Caso Henry Borel: Justiça condena Jairinho a 43 anos de prisão e concede perdão judicial a Monique
- Michael Andrade

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Por Michael Andrade, da redação de O estopim | Fonte: Agência Brasil | quinta-feira (4) de junho de 2026
Ex-vereador foi condenado por homicídio qualificado, tortura e coação; mãe de Henry teve acusação desclassificada e recebeu perdão judicial.

O Conselho de Sentença do II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou, na madrugada desta quinta-feira (4), o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos.
O crime ocorreu em 8 de março de 2021. O julgamento durou 11 dias e é considerado o mais longo da história do Judiciário fluminense. A sessão começou em 25 de maio e terminou à 1h43 desta quinta-feira (4), com a leitura da sentença pela juíza Elizabeth Machado Louro.
Jairinho foi condenado por homicídio qualificado, com agravantes por meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de aumento de pena pelo fato de Henry ser menor de 14 anos. Ele também foi condenado pelos crimes de tortura e coação no curso do processo.
A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. O ex-vereador também foi condenado a pagar R$ 400 mil de indenização por danos morais ao pai da criança, Leniel Borel.
Na sentença, a magistrada destacou a violência do crime contra uma criança de apenas 4 anos e classificou a conduta de Jairinho como de extrema gravidade.
Já Monique Medeiros, mãe de Henry, teve a acusação de homicídio intencional desclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ela também foi condenada por tortura por omissão, mas recebeu perdão judicial.
Ao aplicar o perdão judicial, a juíza entendeu que Monique já havia sofrido consequências severas pela morte do filho e pelo impacto público do caso. A magistrada citou o julgamento social, agressões sofridas no cárcere e a exposição pública enfrentada pela ré.
Monique foi sentenciada a 1 ano e 4 meses de detenção pelo crime de tortura por omissão. Como já havia cumprido prisão preventiva, a pena foi considerada encerrada.
A decisão gerou reação do pai de Henry. Em nota à imprensa, Leniel Borel afirmou que pretende recorrer da decisão em relação a Monique.
“Nós vamos continuar lutando para anular essa absolvição da Monique. Eu já falei com meu advogado, e vou pedir ao Ministério Público que recorra da decisão”, declarou.
O advogado Cristiano Medina da Rocha, assistente de acusação, também informou que irá recorrer.
Henry Borel morreu após sofrer lesões graves no apartamento onde morava com a mãe e Jairinho. A morte da criança mobilizou o país e se tornou um dos casos de maior repercussão no Judiciário brasileiro nos últimos anos.
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
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