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Investigação revela como vídeo que circula no Telegram e WhatsApp utiliza anacronismos grosseiros e manipulação histórica para transformar a memória da Ditadura Militar em arma de guerra política.


Da Redação de O estopim | 01 de fevereiro de 2026


Vídeo circula na internet espalhando desinformação deliberada pela extrema-direita com objetivo de angariar votos de jovens que devem votar pela primeira vez esse ano
Vídeo circula na internet espalhando desinformação deliberada pela extrema-direita com objetivo de angariar votos de jovens que devem votar pela primeira vez esse ano | Fonte: Reprodução/WhatsApp

Um vídeo granulado, acompanhado de legendas alarmistas e um texto repleto de emojis e apelos urgentes, tornou-se a nova peça central de uma campanha de desinformação que já visa as eleições presidenciais de 2026. O conteúdo, compartilhado massivamente em grupos de Telegram e WhatsApp, alega revelar um "arquivo dos anos 80" supostamente ocultado pela Rede Globo a mando do PT, financiado via "Roubanet".


A peça não é apenas uma fake news comum; é um artefato de guerra híbrida desenhado com um alvo demográfico preciso: a geração Z. Ao dissecarmos o conteúdo, encontramos uma fabricação que desafia a lógica temporal, a verdade jurídica e a história documentada do Brasil.


O anacronismo da "Roubanet": A fake news que a cronologia desmascara


A base da acusação viral desmorona diante de uma simples verificação de calendário. O texto afirma que o Partido dos Trabalhadores (PT) pagou para "enterrar" o arquivo nos anos 80 utilizando a Lei Rouanet (pejorativamente chamada de "Roubanet").


Esta afirmação é uma impossibilidade histórica. A Lei de Incentivo à Cultura (Lei 8.313), conhecida como Lei Rouanet, foi sancionada apenas em 23 de dezembro de 1991, durante o governo de Fernando Collor de Mello. É cronologicamente impossível que qualquer transação tenha ocorrido "via Rouanet" na década de 1980, uma vez que o mecanismo legal sequer existia à época.


Além disso, na década de 1980, o PT era um partido de oposição emergente, sem acesso à máquina federal e com uma relação historicamente conflituosa com a Rede Globo, culminando na edição do debate de 1989 que prejudicou Lula. A ideia de um conluio financiado pelo Estado naquela época é uma fabricação que tenta projetar ressentimentos políticos atuais sobre o passado.


Dilma Rousseff e o "Cofre do Adhemar": O Que Dizem os Fatos


O vídeo utiliza montagens de áudio e cortes abruptos para sugerir que a ex-presidente Dilma Rousseff seria uma criminosa comum ou uma "assaltante de bancos" que confessaria seus crimes em um arquivo secreto. A realidade histórica, documentada pelo Superior Tribunal Militar (STM) e pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), é muito mais complexa e difere radicalmente da narrativa bolsonarista.


Dilma Rousseff militou nas organizações COLINA (Comando de Libertação Nacional) e VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares) durante a ditadura. Documentos da repressão da época a descrevem como uma liderança intelectual ("um dos cérebros") e organizadora, mas não como uma executora de ações armadas na linha de frente.


O episódio mais explorado, o roubo do cofre do ex-governador Adhemar de Barros em 1969, foi realizado pela VAR-Palmares. No entanto, investigações históricas e processos do próprio regime militar indicam que Dilma não participou da execução do assalto no Rio de Janeiro. Embora tenha tido conhecimento da ação como dirigente e participado da gestão dos recursos para a manutenção da organização clandestina, ela não estava na cena do crime.


A narrativa viral apaga deliberadamente o contexto de exceção: a luta armada surgiu como resposta ao fechamento do regime após o AI-5 (1968). Além disso, o vídeo omite o fato de que Dilma foi presa em 1970 e submetida a torturas brutais — pau-de-arara, choques e espancamentos — durante quase três anos, crimes de lesa-humanidade reconhecidos pelo Estado brasileiro. Transformar uma vítima de tortura estatal em mera "bandida" é uma estratégia de revisionismo histórico.


Este vídeo circula em grupos do Telegram e WhatsApp, utilizando dados históricos distorcidos e/o fora de contexto para gerar desinformação deliberada com intuito de radicalizar jovens e angariar votos para a extrema-direita nas eleições 2026 | Fonte: Reprodução/WhatsApp

A Estratégia do "Colapso de Contexto" no Telegram


A disseminação deste material depende da arquitetura de aplicativos como o Telegram e o WhatsApp. O fenômeno, conhecido por pesquisadores como "colapso de contexto", ocorre quando uma informação perde sua fonte original e autoria à medida que é encaminhada.


