a gestão local coloque o serviço para funcionar.


O que acontece agora


Depois que um município é selecionado, a população deve acompanhar a formalização, os prazos, a licitação quando houver obra, a chegada dos equipamentos, a contratação de equipe, a abertura do serviço e a prestação de contas.


No caso de Arcoverde, a cobrança concreta é sobre a Base Descentralizada do SAMU, a chegada da Unidade de Suporte Básico, o processo seletivo, a escala de plantão, a integração com a regulação e o início efetivo do atendimento pelo 192.


O Novo PAC é uma política federal. O município é a porta onde a política precisa virar serviço. Quando uma parte tenta apagar a outra, quem perde é a transparência.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, saúde, cultura e direitos, com foco em contexto, checagem e interesse público.

Nota do diretório municipal afirma que avanço do serviço depende do Governo Federal; Prefeitura cita propostas aprovadas no Novo PAC.


Por Raul Silva para O estopim | 25 de junho de 2026



Nota do PT Arcoverde cobra reconhecimento ao Governo Lula pela chegada do SAMU ao município
PT Arcoverde publicou uma nota intitulada “O papel do Governo Lula no fortalecimento da saúde em Arcoverde” | Foto: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde

A chegada de uma nova Unidade de Suporte Avançado do SAMU a Arcoverde abriu uma disputa política sobre o crédito pelo fortalecimento da saúde pública no município. Depois de a Prefeitura divulgar que a ambulância chegou por meio de propostas aprovadas pela Secretaria Municipal de Saúde junto ao Novo PAC, o PT de Arcoverde publicou uma nota política nas redes sociais para afirmar que a origem e a sustentação do serviço estão ligadas ao Governo Federal e ao governo Lula.


Na postagem da Prefeitura de Arcoverde afirmou que “o SAMU começa a virar realidade” no município e informou a chegada de uma Unidade de Suporte Avançado. O texto também diz que Arcoverde deve receber, nos próximos dias, uma Unidade de Suporte Básico.


A gestão municipal atribuiu as novas ambulâncias às propostas aprovadas pela Secretaria de Saúde de Arcoverde junto ao Novo PAC e afirmou que seguirá com a construção da Base Descentralizada do SAMU e com o processo seletivo para formar a equipe do serviço.



A própria Prefeitura já havia divulgado, em julho de 2025, que Arcoverde foi contemplada com investimentos do Novo PAC, programa do Governo Federal, incluindo duas ambulâncias para o SAMU 192. Na mesma publicação oficial, o município reconheceu que os veículos fazem parte de um esforço federal para modernizar o atendimento pré-hospitalar.


No texto enviado ao O estopim, o perfil do PT Arcoverde publicou uma nota intitulada “O papel do Governo Lula no fortalecimento da saúde em Arcoverde”. O texto afirma que é preciso recordar ao prefeito a “real origem e a sustentação” do SAMU.


A nota sustenta que o serviço não é iniciativa isolada de gestões locais, mas uma política pública nacional de saúde. O partido também associa a criação do SAMU ao governo Lula e ao ex-ministro da Saúde Humberto Costa.


Há base histórica para essa associação. O Ministério da Saúde informa que o SAMU foi criado pelo Governo Federal em 2003 como componente pré-hospitalar móvel e que, em 2004, Lula assinou o Decreto nº 5.055, instituindo sua execução em estados e municípios com acesso nacional pelo telefone 192.


O Senado também registrou, em matéria de 2025, que Humberto Costa, então ministro da Saúde no primeiro governo Lula, teve participação direta na implantação do serviço.



O PT acerta ao lembrar que o SAMU é uma política nacional do SUS e que o Novo PAC é um programa federal. Segundo o Ministério da Saúde, o eixo SAMU 192 do Novo PAC busca ampliar e expandir a frota de ambulâncias, universalizar o acesso ao serviço de urgência e melhorar o atendimento pré-hospitalar. As ambulâncias são adquiridas de forma centralizada pelo Ministério da Saúde e depois doadas aos entes federados selecionados.


Esse ponto é central. Sem o orçamento federal, sem a política nacional e sem o Novo PAC, não haveria a mesma entrega de ambulâncias aos municípios. Por isso, a tentativa de apresentar o avanço apenas como conquista local reduz o papel do Governo Lula na estruturação do serviço.


A crítica do PT não elimina a responsabilidade municipal. O Novo PAC exige proposta, documentação e articulação administrativa. O Ministério da Saúde informa que estados, Distrito Federal e municípios podem propor pedidos, mediante preenchimento de carta-consulta eletrônica e cumprimento de requisitos.


O painel do Novo PAC também explica que propostas selecionadas têm garantia dos recursos necessários para execução, mas a etapa local continua relevante para formalização, implantação e funcionamento.


Leia também


Em outras palavras: o Governo Federal garante a política, o programa e os veículos. A Prefeitura precisa garantir que a base funcione, que a equipe seja selecionada, que a escala exista e que a população receba atendimento real.


A nota do PT mira a comunicação política da Prefeitura. O partido tenta impedir que a gestão municipal transforme uma política federal em vitrine exclusiva do governo local.


