Da Redação de O estopim | 05 de Janeiro de 2026 | Produzido com Inteligência Artificial
A América Latina vive um momento de intensas transformações e desafios que atravessam fronteiras políticas, sociais e digitais. A intervenção americana na Venezuela e a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ilustram uma geopolítica instável, onde interesses globais e regionais colidem. O cenário venezuelano é marcado pela censura digital, restringindo liberdade de expressão, obrigando ativistas e cidadãos a adotarem estratégias de resistência, como o uso crescente de VPNs na América do Sul para driblar bloqueios e monitoramentos. Paralelamente, ataques cibernéticos tornam-se frequentes, ameaçando a segurança e a privacidade da população.
Mobilização na América Latina é um novo impulso para a insurgência da esquerda no continente | Crédito:Luis Robayo / AFP
Em resposta ao cerco econômico e à instabilidade, criptoativos emergem como alternativa financeira na Venezuela, permitindo transações fora do alcance das tradicionais instituições e do controle estatal. Este fenômeno destaca o papel da tecnologia como aliada da resistência digital, mas também levanta debates quanto à segurança, à volatilidade e à regulação deste novo meio econômico.
No Brasil, questões internas ganham destaque, desde os recorrentes casos de corrupção no Congresso brasileiro até debates sobre liberdade de imprensa. A censura velada e as tentativas de controlar fluxos de informação alertam para a importância da vigilância ativa sobre os direitos humanos e a democracia. As movimentações políticas em cidades do interior, como Arcoverde, refletem a pluralidade de vozes e a importância da participação cidadã, enquanto a cultura do Sertão pernambucano revela a resistência e a criatividade em meio à adversidade.
A análise política do Brasil, inserida no contexto da geopolítica latino-americana, evidencia que as fronteiras nacionais não limitam a influência de crises e movimentos. Direitos humanos continuam sendo pauta central, de Caracas a Brasília, e a luta por liberdade de expressão se amplia no contexto digital. O futuro da região depende da capacidade de fortalecer instituições, garantir a transparência e promover uma integração baseada em respeito mútuo.
Frente a desafios como ataques cibernéticos, repressão política e instabilidade econômica, a resistência digital se consolida como uma das principais formas de enfrentamento. Grupos organizados, jornalistas independentes e a sociedade civil vêm utilizando ferramentas digitais para divulgar denúncias, proteger informações e manter vivas as discussões públicas sobre liberdade e democracia.
A América Latina está no epicentro de uma disputa marcada por tecnologia, política e cultura. O equilíbrio entre segurança, direitos fundamentais e progresso depende de uma vigilância atenta, participação ativa e solidariedade regional. O cenário atual exige, mais do que nunca, o fortalecimento de redes de resistência e o compromisso com a verdade e a liberdade.
Por Raul Silva para O estopim | 03 de janeiro de 2026
CARACAS — O amanhecer de 3 de janeiro de 2026 ficará marcado como o fim de uma era na Venezuela e o início de um novo e incerto capítulo na geopolítica das Américas. Em uma operação relâmpago que durou menos de três horas, forças de elite dos Estados Unidos capturaram o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores, retirando-os do Palácio de Miraflores e transportando-os para o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça em Caracas, na Venezuela - Foto: Reprodução
A "Operação Resolução Absoluta" (Operation Absolute Resolve) não foi um evento isolado, mas o ponto culminante de doze meses de uma estratégia de pressão máxima imposta pelo segundo mandato de Donald Trump, que redefiniu o combate ao narcotráfico como um conflito armado convencional.
O ataque à Caracas: 150 aeronaves e escuridão total
A operação começou às 02h01 (horário local), quando um ataque cibernético massivo e ações de guerra eletrônica mergulharam Caracas na escuridão, desativando os sistemas de defesa aérea venezuelanos. Sob a cobertura da noite, helicópteros do 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais (os "Night Stalkers") voaram a apenas 30 metros de altura sobre o Mar do Caribe para inserir operadores da Delta Force na capital.
Mais de 150 aeronaves, incluindo caças F-22 e bombardeiros B-1B Lancer, saturaram o espaço aéreo para dar cobertura à extração. Embora Trump tenha declarado que não houve mortes americanas, a operação deixou um rastro de destruição: relatórios iniciais apontam para pelo menos 40 mortos entre militares venezuelanos e civis, com explosões ouvidas em várias partes da capital.
Horas depois, uma foto de Maduro a bordo do navio americano, vendado e usando fones de proteção auditiva, circulou o mundo, confirmando a eficácia brutal da incursão.