No Telegram, grupos com até 200 mil membros funcionam como "bunkers digitais". Diferente das redes sociais abertas, onde o conteúdo pode ser checado ou contestado publicamente, esses aplicativos criam câmaras de eco onde a mentira circula sem contraditório. O vídeo chega ao usuário "limpo" de metadados, validado apenas pela confiança em quem o enviou (um amigo ou familiar), o que aumenta sua credibilidade percebida.


O texto viral instrui explicitamente: "Não esconda esta sujeira", "Temos que enviar este vídeo para o mundo inteiro". Este é um gatilho de ação projetado para transformar cada usuário em um soldado da desinformação, criando um senso de urgência artificial.


O Alvo: "Os Jovens de 2021" e o Pleito de 2026


O aspecto mais perigoso do texto é seu foco explícito na demografia juvenil. Ao listar as idades ("15 anos está com 19", etc.), a mensagem revela uma estratégia de recrutamento geracional para as eleições de 2026.


Jovens que hoje têm entre 16 e 20 anos não possuem memória vivida da Ditadura Militar, nem mesmo dos governos do PT do início dos anos 2000. Eles são o alvo perfeito para o revisionismo histórico. A extrema-direita tem se posicionado nessas redes como uma força "contracultural" e "rebelde", oferecendo a esses jovens uma versão da história onde a ditadura foi uma "revolução necessária" e a esquerda é um "sistema corrupto" a ser varrido.


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Polícia Federal já identificaram que a desinformação organizada e o uso de Inteligência Artificial para criar deepfakes (vídeos falsos hiper-realistas) serão os maiores desafios para a integridade das eleições de 2026 .


O Risco Democrático


A retórica de "terminar a faxina" e "varrer a esquerdalha" utiliza metáforas de limpeza que historicamente precedem a violência política real. Ao desumanizar adversários e falsificar a história, essas redes preparam o terreno não apenas para ganhar votos, mas para contestar a legitimidade do processo democrático caso o resultado não lhes agrade, repetindo o roteiro de 2022.


Combater essa desinformação exige mais do que apenas checagem de fatos; exige letramento digital e histórico. É fundamental entender que o vídeo do "arquivo enterrado" não é uma revelação secreta, mas uma montagem fraudulenta desenhada para manipular a indignação de quem não viveu a história.

 
 
 

Reportagem revelou instalação ilegal de rastreadores em carros da Prefeitura do Recife e grupo clandestino de delegados criado para atingir opositores políticos.


Por Clara Mendes da Redação de O estopim | 27 de janeiro de 2026


João Capos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) - Foto: Reprodução.
João Capos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) - Foto: Reprodução.

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), classificou como "criminosa" e "imoral" a atuação da Polícia Civil de Pernambuco sob o comando da governadora Raquel Lyra (PSDB). Em vídeo publicado nas redes sociais, o gestor reagiu às denúncias veiculadas pela TV Record, que expuseram a existência de um esquema ilegal de monitoramento e investigação direcionada contra a gestão municipal, incluindo o uso de rastreadores em veículos oficiais sem autorização judicial.


"O que a TV Record revelou é muito grave: o uso político da Polícia Civil de Pernambuco", disparou Campos.

Segundo a denúncia, um grupo informal de WhatsApp, composto por três delegados e sete agentes, teria sido criado à margem das formalidades legais para orquestrar ações contra o prefeito. Entre as irregularidades apontadas, estariam o desarquivamento de inquéritos antigos apenas para gerar fatos políticos em períodos eleitorais e a instalação de dispositivos de rastreamento no carro da Prefeitura.


Nossa gestão não tolera corrupção, mas também não vai tolerar perseguição política. - Afirmou João Campos em vídeo publicado no YouTube | Fonte: Perfil de João Campos no YouTube

No vídeo, João Campos, visivelmente indignado, questionou a cadeia de comando por trás da operação.


"Quem é que está dando essas ordens? É interesse de quem? Rastreador sendo colocado no carro oficial da prefeitura sem ordem judicial, isso é criminoso", afirmou.

O prefeito relembrou o episódio de 2024, quando uma investigação sobre creches — já arquivada por falta de provas — foi reaberta durante a campanha de reeleição e novamente arquivada após o pleito.


"Na polícia e na política não vale tudo, não tem regra? Tem lei e tem que ser cumprida", completou.

O gestor da capital pernambucana garantiu que acionará a Justiça contra o que chamou de "arroubo autoritário". A denúncia lança uma sombra sobre a isenção da Secretaria de Defesa Social (SDS), pasta historicamente sensível e que, para o cidadão do interior, muitas vezes representa a única fronteira entre a barbárie e a ordem.