A crítica tem força porque o SAMU, historicamente, é uma das marcas do SUS estruturado em rede nacional. Em Pernambuco, o Ministério da Saúde informa que o serviço integra a Política Nacional de Atenção às Urgências, oferece atendimento gratuito 24 horas e funciona com diferentes tipos de unidades, como Suporte Básico e Suporte Avançado.


Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde ressalta que a disponibilidade do serviço é responsabilidade das gestões locais, em modelo de custeio tripartite, com repasses federais e complementação por estados e municípios.


O que acontece agora


A população de Arcoverde precisa acompanhar três pontos. O primeiro é a chegada da Unidade de Suporte Básico anunciada pela Prefeitura. O segundo é a implantação da Base Descentralizada do SAMU. O terceiro é o processo seletivo para garantir profissionais capacitados.


O debate político pode continuar, mas o serviço só se confirma na prática quando houver ambulância equipada, equipe formada, regulação integrada e atendimento funcionando.


Nesse ponto, a cobrança do PT tem uma dimensão de interesse público: reconhecer o papel do Governo Lula no financiamento e na expansão do SAMU não dispensa a Prefeitura de prestar contas sobre prazo, estrutura, equipe e início efetivo do serviço.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, saúde, cultura e direitos, com foco em contexto, checagem e interesse público.

Senadora do PT de Pernambuco é citada nos bastidores como alternativa para recompor articulação de Lula no Senado.


Por Raul Silva para O estopim | 24 de junho de 2026



Senadora Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, cotada para liderança do governo no Senado
Teresa Leitão (PT-PE) ganha força para ser a nova líder do PT no Senado após saída de Jaques Wagner | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A senadora Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, passou a ser cotada para se tornar a líder do governo no Senado após a saída de Jaques Wagner, do PT da Bahia, anunciada nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026. A possibilidade ainda não foi confirmada oficialmente pelo Palácio do Planalto nem formalizada no painel de lideranças do Senado, mas o nome da parlamentar ganhou força entre aliados do governo nos últimos dias.


A CNN Brasil informou que Teresa Leitão passou a ser vista como alternativa porque tem alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bom trânsito no governo e não disputará eleição em outubro, já que seu mandato no Senado vai até 2031. A avaliação nos bastidores é que isso daria à senadora mais disponibilidade para se dedicar à articulação política no Congresso.


A eventual escolha também teria peso simbólico. Segundo a CNN, aliados de Lula destacam que Teresa poderia se tornar a primeira mulher a comandar a liderança do governo Lula no Senado, em um momento em que o Executivo tenta reorganizar sua base após o desgaste provocado pela Operação Compliance Zero.


Até a publicação desta matéria, Teresa Leitão era nome cotado, não escolhida oficialmente. O painel de lideranças parlamentares do Senado ainda registrava Jaques Wagner como líder do governo e Teresa como líder do PT na Casa.


O Blog de Jamildo informou que a assessoria da senadora evitou comentar as especulações e que a posição pública da bancada do PT, até então, era de apoio a Wagner e defesa do devido processo legal.


Teresa Leitão é senadora por Pernambuco, filiada ao PT, e tem mandato de 2023 a 2031. Seu nome civil é Maria Teresa Leitão de Melo, ela nasceu no Recife e tem trajetória ligada à educação e ao movimento sindical. Antes de chegar ao Senado, foi deputada estadual em Pernambuco de 2003 a 2023.


Leia também


Em abril de 2026, Teresa foi escolhida pela bancada petista para liderar o PT no Senado. Na estrutura oficial da Casa, aparece como líder do partido e integrante de comissões como Educação e Cultura, Ciência e Tecnologia, Esporte, Orçamento e outras frentes parlamentares.


A liderança do governo no Senado é uma das funções mais estratégicas da relação entre o Planalto e o Congresso. O líder negocia votações, mede o apoio da base, defende projetos do Executivo e atua como ponte entre ministros, senadores e a Presidência.


A saída de Jaques Wagner aumenta a urgência dessa recomposição. O senador deixou o cargo após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas ligadas ao Banco Master. Wagner nega irregularidades e afirmou que sua prioridade é provar inocência.


A escolha de Teresa não é tratada como consensual. O R7 informou que setores do PT veem a senadora como alternativa diante da falta de nomes mais fortes, mas não a consideram uma articuladora política de grande peso. Essa avaliação circula nos bastidores e não equivale a posição oficial da legenda.


Esse ponto ajuda a explicar por que Lula precisa calibrar a decisão. O novo líder terá de lidar com uma base heterogênea, um Senado comandado por Davi Alcolumbre e um calendário político marcado pela eleição de 2026.


O próximo passo é o anúncio oficial do substituto de Jaques Wagner. Caso Teresa Leitão seja confirmada, o governo apostará em um nome de confiança do PT e de baixo desgaste público para reorganizar a relação com o Senado.


Se o Planalto optar por outro senador, Teresa continuará como peça relevante da bancada petista, já que ocupa a liderança do PT e participa de comissões estratégicas. Até lá, a principal informação é que ela está no centro das conversas, mas a decisão final ainda depende de Lula e da articulação com a base.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, cultura e direitos, com foco em contexto, checagem e interesse público.

bottom of page
Logo MPPE
Painel de Transparência Festejos Juninos
Fale Conosco WhatsApp