O Estopim da Semana: caso de Camila Vanderley, repercute em Pernambuco
- Michael Andrade

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Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Diário de Pernambuco, Folha de S.Paulo e Metrópoles | 1º de fevereiro de 2026
Família afirma que houve omissão e falhas durante procedimento no Hospital Esperança; perícia particular descreve alertas de apneia e queda de saturação; caso chegou ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe); hospital e defesas apresentam versões e contestam acusações.

O Estopim da Semana — o resumo que acende o que mais repercutiu.
O caso de Camila Vanderley, servidora pública e consultora de imagem e estilo que mora e trabalha em Arcoverde, voltou ao centro do debate em Pernambuco após reportagens apontarem que a família denuncia suposto erro médico e omissão em uma cirurgia realizada em Recife. A família afirma ter contratado perícia particular, acionado o Cremepe e preparar ação judicial. O hospital diz que prestou suporte, enquanto defesas das profissionais citadas contestam as acusações.
Relato do pai e do marido

Em entrevista, o pai de Camila, o juiz federal Roberto Nogueira, descreveu o quadro clínico e a rotina de cuidados: “Ela não fala, não anda, não vê. Respira sozinha, mas perdeu as partes cognitiva e locomotora. Quando eu fico com ela, a olho o tempo todo. É como se fosse um bebê de novo”.
O marido, o médico oftalmologista Paulo Menezes, também falou sobre o impacto emocional do caso: “Eu virei viúvo de uma esposa viva”.

O que apontam os registros e a perícia, segundo a reportagem
Conforme narrado em reportagem, registros de câmeras do hospital teriam mostrado Camila chegando andando à unidade por volta das 5h, acompanhada do marido, e a admissão ocorrendo às 5h24.
A mesma apuração atribui à perícia particular contratada pela família uma sequência de alertas registrados pelo monitor multiparamétrico durante o procedimento. O primeiro aviso de apneia teria ocorrido às 10h47, com indicação de “problema grave: desconexão, obstrução ou falha ventilatória”. O documento citado aponta novos episódios e quedas sucessivas da saturação, até a evolução para parada cardiorrespiratória, com acionamento da equipe de reanimação.
Declarações do médico que assina o documento
Em entrevista, o médico Leonardo Queiroga Marinho, apontado como responsável por assinar o documento, afirmou que o monitor mostra informações essenciais para acompanhamento instantâneo e que o equipamento registra os dados em cartão de memória, o que permitiria uma avaliação detalhada: “Todas as informações, como pressão e saturação, são mostradas no monitor para o médico acompanhar instantaneamente. Esse equipamento tem vários sensores, alarmes visuais e é primordial para procedimentos cirúrgicos”. Ele acrescentou que, com acesso ao equipamento e aos registros, seria possível analisar o quadro “segundo a segundo”.
Vídeos e repercussão nas redes

O caso teve novo impulso nas redes com a circulação de vídeos associados ao procedimento e com o depoimento do marido. Em um trecho repercutido, Paulo Menezes descreveu o que afirma ter visto em registros relacionados ao atendimento: “A anestesista ficou apertando o aparelho… com uma mão e a outra mão no celular”.
Ação judicial e posicionamentos
Segundo a reportagem, a família prepara ação judicial. O advogado Igor Cesar Rodrigues afirmou que a intenção é que “todos os crimes cometidos no decorrer desse procedimento desastroso sejam apurados”, além de buscar reparação por danos materiais.
Em nota, o hospital declarou que prestou “todo o suporte necessário assim que tomou conhecimento da intercorrência” e reafirmou compromisso com qualidade assistencial, ética, transparência e segurança dos pacientes.
Já a defesa da cirurgiã Clarissa Guedes afirmou que a atuação técnica no ato cirúrgico foi executada “com absoluta precisão” e sem falhas, sustentando que não há nexo de causalidade entre a conduta atribuída à cirurgiã e o dano neurológico relatado, além de apontar que o monitoramento é responsabilidade da anestesiologia. Outra defesa citada informou que não se manifestaria no momento.
Nota editorial
O caso envolve denúncia em apuração e versões conflitantes. O Estopim reforça o direito ao contraditório e à ampla defesa. O espaço permanece aberto para manifestações de todos os citados.
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