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Pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026 mostra eleitor mais volátil e disputa aberta entre Lula e Flávio Bolsonaro

Por Raul Silva para O estopim | 9 de abril de 2026



Três homens de meia-idade em close com expressões sérias. Todos usam ternos escuros e gravatas coloridas. Fundo neutro.
Pré-candidatos à Presidência, o presidente Lula, o senador Flávio Bolsonaro e o governador Ronaldo Caiado destacam-se na política nacional enquanto planejam suas campanhas. | Foto: Montagem com fotos de Brenno Carvalho/Agência O Globo

A nova pesquisa Meio/Ideia, realizada entre 3 e 7 de abril, mostra que a corrida presidencial de 2026 entra em uma fase de maior incerteza. Depois do fim da janela partidária e do período de desincompatibilização para parte dos pré-candidatos, 51,4% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar de voto até outubro. O dado, somado ao empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em um dos cenários de segundo turno, indica uma eleição aberta, com espaço real para reorganização das forças políticas nos próximos meses.


O principal achado do levantamento não é apenas a liderança de Lula no primeiro turno estimulado, com 40,4%, diante de 37% de Flávio Bolsonaro. O dado mais relevante é a erosão da convicção do eleitor. Em janeiro, 64,5% se declaravam decididos. Em abril, esse grupo caiu para 48,6%. A curva se inverteu, e os eleitores disponíveis para trocar de candidato passaram a ser maioria.


Gráfico mostra queda na decisão de voto de 64,5% a 51,4% e aumento de indecisos de 35,5% a 48,6%, de jan a abr/2026.
Evolução da decisão de voto de janeiro a abril de 2026: A proporção de eleitores decididos diminui de 64,5% para 48,6%, enquanto a porcentagem de eleitores que ainda podem mudar seu voto aumenta de 35,5% para 51,4%. | Fonte: Pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026

Essa mudança ajuda a explicar por que o quadro permanece instável mesmo depois de uma etapa importante do calendário eleitoral. A janela partidária terminou em 3 de abril, e os prazos de desincompatibilização passaram a incidir em abril para parte dos ocupantes de cargos públicos, o que tende a reduzir a zona cinzenta sobre quem de fato pretende disputar a Presidência. Ainda assim, a definição institucional não se converteu em cristalização do voto.


No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece na dianteira, mas sem uma vantagem capaz de encerrar a disputa. Flávio Bolsonaro concentra a maior parte do voto de direita já transferido, porém ainda opera em terreno menos consolidado do que o do presidente. Entre os eleitores de Lula, 73,4% dizem estar decididos. Entre os de Flávio, esse índice cai para 39,6%.


Gráfico de barras horizontais mostra Lula com 40,4% e Flávio Bolsonaro com 37% no 1º turno. Outros candidatos têm percentuais menores.
Cenário eleitoral do 1º turno estimulado: Lula lidera com 40,4%, seguido por Flávio Bolsonaro com 37,0%. Outros candidatos apresentam porcentagens menores, enquanto 8,5% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar. | Fonte: Pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026

A espontânea reforça esse retrato. Lula marca 32,6%, enquanto Flávio tem 19,4%. Jair Bolsonaro ainda aparece com 6%, mesmo fora do jogo formal. Isso sugere que uma parcela do eleitorado bolsonarista continua dispersa, seja por resistência à transferência automática do capital político, seja por espera estratégica de novos movimentos no campo conservador.


Em termos práticos, Lula tem hoje um eleitorado mais consistente. Flávio, por sua vez, demonstra maior capacidade de competitividade numérica imediata, mas com base mais fluida. É uma diferença decisiva para entender a campanha: um candidato pode estar perto no placar e, ainda assim, depender mais de reacomodações do que de fidelidade consolidada.


O levantamento mostra que a direita ainda não concluiu seu processo de aglutinação. Ronaldo Caiado aparece com 6,5% no cenário estimulado, enquanto Romeu Zema e Renan Santos marcam 3% cada. Aldo Rebelo surge com 0,6%. O número mais eloquente, porém, está no grau de firmeza desses eleitorados. Entre os apoiadores de Caiado, 69,4% ainda admitem mudar de voto. Entre os de Zema, o índice chega a 80%.


Isso significa que a disputa no campo conservador está longe de resolvida. Há voto disponível, mas ainda sem travamento definitivo. Para Lula, esse quadro tem duas leituras possíveis. A primeira é positiva: a fragmentação adversária dificulta a formação de uma maioria estável já no primeiro turno. A segunda é mais arriscada: uma eventual convergência mais adiante pode reduzir rapidamente a vantagem hoje observada.


É no segundo turno que a pesquisa ganha maior densidade política. Contra Flávio Bolsonaro, Lula marca 45,5%, e o adversário, 45,8%. A diferença de 0,3 ponto percentual configura empate técnico dentro da margem de erro. Contra Caiado, Lula vence por 45% a 39%. Contra Zema, a vantagem é de 44,7% a 38,7%. Diante de Renan Santos e Aldo Rebelo, a distância cresce ainda mais.


