top of page

Parte da cobertura da EREF Presidente Arthur da Costa e Silva caiu sobre estudantes e professor; Governo de Pernambuco diz que feridos foram atendidos e liberados.


Por Raul Silva para O estopim | 8 de julho de 2026



Telhas caídas no pátio da EREF Presidente Arthur da Costa e Silva, na Mustardinha, após incidente que feriu estudantes e professor
Telhas caídas no pátio da EREF Presidente Arthur da Costa e Silva, na Mustardinha, após incidente que feriu estudantes e professor | Foto: Reprodução/WhatsApp

Telhado desaba em escola estadual no Recife e cinco estudantes e um professor ficaram feridos. O desabamento aconteceu na Escola de Referência em Ensino Fundamental Presidente Arthur da Costa e Silva, no bairro da Mustardinha, Zona Oeste do Recife, na tarde de terça-feira, 7 de julho de 2026. O caso ganhou repercussão depois que alunos publicaram vídeos relatando pânico, calor nas salas, aulas improvisadas em área externa e problemas estruturais antigos. A Secretaria de Educação de Pernambuco informou que os feridos foram levados à UPA dos Torrões e liberados.


Nos vídeos enviados ao O estopim e em registros que circularam nas redes sociais, estudantes afirmam que a turma participava de uma atividade com o professor de Geografia quando parte da cobertura cedeu. Os relatos citam telhas caindo sobre cadeiras, ferimentos, falta de estrutura adequada para primeiros socorros, infiltrações e fiação exposta. O Jornal do Commercio também registrou que estudantes relataram aulas fora da sala por falta de refrigeração adequada.


Segundo reportagem do Jamildo, o grupo assistia a uma aula na área externa da unidade quando a estrutura cedeu. A publicação informa que familiares protestaram na escola e que, conforme o Sintepe, 13 pessoas teriam sido atingidas pelas telhas, embora a Secretaria de Educação tenha confirmado atendimento médico a cinco estudantes e um professor.


A CBN Recife informou que imagens registradas após o acidente mostram telhas espalhadas pelo pátio, próximo a cadeiras escolares. A emissora também registrou que as peças faziam parte da cobertura externa da sala de aula e que funcionários demonstraram preocupação com sinais de desgaste na madeira de sustentação.


O episódio expõe uma contradição que exige resposta pública: por que uma escola que aparece em denúncias sindicais como unidade contemplada por repasses milionários ainda apresentava riscos estruturais percebidos por estudantes e professores?


O Governo de Pernambuco se manifestou por meio da Secretaria de Educação. A pasta informou ao Jornal do Commercio que a equipe gestora prestou atendimento imediato, que um professor e cinco estudantes foram encaminhados à UPA dos Torrões, onde foram atendidos e liberados, e que a área do incidente teve isolamento e sinalização reforçados.


Leia também:


A SEE também afirmou que a escola já recebeu substituição de parte da cobertura, pintura e adequações em salas para climatização. No entanto, reconheceu que outras melhorias ainda estão no planejamento, incluindo conclusão da recuperação da cobertura, adequação das salas para instalação de ar-condicionado, recuperação dos banheiros e serviços de manutenção.


A Secretaria informou ainda que as aulas foram suspensas na manhã desta quarta-feira, 8 de julho, para preservar o bem-estar emocional da comunidade escolar, e que a gestão recebeu responsáveis, monitores e grêmio estudantil para esclarecimentos.


Até o fechamento desta matéria, O estopim não localizou uma manifestação direta da governadora Raquel Lyra sobre o caso. A manifestação pública localizada foi a nota da Secretaria de Educação divulgada à imprensa.