2025: O ano da escalada
Para entender como os EUA chegaram à invasão direta, é preciso recuar para janeiro de 2025. Ao reassumir a Casa Branca, Trump assinou ordens executivas classificando cartéis e gangues como o Tren de Aragua como "Organizações Terroristas Estrangeiras" (FTOs).
Essa designação jurídica foi a chave mestra. Ela permitiu que a administração tratasse o governo venezuelano não como um Estado soberano rival, mas como o hospedeiro de uma insurgência terrorista.
A Guerra no Mar (Setembro – Outubro 2025) A tensão tornou-se cinética no segundo semestre. Em setembro, a Marinha dos EUA iniciou uma campanha de interdição letal. Diferente das operações antidrogas tradicionais, as novas regras de engajamento permitiam disparar para destruir.
Em 2 de setembro, o primeiro ataque fatal destruiu uma lancha rápida, matando 11 pessoas.
Em 2 de outubro, Trump declarou formalmente que os cartéis eram "combatentes ilegais" e que os EUA estavam em um "conflito armado não-internacional", contornando a necessidade de processos judiciais para o uso de força letal.
O mês de outubro viu um pico de violência, com ataques navais quase diários e a chegada do porta-aviões USS Gerald R. Ford à região, sinalizando que o bloqueio era total.
A Frente Psicológica e "Ya Casi Venezuela" Paralelamente à força militar, uma guerra psicológica foi travada. Erik Prince, fundador da Blackwater, liderou o movimento "Ya Casi Venezuela", arrecadando fundos e prometendo a queda do regime. Embora se apresentasse como uma iniciativa privada, a campanha serviu para desestabilizar a paranoia interna em Caracas e normalizar a ideia de uma intervenção armada perante o público americano.
O prelúdio final: dezembro de 2025
Nas semanas que antecederam a captura, a administração Trump removeu as luvas. Em 29 de dezembro, a CIA conduziu o primeiro ataque de drone confirmado em solo venezuelano, atingindo uma instalação portuária supostamente usada para tráfico.
No dia 1º de janeiro de 2026, Maduro apareceu na televisão estatal em uma última tentativa de demonstrar controle, declarando-se aberto a negociar acordos sobre tráfico de drogas. A resposta americana veio 48 horas depois, na forma de forças especiais descendo sobre o Fuerte Tiuna.
O dia seguinte: "Nós vamos administrar o país"
O aspecto mais controverso da operação surgiu na coletiva de imprensa pós-captura em Mar-a-Lago. O Presidente Trump anunciou que os Estados Unidos iriam "administrar o país" ("run the country") temporariamente até que uma transição segura pudesse ocorrer.
"Vamos fazer o petróleo fluir", declarou Trump, indicando que as receitas do petróleo venezuelano seriam usadas para reembolsar os custos da operação americana.
Politicamente, Washington optou por um pragmatismo surpreendente. Em vez de entregar o poder imediatamente a Edmundo González (vencedor das eleições de 2024 segundo a oposição) ou María Corina Machado — a quem Trump desqualificou afirmando que "não tem o respeito" necessário —, o Secretário de Estado Marco Rubio iniciou negociações com Delcy Rodríguez, a vice-presidente do regime deposto. Rodríguez, agora tecnicamente presidente interina, encontra-se na difícil posição de cooperar com a força ocupante enquanto tenta manter a coesão das forças armadas venezuelanas.
Reações globais: o mundo dividido
A audácia da operação fraturou a diplomacia internacional:
Brasil e Colômbia: O presidente Lula condenou a ação como uma violação "inaceitável" da soberania e um "precedente perigoso". A Colômbia, temendo uma onda de refugiados, mobilizou tropas para a fronteira.
Rússia e China: Ambos condenaram o ataque como "agressão armada" e violação da Carta da ONU, convocando reuniões de emergência no Conselho de Segurança.
Europa: A União Europeia, através de Kaja Kallas, manteve uma postura cautelosa, pedindo "moderação" e reiterando a ilegitimidade de Maduro, mas sem endossar explicitamente a invasão.
Com Maduro indiciado por narcoterrorismo em Nova York e as forças navais dos EUA controlando a costa venezuelana, a "Operação Resolução Absoluta" encerra o longo impasse chavista, mas abre as portas para um experimento de construção nacional liderado pelos EUA em uma região historicamente avessa a intervenções diretas.
