top of page
O estopim (2400 x 2400 px)8.png

Lula usa G7 para defender soberania e cobrar cooperação sem tutela externa

Por Raul Silva para O estopim | 17 de junho de 2026


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 16 de junho, na cúpula ampliada do G7, em Évian-les-Bains, na França, que o combate ao crime organizado transnacional precisa respeitar a soberania dos Estados e não pode ser dissociado de uma agenda mais ampla de desenvolvimento, cooperação internacional e redução das desigualdades. A fala ocorreu durante a sessão dedicada a novas parcerias e à reconstrução da solidariedade internacional.


Homem idoso sorridente de terno azul, com broche G7, sentado à mesa de conferência com garrafas d’água.
Presidente Lula durante reunião ampliada do G7, em na França | Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Lula discursou como convidado do encontro e vinculou o tema da soberania ao avanço do narcotráfico, à circulação internacional de armas e à lavagem de dinheiro. Ao defender cooperação por meio de mecanismos multilaterais, como a Interpol, o presidente sustentou que a resposta ao crime transnacional não pode servir de pretexto para relativizar a autonomia dos países.


No trecho mais sensível politicamente, Lula afirmou que o crime organizado aterroriza comunidades e drena recursos públicos que deveriam financiar escolas, hospitais e infraestrutura. Em seguida, ressaltou que esse enfrentamento precisa considerar o respeito à soberania dos Estados.


A ênfase não foi casual. O discurso ocorre poucas semanas depois de o governo dos Estados Unidos classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, movimento que gerou reação do Planalto e do Itamaraty por abrir margem, na leitura do governo brasileiro, para pressões externas e efeitos econômicos e jurídicos sobre empresas e instituições financeiras que operam no país.


Ao levar esse recado ao G7, Lula procurou combinar duas mensagens. A primeira, de que o Brasil não minimiza a gravidade do crime organizado. A segunda, de que a cooperação internacional, para ser legítima, precisa ocorrer sem tutela estrangeira e dentro das regras do direito internacional.


O presidente também usou a tribuna para ampliar o foco do debate. Disse que protecionismo e unilateralismo reaparecem como respostas enganosas para crises globais e afirmou que a solidariedade internacional encolheu num momento em que os desafios se multiplicam.


Na avaliação apresentada por Lula, o enfraquecimento de programas internacionais de ajuda, somado ao aumento dos gastos militares e ao aprofundamento da desigualdade entre países ricos e pobres, agrava a instabilidade global. A fala dialoga com a posição que o governo brasileiro já vinha anunciando antes da viagem, de defender no G7 a retomada do multilateralismo e a reforma da governança global.


Lula também associou soberania a desenvolvimento produtivo. Ao falar sobre minerais críticos, defendeu que países detentores dessas reservas não sejam reduzidos ao papel de exportadores de matéria-prima. Segundo ele, essas nações devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, com industrialização, transferência de tecnologia e formação de capacidades.


No mesmo eixo, o presidente advertiu que a transição digital e a corrida pela inteligência artificial não podem repetir padrões históricos de concentração de renda, tecnologia e poder decisório em poucos atores. A mensagem reforça uma linha já defendida pelo governo brasileiro em fóruns internacionais, de acesso mais equilibrado às tecnologias estratégicas.


A participação de Lula no G7 ocorre num momento de atrito com Washington em áreas de comércio, segurança e política. Antes da viagem, o governo brasileiro já sinalizava que usaria o encontro para reagir ao avanço de medidas unilaterais e ao que classifica como desmonte do multilateralismo.


Na prática, o discurso sobre soberania serviu para posicionar o Brasil em duas frentes. Externamente, buscou rejeitar qualquer formulação que autorize ingerência em território nacional sob o argumento do combate ao crime. Internamente, reforçou a narrativa de que o país pode cooperar internacionalmente sem abrir mão do comando sobre suas próprias decisões estratégicas.


Ao falar em soberania no G7, Lula não tratou apenas de segurança pública. O conceito apareceu como eixo de uma política externa que tenta reunir combate ao crime, defesa do multilateralismo, crítica ao protecionismo, disputa tecnológica e reindustrialização.


O efeito imediato da fala é político e diplomático. O presidente insere o Brasil no debate global sobre segurança e desenvolvimento, mas rejeita soluções desenhadas fora do marco da autonomia nacional. Para o Planalto, a mensagem é clara: cooperação, sim; tutela, não.


O estopim - O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim, com atuação voltada à cobertura de política, poder e interesse público.


Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Comemorando 15 anos de resiliência e paixão pela leitura — Livraria Lira Cultural a sua re
Comemorando 15 anos de resiliência e paixão pela leitura — Livraria Lira Cultural a sua re
Comemorando 15 anos de resiliência e paixão pela leitura — Livraria Lira Cultural a sua re
Comemorando 15 anos de resiliência e paixão pela leitura — Livraria Lira Cultural a sua re
Comemorando 15 anos de resiliência e paixão pela leitura — Livraria Lira Cultural a sua re
Comemorando 15 anos de resiliência e paixão pela leitura — Livraria Lira Cultural a sua re
bottom of page
Logo MPPE
Painel de Transparência Festejos Juninos
Fale Conosco WhatsApp