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Mães de desaparecidos pedem memória, visibilidade e apoio em meio à dor da ausência

Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Agência Brasil | domingo (11) de maio de 2026


Em um país que registrou mais de 84 mil desaparecimentos em 2025, mães transformam sofrimento em luta por respostas e acolhimento.


GRUPO DE MÃES DA SÉ/ARQUIVO
GRUPO DE MÃES DA SÉ/ARQUIVO

Enquanto milhões de famílias celebram o Dia das Mães neste domingo (11), outras convivem com uma ausência que atravessa anos, décadas e silêncios. Mães de pessoas desaparecidas seguem lutando por respostas, visibilidade e respeito em um Brasil que registrou 84.760 desaparecimentos apenas em 2025.


Entre buscas em delegacias, redes sociais, hospitais, becos e instituições públicas, mulheres transformaram a dor em mobilização e resistência.


A maranhense Clarice Cardoso, de 27 anos, vive há mais de quatro meses uma rotina marcada pela espera e pela esperança. Os filhos dela, Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram no dia 4 de janeiro deste ano após saírem para brincar em uma área de mata na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão.


Clarice é mãe de Ágatha e Allan, desaparecidos em janeiro, no Maranhão -
Clarice é mãe de Ágatha e Allan, desaparecidos em janeiro, no Maranhão -

Desde então, a vida da família mudou completamente.


“A cada ligação que eu recebo, penso que pode ser uma novidade, alguma pista”, afirmou à Agência Brasil.


Clarice relata que enfrenta não apenas a dor do desaparecimento dos filhos, mas também julgamentos e preconceitos quando precisa ir até a cidade buscar informações sobre as investigações.


Ela diz que o Dia das Mães se tornou um pedido coletivo para que o país não esqueça das crianças desaparecidas.


Outra mulher que transformou a dor em mobilização foi a paulista Ivanise Espiridião, de 63 anos, fundadora do grupo Mães da Sé.


Ivanise com a filha Fagna e a neta Eva, de 7 anos
Ivanise com a filha Fagna e a neta Eva, de 7 anos

Ela procura pela filha Fabiana desde 1995, quando a adolescente desapareceu aos 13 anos.


Há três décadas, Ivanise dedica a vida ao acolhimento de mães e familiares de desaparecidos. O grupo criado por ela reúne atualmente mais de seis mil mães em todo o país.


Ivanise transformou a dor de perder a filha e luta por outros desaparecidos
Ivanise transformou a dor de perder a filha e luta por outros desaparecidos

“O Dia das Mães causa uma mistura de sentimentos. É tristeza pela ausência, mas também lembrança dos filhos que continuam ao nosso lado”, disse.


A organização utiliza inclusive tecnologia de reconhecimento facial por meio do aplicativo Family Faces para auxiliar nas buscas.


Ivanise na escadaria da Sé
Ivanise na escadaria da Sé

Ivanise também alerta para um problema recorrente: muitas famílias ainda encontram resistência para registrar imediatamente boletins de ocorrência.


Pela legislação brasileira, o desaparecimento de crianças e adolescentes deve ser comunicado e investigado imediatamente, sem necessidade de esperar 24 horas.


Especialistas defendem que o apoio psicológico e emocional às famílias também precisa ser ampliado.


A psicóloga Melânia Barbosa, que pesquisa o tema, afirma que a dor do desaparecimento possui características próprias e exige acolhimento contínuo.


“O principal é você saber que tem alguém ao seu lado e não se sentir sozinho”, destacou.


Outra mãe que atua em apoio a famílias é Lucineide Damasceno, integrante do grupo Mães da Sé.


Lucineide na escadaria da Sé com outras mães de desaparecidos pessoal
Lucineide na escadaria da Sé com outras mães de desaparecidos pessoal

Ela procura pelo filho Felipe desde 2008, quando o adolescente desapareceu após sair de moto para encontrar um amigo.


Lucineide criou a ONG Abrace, voltada ao acolhimento de familiares de desaparecidos.


Mesmo após quase duas décadas, ela mantém o hábito de deixar presentes para o filho embaixo da árvore de Natal.


“Eu tenho esperança de o Felipe bater no portão e dizer: ‘mãe, estou aqui’”, afirmou.


Felipe, filho de Lucineide desapareceu em 2008
Felipe, filho de Lucineide desapareceu em 2008

Segundo especialistas e entidades, os casos de desaparecimento exigem não apenas investigação policial, mas também políticas públicas permanentes de acolhimento, prevenção e suporte psicológico para as famílias.


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