Caso Camila Wanderley: família pede afastamento e cassação de médicas após complicações em cirurgia no Recife
- Michael Andrade

- 27 de jan.
- 2 min de leitura
Por Michael Andrade, da redação de O estopim Fonte: Diário de Pernambuco | 27 de janeiro de 2026
Representação foi encaminhada ao Cremepe; defesa das cirurgiãs nega nexo causal, anestesista não se manifestou e Hospital Esperança diz ter prestado suporte

A família da consultora de imagem Camila Wanderley, de 38 anos, denunciou suposto erro médico após a paciente ser submetida a uma cirurgia apontada como de “baixo risco” em um hospital do Recife, em agosto de 2025, e sofrer complicações que a deixaram em estado vegetativo. Os familiares afirmam que entraram com representação no Cremepe, em dezembro, pedindo o afastamento e a cassação do registro de três médicas envolvidas no caso, que negam responsabilidade.
O que diz a denúncia
Segundo o advogado Paulo Maia, que representa a família, Camila procurou o Hospital Esperança, no Centro do Recife, para realizar cirurgia de retirada da vesícula e correção de hérnia. De acordo com ele, a paciente era previamente saudável e sem doenças pré-existentes.
Ainda conforme a representação, Camila teria apresentado sinais de apneia durante o procedimento e os alarmes teriam sido ignorados por período superior a 1 minuto e 42 segundos, sem registro de intervenção adequada. A denúncia aponta que ela teria permanecido em sofrimento respiratório por cerca de 15 minutos e, às 11h16, sofrido parada cardíaca, reconhecida clinicamente pela equipe por volta das 11h18. O documento afirma que a reanimação ocorreu às 11h33, já com sequelas neurológicas permanentes, citando quadro compatível com encefalopatia hipóxico-isquêmica grave.

O advogado relata que Camila segue internada em UTI, com traqueostomia, uso de sonda urinária, acamada e sem interação com o meio, além de deformidades em membros e região cervical, conforme descrição apresentada à reportagem do Diário de Pernambuco.
Responsabilidades apontadas pela família
Na representação ao Cremepe, os advogados citam três médicas e atribuem graus diferentes de responsabilidade:
Clarissa Guedes (cirurgiã-chefe): apontada como “garantidora da segurança global da paciente”, com suposta atuação omissiva e comissiva na liderança da equipe.
Mariana Parahyba (anestesista): acusada de erro grosseiro por negligência, imprudência e imperícia, incluindo questionamentos sobre anamnese e registros na ficha anestésica.
Danielle Teti (cirurgiã-auxiliar): citada por suposta “omissão cúmplice”, por não reagir diante de alarmes críticos e cenário de emergência, segundo a denúncia.

O que dizem as defesas e o hospital
Em nota, a defesa das médicas Clarissa Guedes e Danielle Teti afirmou “categoricamente” que não há nexo de causalidade entre a atuação das profissionais e o dano sofrido pela paciente. A nota também expressa solidariedade à família e solicita que dados pessoais não sejam divulgados para evitar prejuízos à reputação.
A advogada Sara Moura, que representa Mariana Parahyba, informou, em nota, que optou por não apresentar manifestação no momento.
Também por nota, o Hospital Esperança declarou que a paciente teve uma complicação cirúrgica enquanto estava aos cuidados da equipe escolhida por ela e que prestou suporte assim que tomou conhecimento da intercorrência, reafirmando compromisso com qualidade assistencial, ética, transparência e segurança.
Cremepe: apurações em sigilo
O Cremepe informou que denúncias recebidas e sindicâncias instauradas correm em sigilo processual, conforme regras do Código de Processo Ético-Profissional.
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