Por Raul Silva para O estopim | 03 de janeiro de 2026
Esqueçam a retórica inflamada sobre "libertação", "narcoterrorismo" ou "direitos humanos". O que testemunhamos na madrugada de 3 de janeiro de 2026, com a captura de Nicolás Maduro e a declaração de que os Estados Unidos irão "governar" a Venezuela interinamente, não foi uma operação de resgate humanitário. Foi a maior operação de aquisição corporativa hostil da história moderna, executada não por advogados em uma sala de reuniões, mas por forças especiais sob a cobertura da escuridão.
Trump fala sobre ataque à Venezuela — Foto: Reuters/Jonathan Ernst
Para entender a verdadeira motivação de Donald Trump, basta ignorar as manchetes sobre ditadura e prestar atenção nas letras miúdas da infraestrutura energética americana e nas próprias palavras do presidente. A verdade é crua, técnica e puramente mercantilista.
A narrativa oficial omite o fato mais crítico da segurança energética dos EUA: o paradoxo do petróleo de xisto. Embora os EUA sejam os maiores produtores de petróleo do mundo, eles produzem o tipo "errado" para suas próprias refinarias. O complexo industrial da Costa do Golfo — a joia da coroa da Chevron, Valero e Exxon — foi construído décadas atrás para processar petróleo pesado e azedo. O petróleo leve de xisto americano é como colocar gasolina de aviação em um motor a diesel; ele não maximiza os lucros dessas usinas.
Com as sanções que cortaram o acesso ao petróleo pesado da Rússia e do Irã, e com a produção do México em declínio, as refinarias americanas estavam famintas. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo pesado do mundo. Ao tomar o controle físico desses campos, Trump não está "salvando venezuelanos"; ele está garantindo a margem de lucro das refinarias do Texas e da Louisiana, assegurando o único insumo que pode manter o preço do diesel e da gasolina artificialmente baixos para o eleitor americano.
Talvez a declaração mais honesta e assustadora de Trump tenha sido a introdução do conceito de "reembolso". Em suas próprias palavras: "Vamos tirar uma tremenda quantidade de riqueza do solo... e isso vai também para os Estados Unidos da América na forma de reembolso pelos danos causados a nós por aquele país".
Isso destrói qualquer pretensão de ajuda humanitária. Trump transformou uma nação soberana em um devedor inadimplente em processo de liquidação. A ideia de que o petróleo venezuelano deve ser extraído para pagar os custos da operação militar americana é uma atualização do saque colonial para o século XXI. Não se trata de reconstruir a Venezuela para os venezuelanos, mas de usar seus recursos para abater a dívida nacional dos EUA e pagar os contratos das empresas americanas que, segundo Trump, "vão entrar, gastar bilhões e começar a ganhar dinheiro".
Há um terceiro interesse silencioso: anular os credores rivais. A China e a Rússia emprestaram dezenas de bilhões de dólares à Venezuela, dívidas garantidas justamente por barris de petróleo futuros. Ao assumir o controle físico da PDVSA e declarar que os EUA vão "gerir" o país, Washington efetivamente confisca a garantia desses empréstimos.
Pequim e Moscou agora assistem, impotentes, enquanto o ativo que garantia seus investimentos é transferido para o controle de empresas americanas. É um xeque-mate financeiro: os EUA não apenas garantem o petróleo para si, mas impõem uma perda total aos seus maiores rivais geopolíticos sem disparar um tiro contra eles.
A recusa de Trump em reconhecer imediatamente um governo de transição civil, preferindo declarar que "nós vamos governar o país" e "fazer a transição de forma adequada" , revela o desprezo pela soberania venezuelana. Se o objetivo fosse a democracia, o poder seria entregue a Edmundo González ou María Corina Machado instantaneamente. Ao manter o controle administrativo, os EUA admitem que a Venezuela é agora, na prática, um protetorado de energia — um território onde a constituição local é subordinada aos interesses de segurança energética de Washington.
Não se iludam. A operação de 3 de janeiro não foi feita porque Maduro era um ditador — o mundo está cheio deles e muitos são aliados dos EUA. Ela foi feita porque a Venezuela é um posto de gasolina estratégico que os Estados Unidos decidiram que não podiam mais deixar sob gestão "hostil". O que estamos vendo é a privatização da política externa, onde a mudança de regime é apenas uma etapa necessária para a reestruturação da cadeia de suprimentos de petróleo pesado. A liberdade da Venezuela pode ser o slogan, mas o fluxo de cru para o Golfo do México é a única missão.