Gráfico de barras horizontais mostra porcentagens de votos no 2º turno. Flávio empata; Lula e Adversário em azul e verde. Texto indica disputa equilibrada.
Gráfico comparativo do 2º turno mostra empate com Flávio Bolsonaro e vantagem dos adversários sobre outros candidatos. | Fonte: Pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026

A leitura é objetiva. O nome que hoje apresenta maior potência eleitoral contra Lula é Flávio Bolsonaro. Não porque tenha o eleitorado mais sólido, mas porque já ocupa o ponto de maior eficiência na transferência do campo bolsonarista para um cenário competitivo. Ao mesmo tempo, a alta volatilidade do seu apoio indica que esse desempenho ainda pode crescer ou encolher de forma relevante.


A pesquisa também ajuda a entender o humor material do eleitor. Sete em cada dez brasileiros afirmam que o custo de vida aumentou no último ano. Quatro em cada dez dizem estar mais endividados. E 74,7% classificam custo de vida e endividamento como temas muito importantes ou importantes na hora de votar.


Gráfico de barras mostrando a pressão econômica como fator eleitoral: custo de vida 70,4%, endividamento 40%, tema relevante no voto 74,7%.
Avaliação do governo Lula: 70,4% dos entrevistados percebem aumento no custo de vida, 40% sentem maior endividamento, e 74,7% consideram esses temas importantes na decisão de voto. | Fonte: Pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026

Esse bloco de dados dialoga diretamente com a avaliação do governo. Na medição geral, Lula soma 46,4% de ruim ou péssimo, contra 32,2% de ótimo ou bom. Na economia, o saldo negativo também é superior ao positivo. Na segurança pública, a diferença piora e o governo registra seu pior desempenho setorial, com 53,9% de ruim ou péssimo.


Gráfico de barras mostra avaliação do governo nas áreas Geral, Economia e Segurança. Cores indicam Ótimo/Bom, Regular, Ruim/Péssimo.
Avaliação do governo: segurança pública recebe a pior avaliação, com 53,9% considerando ruim/péssimo, enquanto a economia tem 44,6% de avaliação negativa e a geral 46,4%. | Fonte: Pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026

Em uma eleição nacional, percepção econômica e sensação de ordem cotidiana costumam funcionar como chaves de decisão tardia. Quando mais da metade do eleitorado declara que ainda pode mudar de voto, essas variáveis ganham peso adicional. Não se trata apenas de rejeição ideológica ou identidade partidária. Trata-se de custo de vida, dívida e sensação de perda de controle sobre a rotina.


Outro aspecto relevante do levantamento é a presença de temas institucionais no imaginário do eleitor. Para 42,5% dos entrevistados, a maior ameaça à democracia brasileira hoje é a concentração de poder no Judiciário. O índice supera com folga a corrupção dos políticos, a polarização, a desinformação e a influência estrangeira nas eleições.


Gráfico de barras mostrando ameaças à democracia segundo entrevistados. "Poder no Judiciário" lidera com 42,5%. Título: "Para os entrevistados, principal ameaça à democracia está no Judiciário".
Para os entrevistados, a principal ameaça à democracia é o "Poder no Judiciário", com 42,5%, seguido pela "Corrupção dos políticos" com 16,5%. | Fonte: Pesquisa Meio/Ideia de abril de 2026

Na pergunta sobre anistia após os atos de 8 de janeiro, 41% se dizem contra qualquer tipo de perdão. Mas a soma dos favoráveis chega a 53%, dividida entre anistia ampla, inclusive para Jair Bolsonaro e militares, e anistia restrita aos manifestantes, sem alcançar lideranças. O tema, portanto, não está resolvido socialmente. Ele segue aberto e pode ser mobilizado tanto pelo campo conservador quanto por setores que apostam no discurso de pacificação.


Esses números sugerem que a eleição de 2026 não será decidida apenas entre economia e rejeição partidária. Haverá também uma disputa de narrativa sobre sistema de Justiça, limites institucionais, memória do 8 de janeiro e legitimidade da mediação internacional sobre o processo eleitoral.


A pesquisa oferece três conclusões firmes. A primeira é que Lula continua competitivo e lidera o primeiro turno estimulado. A segunda é que Flávio Bolsonaro, hoje, é o adversário mais forte para um eventual segundo turno. A terceira é que a maioria do eleitorado ainda não fechou posição.


Mas há também limites claros. Pesquisa é fotografia, não roteiro definitivo. O levantamento capta um momento em que o cardápio de candidaturas ficou mais nítido, mas ainda não entrou na fase mais intensa de campanha, alianças, exposição publicitária, debates e eventual deslocamento de apoios regionais. Em outras palavras, o cenário está menos nebuloso do que no começo do ano, mas segue longe de uma consolidação.


A implicação política é evidente. Lula chega ao meio do primeiro semestre com vantagem competitiva, porém sem margem para acomodação. A direita, por sua vez, já tem um nome capaz de ameaçar o presidente, mas ainda depende de coesão, disciplina e retenção de voto para transformar potencial em maioria.


A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 pessoas entre 3 e 7 de abril de 2026, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00605/2026-BRASIL.


O retrato de abril deixa um diagnóstico central: a eleição presidencial de 2026 está aberta porque o eleitor está aberto. E, quando o eleitor ainda não travou sua decisão, a campanha deixa de ser apenas disputa entre nomes e passa a ser uma guerra por sensação de segurança, memória política, autoridade institucional e capacidade de falar ao bolso.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, eleições, dados públicos e temas de interesse coletivo.

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