Olinda, Paulista e Jaboatão entram no bloco dos piores do saneamento, aponta ranking do saneamento 2026
- Clara Mendes

- 19 de mar.
- 4 min de leitura
Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil coloca os três municípios da Região Metropolitana do Recife entre os 20 com pior desempenho do país; dados mostram baixa cobertura de esgoto e investimentos abaixo do patamar previsto para universalização até 2033.
Por Clara Mendes para O estopim | 19 de Março de 2026

Ranking do Saneamento 2026, divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Trata Brasil, colocou Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, entre os 20 municípios com pior desempenho do país em saneamento básico. As cidades aparecem nas posições 83, 85 e 92 de um total de 100 municípios avaliados com base em indicadores do SINISA, ano-base 2024.
O ranking é produzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. O estudo combina indicadores em três dimensões: nível de atendimento, melhoria do atendimento e eficiência. A pontuação final resulta da soma das notas nas dimensões avaliadas.
Pelos dados do levantamento, Olinda tem atendimento total de água de 85,87% e atendimento total de esgoto de 36,66%. O município somou investimento total de R$ 144,52 milhões entre 2020 e 2024, o que representa investimento médio per capita de R$ 79,10 no período.
Paulista aparece com atendimento total de água de 78,90% e atendimento total de esgoto de 40,54%. O investimento total entre 2020 e 2024 foi de R$ 93,56 milhões, com média per capita de R$ 51,55.
Jaboatão dos Guararapes registra o pior recorte entre as três cidades: atendimento total de água de 68,43% e atendimento total de esgoto de 20,61%. No período de 2020 a 2024, o investimento total foi de R$ 335,14 milhões, com média per capita de R$ 98,10.
O release do ranking aponta que, entre os 20 melhores municípios do país, a média de coleta de esgoto chega a 98,08%. Nos 20 piores, o índice cai para 28,06%. No tratamento de esgoto, os 20 melhores registram 77,97% do total gerado, enquanto os 20 piores ficam em 28,36%.
O estudo também afirma que os 20 municípios com pior desempenho investem, em média, R$ 77,58 por habitante (considerando 2020 a 2024), cerca de 66% abaixo dos R$ 225 por habitante previstos pelo PLANSAB para universalizar o saneamento até 2033.
Além do ranking, a plataforma Municípios e Saneamento, do Instituto Água e Saneamento, reúne indicadores dos municípios com base em bases oficiais. Em 2022, Olinda gerou 12.921,1 mil m³ de esgotos. Do volume gerado, 50,2% foi coletado e tratado, e 6.429,4 mil m³ foram despejados na natureza sem tratamento.
No mesmo ano, Paulista gerou 11.491,0 mil m³ de esgotos. O índice de coleta e tratamento foi de 42,2% e o volume despejado sem tratamento foi de 6.637,6 mil m³.
Jaboatão dos Guararapes gerou 17.502,0 mil m³ de esgotos em 2022. A coleta e o tratamento ficaram em 34% do volume gerado, com 11.548,2 mil m³ lançados na natureza sem tratamento.

O Ranking do Saneamento 2026 considera, além de níveis de atendimento e evolução, indicadores de eficiência. No recorte de perdas na distribuição de água, Olinda aparece com 43,78%. Paulista, com 42,93%. Jaboatão, com 47,97%. Em perdas por ligação, o levantamento indica 487,00 litros por ligação-dia em Olinda, 380,35 em Paulista e 709,52 em Jaboatão.
O Instituto Trata Brasil afirma que a falta de acesso à água potável impacta mais de 30 milhões de brasileiros e que cerca de 90 milhões (43,3% da população) não possuem coleta de esgoto. O texto aponta efeitos diretos em saúde, produtividade, valorização imobiliária, turismo e qualidade de vida.
Pesquisas acadêmicas apontam que a ausência de saneamento amplia o risco de doenças de veiculação hídrica. Um estudo de pesquisadores vinculados à Fiocruz estimou o peso ambiental da diarreia em crianças pequenas atribuído à inadequação do saneamento no Brasil.
O Novo Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020) estabelece metas de atendimento de 99% da população com água potável e de 90% da população com coleta e tratamento de esgotos até 31 de dezembro de 2033.
O estopim procurou a Compesa e as prefeituras de Olinda, Paulista e Jaboatão dos Guararapes para comentar os resultados do ranking. Em nota publicada pelo Diario de Pernambuco, a Prefeitura de Paulista afirmou que a gestão do saneamento básico no município é de responsabilidade da Compesa e disse que acompanha ações voltadas à melhoria do esgotamento sanitário.
Ainda segundo o Diario de Pernambuco, a Prefeitura de Jaboatão declarou que o ranking reflete cenário do ano-base 2024, com defasagem em relação a ações recentes, e afirmou que os serviços de água e esgoto são operados pela Compesa, cabendo ao município articulação institucional e apoio às políticas públicas de ampliação da infraestrutura.
No mesmo material, a Compesa informou que a ampliação do esgotamento sanitário é prioridade do Governo de Pernambuco e disse executar, em parceria com a BRK, o Programa Cidade Saneada, uma PPP que atende a Região Metropolitana do Recife e Goiana. A empresa afirmou que já foram investidos R$ 3 bilhões, beneficiando 1,4 milhão de pessoas, e que, nos últimos três anos, o programa investiu mais de R$ 750 milhões.
A Compesa também declarou que o processo de concessão regional deve ampliar os investimentos e levar o esgotamento sanitário a municípios fora da PPP atual, citando Caruaru e Petrolina. Segundo a companhia, a universalização dos serviços em Pernambuco até 2033 prevê investimentos de R$ 19,1 bilhões pelas concessionárias e outorgas de R$ 4,2 bilhões, com aplicação em segurança hídrica pelo Estado e em infraestrutura pelos municípios.
Publicado desde 2009, o Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil avalia anualmente os 100 municípios mais populosos do país com base em indicadores oficiais. A edição 2026 usa dados do SINISA, ano-base 2024, e volta a colocar cidades da Região Metropolitana do Recife nas posições mais baixas do levantamento.
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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Atua na cobertura de políticas públicas, cidades e serviços essenciais, com foco em dados, transparência e checagem.
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