A tensão entre o PSB de João Campos e o Governo de Raquel Lyra escalou desde a eleição de 2024, mas atinge agora um nível institucional preocupante. Para quem vive no Sertão e Agreste, onde a política local é acirrada e muitas vezes violenta, a notícia de que a estrutura de segurança pública do Estado pode estar sendo aparelhada para fins partidários acende um alerta vermelho. Se a capital vive sob vigilância clandestina, o que esperar da segurança jurídica nas cidades menores, longe dos holofotes da grande imprensa?



 
 
 

Esta reportagem especial de O estopim inaugura a série "Sob Escuta – Pernambuco em Disputa". Aqui, dissecamos as denúncias de espionagem política, o abuso da estrutura de Estado e o uso da Polícia Civil de Pernambuco em disputas de poder sob a gestão da governadora Raquel Lyra.


Por Heitor Lemos Especialista em Sociedade e Comportamento Político | 26 de janeiro de 2026


Governadora Raquel Lyra em evento da Polícia Civil de Pernambuco | Foto: Miva Filho
Governadora Raquel Lyra em evento da Polícia Civil de Pernambuco | Foto: Miva Filho

Ao longo de uma apuração exaustiva, conectamos documentos oficiais, reportagens de alcance nacional, manifestações contundentes na Assembleia Legislativa e falas de entidades de classe. O objetivo é explicar, nos mínimos detalhes, como a máquina pública do governo de Pernambuco teria sido convertida em uma ferramenta para fins político-eleitorais.


Raquel Lyra: O Estado contra o Cidadão?


Nos últimos meses, uma sucessão de denúncias colocou a segurança pública do governo de Pernambuco sob forte suspeita. Relatos vindos de dentro da própria corporação, de parlamentares de oposição e das vítimas do monitoramento indicam que a Polícia Civil de Pernambuco pode ter sido utilizada para vigiar adversários políticos e assessores estratégicos do prefeito do Recife, João Campos. Ele é, hoje, o principal adversário da governadora Raquel Lyra na disputa rumo a 2026.


A investigação, iniciada a partir de reportagens em rede nacional e ampliada por discursos inflamados na Assembleia Legislativa, notas do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) e documentos anexados a pedidos de impeachment, aponta para um cenário de filme de espionagem. Delegados e agentes teriam instalado rastreadores em veículos, recorrido a softwares de reconhecimento facial e compartilhado informações sigilosas em grupos de WhatsApp. Tudo isso ocorreu sem autorização judicial e sem a abertura de inquérito formal. O que está em jogo aqui é a própria integridade da forma como o governo de Pernambuco utiliza suas estruturas de inteligência e segurança.


Secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro | Foto: Divulgação
Secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro | Foto: Divulgação

Segundo as denúncias, essa operação informal, apelidada sugestivamente de "Nova Missão", teria monitorado de forma contínua o secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro. A partir de um rastreador instalado clandestinamente em um veículo, agentes acompanhariam deslocamentos diários, encontros políticos e rotinas familiares. Prints de conversas de WhatsApp atribuídas a integrantes da Polícia Civil mostram o compartilhamento de mapas de localização, placas de veículos e registros fotográficos, sem qualquer referência a um procedimento oficial.



Raquel Lyra governadora de Pernambuco | Foto: Reprodução
Raquel Lyra governadora de Pernambuco | Foto: Reprodução

Em paralelo à espionagem física, cresce a suspeita de que o Palácio do Campo das Princesas abriga uma estrutura de comunicação agressiva. Essa engrenagem é apelidada por oposicionistas de "milícia digital". Tal estrutura, que seria coordenada a partir do próprio gabinete da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, é acusada de financiar contas anônimas e perfis oficiais. O objetivo seria atacar opositores, distorcer fatos, espalhar desinformação e tentar descredibilizar parlamentares que cobram transparência. Entre as vítimas desses ataques está a deputada estadual Dani Portela, autora do pedido de instalação da CPI do Bilhão, comissão que investiga os vultosos contratos de comunicação do Governo de Pernambuco.


Ônibus da Logo Caruaruense empresa pertencente ao pai de Raquel Lyra | Foto: Reprodução
Ônibus da Logo Caruaruense empresa pertencente ao pai de Raquel Lyra | Foto: Reprodução

As suspeitas de desvio de finalidade não se limitam ao campo da segurança pública ou da comunicação digital. Denúncias encaminhadas à Assembleia Legislativa e a órgãos de imprensa apontam para um possível conflito de interesses envolvendo contratos públicos e a atuação da empresa de ônibus Logo Caruaruense, historicamente ligada à família da governadora. Relatórios técnicos e reportagens indicam uma frota envelhecida, falhas em vistorias obrigatórias e pagamentos do poder público a uma empresa que estaria em situação irregular. Isso alimenta a acusação de nepotismo e favorecimento dentro do governo de Pernambuco.


