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Especialistas veem decisão dos EUA sobre facções como risco à soberania do Brasil


Por Michael Andrade, da redação de O estopim | Fonte: Agência Brasil | sexta-feira (29) de maio de 2026


Analistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que classificar facções brasileiras como terroristas pode abrir margem para interferência externa.


Foto: Fábio Rodrigues
Foto: Fábio Rodrigues

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas é vista por especialistas como uma medida que pode limitar a soberania do Brasil e servir de pretexto para interferências externas.


A avaliação foi feita por analistas em geopolítica, economia e relações internacionais ouvidos pela Agência Brasil. Para eles, a decisão está ligada à nova orientação do governo Donald Trump para a América Latina, baseada na ideia de que países da região teriam uma “soberania limitada” diante dos interesses de Washington.


O professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo, Paulo Borba Casella, avalia que o enquadramento como organização terrorista, pela legislação americana, amplia a margem de ação dos Estados Unidos contra grupos classificados dessa forma.


Segundo ele, a classificação permite que o governo norte-americano ataque agentes dessas entidades sem necessidade de declaração formal de guerra ou autorização do Congresso dos EUA.


O cientista político Francisco Carlos Teixeira da Silva, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirma que a medida faz parte de uma doutrina de soberania limitada aplicada à América Latina.


“Os EUA estabelecem o fato de que os países da América Latina têm soberania limitada pelos interesses americanos”, afirmou à Agência Brasil.


Para o professor de economia internacional da UFRJ Luiz Carlos Prado, a decisão pode subordinar decisões internas brasileiras a interesses políticos dos Estados Unidos. Segundo ele, a classificação também poderia ser usada para associar grupos internos brasileiros, inclusive movimentos sociais, a suposto apoio ao terrorismo, mesmo sem apresentação de provas.


Os especialistas também citam o caso do México, que teve facções classificadas como terroristas pelos Estados Unidos. Segundo os analistas, após a classificação, agentes da CIA teriam atuado em território mexicano sem autorização do governo local, o que gerou reação da gestão da presidente Claudia Sheinbaum.


A nova estratégia de segurança dos Estados Unidos para a América Latina, publicada em novembro de 2025, defende a afirmação da “proeminência” norte-americana sobre a região. Para os especialistas, esse movimento ocorre em meio à disputa global por influência econômica, tecnológica e política, especialmente diante do crescimento da China.


A avaliação dos analistas é que a medida pode ampliar a pressão diplomática, política e econômica sobre o Brasil, além de criar justificativas jurídicas para ações externas em território nacional.


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