Nordeste amplia vantagem de Lula; Flávio Bolsonaro lidera apenas no Sul
- Mateus Ayres & Raul Silva

- há 2 horas
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Lula marca 55% no Nordeste e 39% no Centro-Oeste/Norte; Flávio Bolsonaro lidera no Sul com 37%, contra 29% do presidente.
Por Mateus Ayres para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026
15 de julho de 2026

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta (15) mostra que a disputa presidencial de 2026 possui bases regionais distintas. Luiz Inácio Lula da Silva alcança sua maior vantagem no Nordeste, onde registra 55% das intenções de voto, contra 24% de Flávio Bolsonaro. No Sul, o senador do PL aparece numericamente à frente, com 37%, ante 29% do presidente.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 120 municípios, entre 10 e 13 de julho. A margem de erro da amostra nacional é estimada em dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-07181/2026.
No Nordeste, Lula abre uma distância de 31 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro. O presidente aparece com 55%, enquanto o senador registra 24%.
Ronaldo Caiado e Renan Santos têm 3% cada. Os indecisos representam 6%, e outros 7% afirmam que votarão em branco, anularão ou não pretendem comparecer.
O resultado transforma o Nordeste no principal território de vantagem de Lula dentro do recorte regional apresentado pela Quaest. A diferença registrada na região é superior à observada nos demais agrupamentos do levantamento.
Ao contrário do que indicava o gancho inicial, Flávio Bolsonaro não aparece na liderança do agrupamento Centro-Oeste/Norte.
Lula registra 39%, contra 24% de Flávio. Ronaldo Caiado alcança 13%, seu melhor desempenho entre as quatro divisões regionais apresentadas pela pesquisa. Renan Santos tem 4% e Romeu Zema, 2%.
O desempenho de Caiado reduz a concentração da oposição em torno de Flávio nesse agrupamento. O dado indica que parte do eleitorado regional permanece distribuída entre candidaturas do campo conservador, embora Lula mantenha vantagem numérica de 15 pontos.
Flávio Bolsonaro registra seu melhor resultado regional no Sul, com 37% das intenções de voto. Lula aparece com 29%, uma diferença numérica de oito pontos.
Caiado, Renan Santos, Romeu Zema e Joaquim Barbosa têm 3% cada. Os indecisos somam 11%, enquanto 9% afirmam que votarão em branco, anularão ou não pretendem votar.
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O Sul é a única divisão regional do gráfico em que Flávio aparece à frente de Lula. O dado mostra que a candidatura do senador possui seu principal núcleo territorial nessa parte do país.
No Sudeste, Lula registra 35% e Flávio Bolsonaro, 28%. A diferença numérica é de sete pontos percentuais.
A região apresenta a maior proporção de indecisos no recorte, com 14%. Outros 10% afirmam que votarão em branco, anularão ou não participarão.
Esse contingente amplia a incerteza sobre o comportamento futuro do eleitorado da região. O Sudeste reúne uma parcela relevante do eleitorado nacional e aparece menos consolidado do que o Nordeste e o Sul no quadro apresentado pela pesquisa.
A pesquisa mostra que a disputa não se distribui de maneira uniforme pelo território nacional.
Lula combina uma vantagem ampla no Nordeste com lideranças numéricas no Sudeste e no agrupamento Centro-Oeste/Norte. Flávio depende principalmente de seu desempenho no Sul para compensar as desvantagens nas demais regiões.
O recorte também evidencia o papel de Caiado no Centro-Oeste/Norte. Seus 13% nesse agrupamento são mais de quatro vezes superiores aos 3% registrados por ele nas outras três divisões regionais.
Essas conclusões são análises baseadas nos percentuais divulgados. O relatório não informa decisões, reuniões ou estratégias adotadas pelas campanhas em resposta aos resultados.
A margem de erro de dois pontos percentuais divulgada pela Quaest refere-se à amostra nacional de 2.004 entrevistas.
O gráfico da página 26 não apresenta margens de erro específicas para Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste/Norte. Como cada subgrupo reúne menos entrevistas do que a amostra total, a incerteza estatística regional é maior.
Por isso, diferenças menores, como os sete pontos no Sudeste e os oito pontos no Sul, devem ser interpretadas com mais cautela do que a vantagem de 31 pontos de Lula no Nordeste.
O mapa regional ajuda a identificar os territórios em que cada candidatura começa a disputa em posição mais favorável.
Para Lula, o desafio é conservar a vantagem nordestina e ampliar sua presença onde a diferença é menor. Para Flávio, o principal obstáculo é transformar sua liderança no Sul em crescimento nas outras regiões, especialmente no Centro-Oeste/Norte, onde aparece 15 pontos atrás do presidente.
A fragmentação provocada pela presença de Caiado também pode influenciar a distribuição dos votos da direita. Seu desempenho regional mostra que a disputa nesse campo não está totalmente concentrada em Flávio Bolsonaro.
O que acontece agora
As próximas rodadas da Quaest indicarão se a divisão regional permanece estável ou se a campanha eleitoral reduz as diferenças entre as regiões.
Também será necessário observar se Caiado mantém os 13% no Centro-Oeste/Norte e se os indecisos do Sudeste começam a se distribuir entre Lula, Flávio e os demais candidatos.
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Mateus Ayres é jornalista e analista político de O estopim. Cobre política nacional e internacional, análise de conjuntura e os efeitos das decisões públicas sobre a justiça social, com rigor documental e compromisso com a democracia.
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