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Acusação rebate defesa e mantém denúncia contra Heriberto do Sacolão

Vítima diz que versão do vereador não altera os elementos já entregues à polícia; defesa sustenta que parlamentar também registrou ocorrência e nega agressão


Por Raul Silva para O estopim | 22 de maio de 2026



Homem de óculos fala à imprensa em ambiente interno, com microfone azul e expressão séria.
Heriberto do Sacolão nega as acusações de agressão | Foto: Reprodução

A defesa do agricultor identificado pelas iniciais J. A. L. S., de 37 anos, rebateu nesta quinta-feira, 22 de maio, a versão apresentada pelos advogados do vereador João Heriberto Ouriques da Silva, conhecido politicamente como Heriberto do Sacolão, e afirmou que a denúncia por agressão física e ameaça permanece de pé. Segundo a acusação, o caso está amparado por Boletim de Ocorrência, laudo do Instituto de Medicina Legal e pela indicação de testemunhas que poderão ser ouvidas no curso da apuração. O episódio investigado pela Polícia Civil ocorreu em 25 de abril de 2026, no Sítio Umburanas, zona rural de Sertânia. Até a publicação desta reportagem, não havia decisão judicial sobre o caso.


A nova manifestação da acusação surgiu depois de a defesa do vereador divulgar nota pública sustentando que os fatos noticiados até aqui refletiam apenas a versão de uma das partes. Os advogados de Heriberto afirmam que o parlamentar também registrou ocorrência, que foi ao local para tratar de assunto particular ligado a um débito anterior e que teria sido recebido de forma hostil. A réplica da defesa do agricultor, por sua vez, sustenta que os registros formais feitos logo após o episódio reforçam a consistência da denúncia inicial.


Na nota divulgada nesta quinta-feira, a defesa do agricultor afirma que Heriberto do Sacolão surpreendeu a vítima no local de trabalho e iniciou uma cobrança relacionada a uma suposta dívida antiga. Segundo esse relato, o agricultor negou responsabilidade pelo débito e, a partir daí, a discussão evoluiu para agressão física.


A acusação diz que o caso não depende apenas de narrativa verbal. O ponto central da reação dos advogados foi justamente este: sustentar que a denúncia já estaria apoiada em elementos produzidos no momento mais próximo dos fatos. Entre eles, estão o registro policial feito no mesmo dia do episódio, o encaminhamento da vítima ao IML e a existência de testemunhas presenciais.


De acordo com a versão da acusação, o laudo pericial apontou traumatismo por instrumento contundente e marcas compatíveis com lesões de arraste na região dorsal. A nota também afirma que houve registro de ameaça e que o agricultor foi o primeiro a procurar as autoridades. Em tom direto, os advogados sustentam que quem foi à polícia e ao IML primeiro foi a vítima, não o vereador.


A acusação ainda afirma que nenhum mandato ou função pública afasta a necessidade de apuração regular dos fatos. A linha adotada é clara: a defesa do agricultor quer impedir que o debate público seja deslocado para uma disputa abstrata entre versões equivalentes, sem considerar a ordem cronológica dos registros e a materialidade médica já apresentada.


A defesa de Heriberto do Sacolão apresentou uma leitura oposta do episódio. Em nota, os advogados afirmam que as informações publicadas até agora reproduzem apenas a narrativa de uma das partes e, por isso, não espelhariam integralmente o que ocorreu no Sítio Umburanas.


Segundo esse posicionamento, o vereador também formalizou Boletim de Ocorrência em 26 de abril, um dia depois do caso, alegando ter sido vítima de agressões e ameaças no mesmo contexto. A defesa sustenta que Heriberto esteve no local apenas para tratar de questão de natureza particular ligada a um débito pretérito e que foi recebido de forma agressiva e hostil.


Os advogados também afirmam confiar no trabalho da Polícia Civil e do Poder Judiciário e dizem que este não seria o momento adequado para aprofundar detalhes do caso, justamente porque a investigação ainda está em andamento. A expectativa da defesa é que a inocência do vereador seja demonstrada ao fim da apuração.


Em termos práticos, a estratégia do parlamentar é dupla. De um lado, negar que a versão já consolidada em parte do noticiário represente a totalidade dos fatos. De outro, marcar posição institucional para sustentar que ele também procurou a polícia e que houve conflito mútuo, não agressão unilateral.