A nota da SEE não encerra as perguntas centrais. O Governo de Pernambuco precisa informar, de forma pública e documentada:


  1. Qual laudo técnico atestava a segurança da cobertura antes do acidente.

  2. Quem fiscalizou os serviços executados na unidade.

  3. Qual empresa realizou as intervenções na escola.

  4. Quais medições foram pagas e quem assinou os boletins.

  5. Qual o cronograma real para recuperação completa da cobertura, banheiros e climatização.

  6. Se haverá sindicância, auditoria interna ou envio de documentos ao Tribunal de Contas.

  7. Como será garantida a segurança dos estudantes antes da retomada integral das aulas.


Em caso de escola pública, a resposta não pode se limitar ao atendimento posterior aos feridos. A obrigação do Estado inclui prevenção, fiscalização, manutenção e transparência sobre o uso do dinheiro público.


Em nota publicada nesta quarta-feira, 8 de julho, o Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação de Pernambuco afirmou que a EREF Presidente Arthur da Costa e Silva foi objeto de reformas que somam R$ 2,5 milhões, incluindo R$ 242 mil relacionados à segurança da cobertura e estruturas metálicas. O sindicato classificou como inaceitável a ocorrência de falha estrutural em uma unidade com esse volume de recursos.


O Sintepe também relacionou o episódio à campanha “Cadê a Reforma da Minha Escola?”, lançada em maio, quando denunciou suspeitas de mau uso de dinheiro público em reformas de escolas estaduais. Segundo o sindicato, o contrato de manutenção analisado somava R$ 182.784.905,05 e abrangia 798 unidades da rede estadual.


A cobrança do sindicato é objetiva: auditoria rigorosa sobre os serviços prestados e vistorias preventivas nas escolas. Esse ponto precisa ser tratado como questão de segurança pública, não apenas como debate administrativo.


O caso também dá novo peso político à atuação de Ivete Caetano, presidenta licenciada do Sintepe e atual pré-candidata a deputada estadual pelo PT. Professora e liderança sindical, Ivete tem buscado transformar a pauta da educação pública em eixo de cobrança sobre infraestrutura, valorização dos trabalhadores e fiscalização dos investimentos na rede estadual.


Em abril, O estopim registrou a apresentação da pré-candidatura de Ivete Caetano a deputada estadual durante reunião política em Arcoverde. Na ocasião, ela defendeu a educação pública, políticas sociais, assistência estudantil, valorização da classe trabalhadora e fortalecimento da presença de políticas públicas no interior de Pernambuco.


O destaque a Ivete, neste caso, não substitui a apuração sobre responsabilidades do Estado. Pelo contrário: mostra como a agenda sindical e a disputa política de 2026 tendem a incorporar a situação real das escolas estaduais como tema de cobrança pública.


A queda do telhado ocorre em meio a questionamentos mais amplos sobre contratos de manutenção escolar em Pernambuco. O Sintepe afirma ter identificado problemas estruturais mesmo em unidades contempladas por recursos. Reportagens recentes também registram apurações do Tribunal de Contas do Estado sobre contrato milionário envolvendo manutenção e reforma de escolas da rede estadual.


Essa conexão não significa, por si só, que o acidente da Mustardinha tenha sido causado por irregularidade contratual. Significa que há interesse público evidente em cruzar laudos, boletins de medição, pagamentos, empresas contratadas e vistorias realizadas na EREF Presidente Arthur da Costa e Silva.


O que acontece agora


A Secretaria de Educação informou que a área atingida foi isolada e que as obras serão retomadas com segurança. Também disse que as melhorias restantes já integram o planejamento da pasta.


O estopim seguirá cobrando a divulgação dos documentos técnicos. A população tem direito de saber se a cobertura que caiu havia sido vistoriada, se recebeu manutenção recente, quanto foi pago, quem fiscalizou e quais medidas serão adotadas para impedir que estudantes e professores voltem a conviver com risco semelhante.


Em uma escola pública, telha caindo sobre aluno não é acidente administrativo comum. É sinal de alerta sobre prioridade, fiscalização e responsabilidade do poder público.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do O estopim. Atua na cobertura de política, educação, cultura e fiscalização pública, com foco em contexto, documentos e interesse público.

