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Governo das Ilhas Canárias tenta impedir desembarque de cruzeiro com casos de hantavírus; Espanha determina operação

Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: G1 | sábado (9) de maio de 2026


Cruzeiro registra seis casos confirmados de hantavírus e três mortes durante viagem iniciada na Argentina.


'Não posso permitir a entrada': o futuro incerto do navio com surto de hantavírus — Foto: Reuters
'Não posso permitir a entrada': o futuro incerto do navio com surto de hantavírus — Foto: Reuters


O governo das Ilhas Canárias, na Espanha, anunciou neste sábado (9) que não autorizaria a ancoragem do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus. Horas depois, porém, o governo espanhol determinou que o desembarque fosse realizado.


A decisão gerou tensão entre o governo regional das Ilhas Canárias e as autoridades centrais da Espanha, em meio ao temor de riscos sanitários relacionados ao navio, que registra seis casos confirmados de hantavírus e três mortes.


Segundo o jornal espanhol “ABC”, o impasse começou por divergências sobre o tempo que o cruzeiro permaneceria ancorado no arquipélago.


O presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, afirmou que a região não recebeu garantias suficientes sobre os riscos sanitários da operação.


“Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço. Não sem relatórios, não com imposições do Estado e não colocando em perigo a segurança sanitária do povo das Ilhas Canárias”, escreveu nas redes sociais.


Clavijo também afirmou que não existia “conhecimento técnico” que garantisse risco zero para a população local.


Após a declaração do governo regional, o governo espanhol ordenou oficialmente que o cruzeiro fosse recebido nas Canárias.


O secretário de Saúde da Espanha, Javier Padilla, divulgou relatório de inspeção sanitária realizada a bordo apontando que não foram encontrados roedores no navio e que a possibilidade de um animal alcançar a costa canária seria “nula”.


O cruzeiro MV Hondius pertence à operadora holandesa Oceanwide Expeditions e partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril.


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há seis casos confirmados de hantavírus entre oito suspeitos registrados na embarcação. Três pessoas morreram: um casal holandês e uma mulher alemã.


O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. A infecção ocorre geralmente pela inalação de partículas contaminadas no ar.


A doença pode provocar síndrome respiratória grave e não possui vacina ou tratamento específico.


O caso mobilizou autoridades internacionais e reacendeu temores semelhantes aos da pandemia de Covid-19.


Neste sábado (9), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou à ilha de Tenerife para acompanhar a operação de desembarque.


Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS — Foto: Reprodução/TV Globo
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS — Foto: Reprodução/TV Globo

Antes da viagem, Tedros publicou uma carta aberta aos moradores das Ilhas Canárias tentando reduzir a preocupação da população.


“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, afirmou.


Ele reconheceu, porém, a gravidade da cepa registrada no cruzeiro e lamentou as mortes ocorridas durante a viagem.


Segundo a OMS, todas as pessoas a bordo foram classificadas como “contatos de alto risco”.


O caso provocou preocupação entre moradores do arquipélago, especialmente pela lembrança da pandemia de Covid-19 e pelo temor de uma nova crise sanitária internacional.


As Ilhas Canárias possuem autonomia administrativa, mas seguem subordinadas ao governo espanhol em áreas como política externa e controle sanitário.


Ainda não há confirmação oficial sobre como será realizado o desembarque dos passageiros nem sobre o tempo de permanência do navio no arquipélago.


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