Jaques Wagner deixou liderança do governo no Senado após operação da PF
- Raul Silva

- há 5 horas
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Senador diz que decisão saiu em comum acordo com Lula; PF apura suspeitas ligadas ao Banco Master e a Augusto Ferreira Lima.
Por Raul Silva para O estopim | 24 de junho de 2026

O senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, deixou nesta quarta-feira (24) a liderança do governo no Senado após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, em Brasília. A saída ocorre seis dias depois de Wagner ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura suspeitas de corrupção envolvendo agente público com prerrogativa de foro e irregularidades no Sistema Financeiro Nacional.
Wagner anunciou a saída em publicação nas redes sociais. Segundo o senador, a decisão foi tomada “em comum acordo” com Lula. Ele afirmou que, neste momento, sua prioridade é provar inocência e se dedicar às campanhas de reeleição de Lula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e à própria disputa ao Senado.
A reunião entre Lula e Wagner ocorreu no Palácio da Alvorada. Segundo o Poder360, o encontro durou cerca de duas horas e selou a saída do parlamentar do posto de líder do governo no Senado.
A Folha de S.Paulo informou que Wagner resistia a deixar a função, mas que a saída foi consumada após a conversa com Lula. O jornal também registrou que o governo avaliava o desgaste político de manter no posto um aliado sob investigação.
A Polícia Federal informou que a 9ª fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em 18 de junho para apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do Sistema Financeiro Nacional. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
Segundo a PF, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A nota oficial da corporação não cita nomes no texto divulgado, mas veículos como Agência Brasil, Poder360, Reuters e Folha identificaram Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima como alvos da fase da operação.
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Augusto Ferreira Lima é apontado nas apurações jornalísticas como ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação busca esclarecer se houve relação ilícita entre executivos ligados ao banco e agentes políticos.
Jaques Wagner nega irregularidades. Em entrevista citada pela Agência Brasil, o senador afirmou estar “absolutamente tranquilo” em relação à investigação. Ele também declarou que sua relação com Daniel Vorcaro seria “praticamente zero” e que nunca recebeu dinheiro do Banco Master.
Até a última atualização desta matéria, não havia denúncia formal contra Wagner no caso, segundo a Reuters. Isso significa que a investigação está em andamento e que vale a presunção de inocência.
A liderança do governo no Senado é uma função estratégica. O líder articula votações, negocia com bancadas, defende projetos do Executivo e mede o apoio político do Planalto dentro da Casa.
A saída de Wagner, aliado histórico de Lula e ex-governador da Bahia, amplia o desafio de articulação do governo em ano eleitoral. O governo terá de escolher um substituto capaz de reorganizar a base no Senado, reduzir o desgaste político da investigação e manter a agenda legislativa em andamento.
O caso também amplia a pressão sobre o Planalto porque a Operação Compliance Zero já alcança personagens de diferentes campos políticos. A Reuters informou que a investigação do Banco Master também atingiu outros nomes relevantes, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, que nega irregularidades.
O que acontece agora
O primeiro passo é a escolha de um novo líder do governo no Senado. Até a conclusão desta matéria, não havia confirmação oficial do substituto.
A investigação da PF segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. Os materiais recolhidos nos mandados de busca e apreensão devem ser analisados pelos investigadores, e a defesa de Wagner poderá contestar medidas e apresentar documentos.
Politicamente, Lula tenta evitar que o caso contamine a articulação do governo e a campanha eleitoral de 2026. Wagner, por sua vez, passa a concentrar esforços na defesa e na manutenção de sua trajetória política na Bahia.
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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, cultura e direitos, com foco em contexto, checagem e interesse público.
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