Os relatos públicos reunidos até agora indicam que o episódio começou a partir de uma cobrança de R$ 25 mil, relacionada à compra de uma carga de tomates feita por uma terceira pessoa há cerca de quatro anos. Segundo a versão levada pelo agricultor à polícia, ele informou ao vereador que não tinha responsabilidade pela dívida.


A partir daí, conforme o Boletim de Ocorrência citado nas reportagens sobre o caso, a discussão teria escalado para agressões físicas. O agricultor afirma ter sido atingido com socos, derrubado da motocicleta e arrastado pelo chão. Também relata ameaças feitas durante a cobrança.


Um funcionário que estava no local, segundo essa mesma versão, teria interferido para encerrar a agressão. Policiais militares chegaram a passar pela área por causa do tumulto, mas a vítima não os acompanhou naquele momento, de acordo com o relato, por receio.


Esse conjunto de informações ainda está no estágio de investigação. O que existe, até aqui, é a coexistência de duas narrativas opostas, sendo uma delas acompanhada da afirmação de que houve documentação imediata das lesões e outra sustentando que o vereador também foi alvo de violência.


Heriberto do Sacolão é o nome político de João Heriberto Ouriques da Silva, vereador de Arcoverde pelo Podemos. Segundo o perfil oficial da Câmara Municipal, ele nasceu em 9 de maio de 1979, exerceu mandato entre 2017 e 2020, voltou ao Legislativo em 2023 na condição de suplente e foi novamente eleito em 2024.


O fato de o caso envolver um vereador em exercício amplia seu peso público, mas não altera o ponto jurídico básico. O episódio investigado em Sertânia não pode ser tratado como fato provado antes da conclusão da apuração policial e de eventual andamento judicial. Ao mesmo tempo, a condição de agente público torna a cobrança por transparência e clareza ainda mais intensa.


O nome de Heriberto também apareceu nesta semana em outra frente de desgaste político em Arcoverde, depois que o diretório municipal do PT levou ao Ministério Público de Pernambuco uma representação contra nove vereadores por suposto esvaziamento deliberado de sessões da Câmara. Essa controvérsia, porém, corre por trilha própria e não se confunde com a investigação sobre a ocorrência no Sítio Umburanas.


O próximo passo do caso depende da investigação policial. Caberá à Polícia Civil ouvir as partes, reunir depoimentos de testemunhas, confrontar os boletins registrados, analisar os documentos médicos e definir o encaminhamento do procedimento.


Ainda não há, até aqui, informação pública sobre conclusão de inquérito, indiciamento, denúncia do Ministério Público ou abertura de ação penal. Isso significa que o caso está em fase preliminar de apuração, apesar da forte repercussão política que já produziu.


Para além do embate entre notas, há um ponto decisivo. O centro da controvérsia não está mais apenas no que cada lado afirma, mas no que os documentos e testemunhos conseguirão sustentar diante das autoridades. É nessa passagem, do conflito verbal para a prova formal, que o caso começará a ganhar contornos mais nítidos.


Até aqui, a cronologia pública do episódio é a seguinte:

  • 25 de abril de 2026: ocorre a confusão no Sítio Umburanas, em Sertânia.

  • 25 de abril de 2026: a vítima afirma ter registrado Boletim de Ocorrência e passado por exame no IML no mesmo dia.

  • 26 de abril de 2026: a defesa do vereador afirma que Heriberto também registrou ocorrência, alegando ter sido vítima de agressões e ameaças.

  • 22 de maio de 2026: a defesa do parlamentar torna pública sua versão dos fatos.

  • 22 de maio de 2026: a acusação reage, rebate a nota da defesa e afirma manter integralmente a denúncia.


Esse é o estado atual do caso. De um lado, a defesa do vereador fala em versão parcial, hostilidade e apuração ainda aberta. De outro, a acusação insiste que a denúncia não é apenas uma narrativa, mas um relato acompanhado de registro policial, exame pericial e testemunhas. Entre as duas posições, permanece um dado central: a investigação ainda não terminou.


Tags relacionadas: Heriberto do Sacolão, Arcoverde, Sertânia, agressão, ameaça, investigação policial, Câmara de Arcoverde, Polícia Civil de Pernambuco

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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, instituições públicas e temas de interesse coletivo, com foco em contexto, precisão e impacto local.

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