Diante desse cenário complexo, a reportagem de O estopim Política se organiza em múltiplos eixos para facilitar a compreensão do leitor sobre a gravidade da situação.


Os eixos da investigação


  1. Operação "Nova Missão"

    Investigamos como teria funcionado o monitoramento de Gustavo Monteiro e de outros aliados do prefeito João Campos. Analisamos qual o papel da inteligência da Polícia Civil de Pernambuco nesse xadrez e o que dizem, ou deixam de dizer, o governo e a corporação.


  2. Milícia digital e desinformação

    Detalhamos as acusações de existência de uma rede estruturada para atacar adversários políticos da governadora Raquel Lyra. Abordamos o caso da denúncia anônima contra Dani Portela e o impacto tóxico desse ambiente nas redes sociais e na democracia estadual.


  3. Pressão sobre policiais civis

    Trazemos os relatos de escutas clandestinas dentro de delegacias, vigilância interna, transferências punitivas e o clima de medo entre agentes e delegados que ousam questionar ordens superiores.


  4. CPI do Bilhão e contratos de comunicação

    Dissecamos o contrato de até R$ 1,2 bilhão em publicidade do governo de Pernambuco. Investigamos a suspeita de ligação com familiares da governadora e o papel crucial da Assembleia Legislativa ao abrir uma CPI para auditar esses gastos.


  5. Logo Caruaruense e nepotismo

    Resgatamos o histórico da empresa de ônibus da família da governadora de Pernambuco. Expomos as irregularidades apontadas e o pedido de impeachment que chega à Alepe, questionando a moralidade administrativa.


  6. Impactos políticos e sociais

    Refletimos sobre o que esse conjunto de denúncias revela sobre a saúde da democracia em Pernambuco. Discutimos o papel das instituições de controle e o risco real de captura do Estado por interesses privados e partidários.


Cada um desses eixos será aprofundado em textos próprios, com linguagem acessível, dados rigorosamente checados e espaço garantido para o contraditório. A proposta de O estopim é oferecer ao leitor um panorama completo e organizado. Queremos ir além das manchetes rápidas e permitir que qualquer pessoa entenda o que está em jogo quando se fala em espionagem política, milícia digital e contratos bilionários dentro do governo de Pernambuco.


Acompanhe a série de reportagens de O estopim


Este texto é apenas o primeiro capítulo da série investigativa "Sob Escuta – Pernambuco em Disputa", publicada por O estopim Política. Aqui, trataremos das denúncias que envolvem o governo de Pernambuco, a gestão da governadora Raquel Lyra, a atuação da Polícia Civil de Pernambuco, contratos públicos e a feroz disputa pelo poder no estado. Ao longo dos próximos capítulos, o leitor encontrará linhas do tempo detalhadas, contextualização jurídica, perfis dos principais personagens e explicações didáticas sobre o funcionamento das instituições responsáveis por fiscalizar o Executivo.


Nas próximas reportagens, vamos detalhar a fundo a Operação "Nova Missão", a suposta milícia digital ligada ao Palácio do Campo das Princesas, a pressão sobre policiais civis, a CPI do Bilhão e o caso Logo Caruaruense. Sempre ouviremos todos os lados, incorporando notas oficiais e atualizando a apuração conforme novas informações surgirem. O objetivo é que o público de Pernambuco, e de todo o Brasil, possa formar sua própria opinião com base em informação de qualidade.


Para acompanhar a série completa, acesse oestopim.com, salve o site nos seus favoritos e procure por "O estopim Política", "espionagem política em Pernambuco", "governo Raquel Lyra", "governo de Pernambuco", "Polícia Civil de Pernambuco" e termos relacionados nos buscadores e agregadores de notícias da Apple, Google e Microsoft. Quanto mais leitores acessarem, compartilharem e salvarem essas reportagens, maior será a chance de este conteúdo aparecer em destaque quando alguém buscar informações sobre Pernambuco, governo de Pernambuco, Raquel Lyra, governadora de Pernambuco e os rumos políticos do estado.


Acesse, compartilhe e acompanhe. Esta série de O estopim quer ajudar a iluminar um dos capítulos mais sensíveis e obscuros da história recente de Pernambuco.

 
 
 
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