Contrato da Secretaria de Educação com a Cetus teve cautelar, auditoria especial e suspeitas de pagamentos irregulares



Por Helena Valente para O estopim | 8 de julho de 2026


Governadora Raquel Lyra em imagem oficial; caso envolve contrato de R$ 185 milhões na educação de Pernambuco
Governadora Raquel Lyra; caso envolve contrato de R$ 185 milhões na educação de Pernambuco | Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

A governadora Raquel Lyra terá de trazer explicações políticas sobre o contrato de R$ 185,25 milhões firmado pela Secretaria de Educação de Pernambuco com a Cetus Construtora para serviços de reparos, adaptações, recuperação e modernização de escolas da rede estadual. O caso chegou ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, que suspendeu pagamentos em decisão cautelar e, depois, homologou parcialmente a medida, mantendo a apuração por Auditoria Especial.


A expressão “TCE encerrou o contrato” precisa de precisão. O que os registros públicos e reportagens apontam é que o TCE-PE determinou a suspensão de pagamentos e atos relacionados ao contrato. Posteriormente, a Primeira Câmara registrou perda de utilidade prática da suspensão porque a Secretaria informou o exaurimento integral do saldo financeiro, ou seja, não haveria mais pagamentos pendentes. A investigação, no entanto, segue aberta.


O contrato nº 185/2025 foi assinado inicialmente por R$ 148.203.897,62. Depois, recebeu aditivo de 25%, no valor de R$ 37.050.974,41, chegando ao total de R$ 185.254.872,03. O objeto envolve serviços de manutenção predial, reparos preventivos e corretivos, instalações, adaptações e recuperação de edificações da rede estadual de ensino.


A apuração foi aberta a partir de representação externa apresentada pelo deputado estadual Romero Albuquerque. O relator no TCE-PE, conselheiro Rodrigo Novaes, apontou indícios de falhas de planejamento, ausência de parecer jurídico prévio e inconsistências financeiras, incluindo possíveis pagamentos em duplicidade e irregularidades em medições.


Embora o contrato tenha sido conduzido pela Secretaria de Educação, a pressão recai sobre Raquel Lyra porque o caso envolve uma área central do governo, valores milionários, escolas públicas e possíveis danos ao erário. Em termos administrativos, a apuração mira atos da pasta. Em termos políticos, o episódio atinge o núcleo do governo estadual.


Leia também:


O ponto mais sensível é a combinação de três fatores: contratação por adesão a ata de registro de preços, valor elevado e execução em escolas que, segundo reportagens e denúncias, ainda apresentariam problemas estruturais. O R7 mostrou escolas com rachaduras, pichações, grades enferrujadas e telhados com mato, apesar do contrato milionário para obras e reparos.


A decisão cautelar mencionou falhas que, se confirmadas, podem indicar prejuízo aos cofres públicos. Entre os pontos destacados estão falta de planejamento, ausência de documento técnico prévio, falta de análise jurídica, indícios de pagamentos em duplicidade, irregularidades materiais nas medições e divergências entre medição, liquidação e pagamento.


Reportagem do Metrópoles também apontou uso de imagens repetidas em boletins de medição, sobreposição de áreas, ausência de abatimentos, possível liquidação sem documentação adequada e suspeitas de desvio de objeto, quando obras de reforma ou ampliação teriam sido tratadas como manutenção.


A Cetus foi apontada em reportagens como empresa que estava registrada no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas, mantido pela CGU, por sanção aplicada pela Prefeitura de Belo Horizonte, vigente entre março de 2025 e março de 2026. Segundo o Metrópoles, o contrato com Pernambuco foi assinado em junho de 2025, dentro desse período.


A empresa e a Secretaria de Educação contestam a interpretação de impedimento geral. A SEE afirmou que a restrição seria específica ao município de Belo Horizonte e que não impediria atuação em outros entes federativos. A Cetus também declarou que não possui declaração de inidoneidade que a impeça de contratar com a administração pública.


A Secretaria de Educação informou, após a cautelar, que ainda não havia sido oficialmente notificada, que tomou conhecimento pela imprensa, que não possuía saldo contratual com a Cetus e que o contrato vigente expiraria em 10 de junho. A pasta disse ainda que analisaria a decisão quando fosse oficialmente comunicada.


A Cetus, em nota publicada pelo Blog do Magno, afirmou que o contrato foi celebrado dentro dos procedimentos administrativos legais, com análise da Procuradoria Geral do Estado, e que acompanha com tranquilidade a atuação dos órgãos de controle. A empresa disse ainda que permanece à disposição para prestar esclarecimentos.


O que acontece agora


A Auditoria Especial vai aprofundar a análise sobre a contratação, a execução dos serviços, as medições, as glosas, os estornos e eventuais correções. A Primeira Câmara também determinou que a Secretaria envie informações detalhadas sobre pagamentos efetuados e medidas corretivas adotadas.


O TCE também alertou os gestores sobre a necessidade de proteger o patrimônio público e recuperar eventuais valores pagos indevidamente. Qualquer nova contratação, prorrogação ou licitação semelhante envolvendo a empresa deverá observar legalidade, motivação, eficiência, economicidade e precaução administrativa.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Helena Valente é repórter especial e analista de Educação de O estopim. Dedica sua cobertura às políticas públicas, ao financiamento da educação, às desigualdades escolares e aos impactos das decisões de Brasília no cotidiano de estudantes, professores e comunidades. Sua escrita une apuração, análise crítica e compromisso com a defesa da escola pública, gratuita, laica, inclusiva e socialmente referenciada.

Da Redação de O estopim | 21 de janeiro de 2026


Audio cover
Professor é afastado por suspeita de abuso sexual em escola estadual no RecifeAgência de Rádio Conexão Notícias | Repórter: Diogo Bastos.

RECIFE, PE – Um professor da rede estadual de ensino foi afastado de suas funções após a abertura de uma investigação por suspeita de abuso sexual e conduta agressiva dentro de sala de aula. O caso ocorreu na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Luís Delgado, localizada no bairro da Boa Vista, área central do Recife.


O afastamento é preventivo e ocorre em meio a procedimentos administrativos instaurados tanto pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) quanto pela Secretaria de Educação e Esportes do Estado (SEE-PE).


Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Luiz Delgado fica no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife — Foto: Reprodução/Google Street View
Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Luiz Delgado fica no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife — Foto: Reprodução/Google Street View

A denúncia e a investigação do caso de abuso sexual


Segundo informações divulgadas no Diário Oficial do Ministério Público nesta quarta-feira, o órgão recebeu uma denúncia anônima em dezembro de 2025. O relato aponta que o docente teria cometido assédio sexual contra alunas da instituição, além de apresentar comportamento agressivo durante as aulas.


Diante da gravidade das acusações, a Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos. O nome do professor e o número exato de vítimas não foram divulgados para preservar a identidade das estudantes e a integridade da investigação, que corre sob sigilo.


Posicionamento da Secretaria de Educação


A Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco (SEE-PE) confirmou que foi notificada pelo Ministério Público e agiu de imediato. Além de determinar o afastamento do servidor para evitar o contato com as estudantes durante a apuração, a pasta abriu um processo administrativo interno (sindicância).


Em nota, a Secretaria reforçou o compromisso com a segurança da comunidade escolar:


"A pasta reafirma o compromisso com a proteção dos estudantes e com a manutenção de um ambiente escolar seguro e respeitoso, permanecendo à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações." — Secretaria de Educação e Esportes de PE.

A EREM Luís Delgado é uma das escolas tradicionais do centro do Recife. A gestão escolar e a Gerência Regional de Educação (GRE) Recife Norte acompanham o caso para garantir o acolhimento das alunas e a continuidade das aulas sem prejuízos pedagógicos.

bottom of page
Logo MPPE
Painel de Transparência Festejos Juninos
Fale Conosco WhatsApp